Perito do INSS continua sob investigação
Texto: Márcia Buzalaf
O médico perito do Instituto Nacional de Seguro Social
(INSS), Paschoal Mazzuca Neto, ainda está sob investigação interna da corregedoria do órgão e da Polícia Federal. As denúncias de corrupção do médico, que cobraria propina para a concessão de aposentadorias e de auxílio-doença, foram levantadas em setembro do ano passado, mas ainda não têm conclusões.
Na Polícia Federal, falta apenas ouvir o próprio médico. De acordo com Antônio Vaz de Oliveira, 39 anos, delegado federal, Mazzuca Neto seria ouvido no último dia 13, mas teria cancelado seu depoimento com um atestado médico, em que alegava um problema cardíaco grave que impossibilitaria seu comparecimento.
Todas as outras pessoas envolvidas no caso - periciados no médico e denunciantes - já foram ouvidas, restando apenas Mazzuca Neto para completar a investigação. Não há previsão de quando ele será solucionado.
Algumas pessoas que estão ligadas ao caso do médico perito podem, inclusive, ser indiciadas se for configurada a colaboração no crime.
No INSS, a situação é parecida, ou seja, o inquérito administrativo instaurado no órgão não chegou ao final. Mesmo assim, as informações no órgão são de que o médico continua recebendo seu salário, apesar de afastado das funções.
A investigação do médico pelo INSS começou no ano passado, depois de formalizadas as acusações, quando uma comissão de inquérito veio à cidade para fazer uma apuração regional. O grupo concluiu seus trabalhos em 31 de dezembro do ano passado.
Depois disso, o inquérito foi para a divisão de corregedoria da auditoria do INSS de São Paulo, onde está atualmente. A próxima etapa será em Brasília, na corregedoria da previdência.
Também não há previsão de término das atividades no INSS, mas o médico afastado de suas atividades ainda recebe seu salário. A determinação do órgão é de cortar o salário apenas dos funcionários que, depois do inquérito, forem considerados culpados.
De acordo com a assessoria de imprensa do INSS, todos os pacientes que foram periciados pelo médico passaram novamente por perícia de outros médicos, vindos inclusive de outras cidade e de outros estados. O INSS não forneceu números, mas afirma que alguns pacientes que passaram por nova perícia tiveram alta segundo o laudo dos outros médicos. Isso pode indicar ou uma interpretação diferente de um médico para outro ou que a corrupção para emissão do laudo realmente existiu.