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Adriana Rota
| Tempo de leitura: 6 min

PM estipula metas para combater crime com mais eficácia

Texto: Adriana Rota

A Polícia Militar do Estado de São Paulo está trabalhando com um sistema de acompanhamento e gerenciamento de sua atividade baseado em metas semestrais, que visa diagnosticar os problemas e, a longo prazo, procurar diminui-los gradativamente.

Entendendo que o alcance dos objetivos está atrelado ao incentivo do profissional, a 1.ª e 3.ª Companhias de Bauru criaram uma planilha indicadora de desempenho, premiando com folgas os policiais que mais se destacam.

O capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Companhia, explicou que os recursos limitados da corporação forçam a criação de alternativas. Nesse caso, trata-se de combater o crime focando pontos específicos.

Exemplificando: atualmente, a maior preocupação das duas companhias está relacionada aos furtos de veículos

- embora uma grande quadrilha tenha sido pega no início do ano - o que exige ações especiais de combate. Essa constatação foi possível com a feitura de estatísticas, que trouxeram uma visão mais científica do panorama.

"Isso vem desde o início do ano passado, quando a PM criou um programa de qualidade, partindo do princípio que não basta prestar o serviço, mas prestá-lo com excelência. Então, além dessa, implantou-se outras áreas de gerenciamento, como a informatização do Centro de Operações da PM (Copom) e a desburocratização do trato administrativo", explicou.

Dessa forma, foram elencados os os tipos de atividades tidos pela Secretaria de Segurança Pública como aquelas que dão vazão à evolução criminal: homicídios, roubos e furtos, consumados e tentados, latrocínio, lesão corporal/agressão, roubo e furto de veículos e ocorrências envolvendo entorpecentes (porte/uso e tráfico).

O esquema é comparativo: pega-se a quantidade de ocorrências de cada natureza no mesmo período do ano anterior, durante um semestre. A idéia é que a quantidade de crimes do ano em vigor não exceda a do anterior, baixando à razão de 1% ao mês, chegando à 6% no semestre. A meta mínima é a redução de 5% da criminalidade no período; satisfatória, de 5 a 8%; excelente, acima de 8%.

A vantagem vista pelos comandantes é que isso propicia o balizamento da ação policial, fazendo com que o PM atue de forma mais eficaz e pontual, aprendendo a identificar o horário mais comum em que o crime é praticado, o local, o modus operandi, dentre outros aspectos.

É nos locais de maior número de ocorrências que o trabalho é intensificado. "Para nós, quando o fato já aconteceu, não é mais importante. Temos de prevenir. É sempre bom saber como agir, porque a pior coisa é ser surpreendido", disse Venezian.

As duas companhias conseguiram manter-se dentro das metas, conforme o levantamento do mês de março. Somente os índices de roubos e, especialmente, furtos de veículos, estão acima do esperado. Para balancear, é preciso que nos próximos meses a incidência desses crimes seja drasticamente diminuída.

Num gerenciamento paralelo, relaciona-se as atividades de desempenho, como apreensão de armas de fogo, brancas e entorpecentes, prisões em flagrante de crimes e de contravenções, captura de condenados, detenção por porte ilegal de arma e envolvimento com entorpecentes. As metas são as mesmas em termos de porcentagem, mas relacionadas a incremento na atuação.

Policial tem de ser estimulado

No entendimento da 1.ª e 3.ª Companhias, o ponto de partida para atingir as metas é estimular o profissional, oferecendo algum tipo de recompensa. Dados os recursos escassos, por enquanto esse estímulo vem em forma de folgas. Mas não é descartada a possibilidade de empresários colaborarem com outros tipos de "premiação" para aqueles que se destacam em suas atividades. "Algumas pessoas são dedicadas por natureza e, nem sempre, reconhecidas como deveriam", acredita o comandante da 1.ª Companhia.

As duas companhias criaram, então, independentemente do comando da corporação, uma planilha indicadora de desempenho. Nela consta um sistema de pontuação positiva e negativa, referente aos dias trabalhados e a alguns critérios objetivos.

O boletim de ocorrência elaborado pelo PM é um deles. Embora pareça incomum, tem uma razão de ser: alguns policiais chegam a ir até o local da ocorrência, mas deixam a cargo da vítima fazer o B.O., quando poderiam viabilizá-lo.

"O simples fato de qualificar, muitas vezes, já conforta a vítima, mesmo que pouco ou nada possa ser feito para resolver seu problema, além de ser mais confortável para ela", disse o capitão Meira. Para a corporação, a atitude também é interessante, porque deixa um conceito positivo sobre sua atuação.

Outra atitude positivamente pontuada é o comparecimento aos distritos policiais ou ao Fórum para prestação de depoimentos, que geralmente são feitos em dias ou horários de folga do policial. "Isso demonstra que ele atuou efetivamente e que seu depoimento é importante".

O policial que faz serviços extras, efetua apreensões de armas, flagrantes, captura condenados, é elogiado por autoridades ou pela comunidade também recebe pontos. "Até a apresentação pessoal conta: roupa limpa, bota em ordem...", completou o capitão.

No campo dos pontos negativos, entram a violação de regras de trânsito, acidentes com viaturas, descumprimento de ordens, reclamações por comportamento indevido, agressão a civis, faltas disciplinares, comprovação de culpa em inquérito policial militar e apresentação pessoal inadequada.

Os capitães explicaram que o comportamento do policial

é observado até o segundo mês. Dependendo da gravidade do ato e das justificativas apresentadas, se houver reincidência, ela vai resultar em obrigatoriedade de passar pelo estágio de atualização profissional, mudança de atividade ou saída da corporação.

Os oficiais disseram, ainda, que essa avaliação

- aplicada diretamente em cabos, soldados e sargentos - não se refere aos policiais que executam trabalhos internos. Esses, até por serem menos numerosos, podem ser observados a cada momento, in loco, diferentemente dos que atuam na rua.

O desempenho dos tenentes é verificado de acordo com o andamento de sua base comunitária e, cada uma delas, recebe gráficos referentes às metas esperadas, de modo que todos possam engajar-se na obtenção dos resultados. Quem centraliza tudo são os comandantes das companhias, que enviam relatórios mensais para São Paulo.

Indagados se essa modernização nas relações de trabalho poderiam incitar uma situação de competitividade prejudicial ao grupo, os capitães acreditam que não. Ao contrário, na opinião deles, tanto a comunidade quanto a corporação estariam ganhando com as alterações.

Clientela

A comunidade assistida pela PM está sendo encarada como cliente. Por isso, uma das metas da corporação é conseguir alcançar o ISO 9000, que começou a ser buscado na última terça-feira. O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresa (Sebrae) é o parceiro dessa empreitada, que pretende capacitar 25 PMs, dentre capitães, tenentes e sargentos. Esses serão multiplicadores dentro de seu espaço de trabalho.

Os encontros são quinzenais, com quatro horas de duração cada um, e consistem numa aula teórica. A parte prática

é aplicada nas bases comunitárias da PM e nos batalhões.

"Recebemos instruções na sala de aula e tarefas para executarmos depois", explicou o tenente Fabiano de Almeida Serpa, comandante da Base Comunitária Oeste.

De acordo com ele, a previsão é que em janeiro do ano que vem a meta tenha sido alcançada. "Tudo o que a PM faz é pensando em melhor servir a comunidade. Por isso, contamos com seu apoio. Uma de nossas próximas atividades

é realizar pesquisas junto à população, para identificar seus anseios. Por isso, precisamos que sejam respondidas com toda sinceridade", pediu.

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