Greve na Unesp/Bauru é total
Texto: Fabiana Teófilo/Ieda Rodrigues
O câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) iniciou, ontem, a já programada greve por reajuste salarial. A paralisação no câmpus ontem, de acordo com do presidente da Associação dos Docentes da Unesp
(Adunesp), Norival Agnelli, foi total, não atingindo apenas os serviços essenciais, como segurança, radar e amolxarifado. O câmpus tem 420 professores, 390 servidores e 3.300 alunos. Já o câmpus de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) funcionou normalmente ontem.
Pela manhã, professores, servidores e alunos saíram da universidade em carreata com destino à Praça Rui Barbosa, onde entregaram 900 panfletos à população, explicando os motivos da greve. Cerca de 200 pessoas ocupando, aproximadamente 50 carros, participaram do movimento.
Também ontem, foi criado o comando de greve, para fazer as assembléias, promover a mobilização do câmpus e tomar decisões relacionadas ao movimento. O professor Milton Vieira do Prado Júnior, que faz parte do comando de greve, explicou que os professores e funcionários estão reivindicando 25% de reajuste salarial para este semestre e mais 7% para o segundo semestre - totalizando 32%.
O parecer do Fórum das Seis - entidade que congrega as três associações de professores e as três de funcionários da Unesp, USP e Unicamp - é de que
é possível esse reajuste de 32% sem prejudicar a folha de pagamento, mas o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp) fechou as negociações em 7%.
De acordo com Prado Júnior, foi julgada uma comissão técnica do Cruesp para avaliar o parecer do Fórum das Seis sobre o orçamento da universidade para ver a possibilidade de uma nova negociação. Agnelli disse que uma reunião técnica deve ser realizada nos próximos dias, para que seja avaliado o impacto de outros índices de reajuste na folha de pagamento e no orçamento da Unesp.
Prado Júnior lembrou que nos últimos cinco anos o único reajuste que os professores receberam foi de acordo com a inflação e que, no último ano, o reajuste foi zero. "Nós sabemos que, atualmente, a Unesp de Bauru utiliza 65% da folha de pagamento e sabemos que esse número pode chegar até 85% porque existe um acordo para isso. Por isso somos contra os 7%", explicou.
Apesar da assembléia de professores, servidores e alunos terem decidido pela greve por tempo indeterminado, Agnelli acredita que haja um acordo sobre o reajuste em poucos dias. Ele ressaltou que o mais importante nessa greve é que professores, servidores e até alunos estão permanecendo no câmpus e participando das atividades do movimento.
Uma comissão de ética está acompanhando o movimento grevista e deverá avaliar quais são os serviços essencias, para que continuem a funcionar na universidade. A situação mais complicada com a greve é dos cursos ministrados por professores conferencistas (contratados por tempo determinado), pois não podem, simplesmente, ter reposição de aulas quando o movimento acabar. O presidente da Adunesp, no entanto, disse que será encontrada uma alternativa para esses casos, para que não haja prejuízo para alunos nem professores.
Apoio
Os alunos também aprovam a greve e dão apoio aos professores e funcionários. A aluna do curso de Psicologia
Érika Pessanha, 19 anos, acredita que além do reajuste salarial, as instalações da universidade estão em más condições e devem ser avaliadas. "Estudamos em salas de aulas sem estrutura para acomodar os alunos", afirmou.
Ela é de São Paulo, mas disse que ficará em Bauru para apoiar a greve, aumentando o número de alunos participantes. "Acredito que se todos colaborassem apoiando essa paralisação, conseguiríamos bons resultados", disse.