Crachá causa problema no transporte escolar no M. Dota
Texto: Rita de C. Cornélio
Mães de alunos da escola Ada Cariane, no Núcleo Mary Dota, estão revoltadas com a falta de transporte escolar para os seus filhos. Segundo elas, o problema foi criado pela Secretaria de Educação, que exigiu um crachá de cada um dos alunos e não emitiu o documento. Ontem, muitos alunos não conseguiram chegar à escola a tempo de assistirem às aulas.
A exigência do crachá, segundo a diretora da escola, Maria Adélia Guarnetti Quággio, partiu da Secretaria Municipal de Educação. "Eles pediram a lista dos alunos que precisavam de transporte escolar gratuito. As mães enviaram os documentos exigidos. Eles ficaram de emitir o crachá", contou.
Na semana passada, parte dos crachás foi enviada para a escola e distribuídos para os alunos. "Os crachás enviados pela Secretaria foram distribuídos para os alunos. Alguns estudantes ficaram sem crachá e a empresa que faz o transporte recebeu ordem para transportar somente os alunos que tinham crachá."
Angela Márcia da Silva Alvarenga, por exemplo é mãe de duas crianças, uma de 7 e outra de 11 anos.
"Um ganhou crachá e outro não". A mulher quer saber o critério que está sendo utilizado para emissão dos crachás.
Ontem, dia em que começou a vigorar a determinação da Secretaria da Educação, vários alunos não conseguiram assistir às aulas, ou tiveram que andar uns quilômetros a mais. "Para ir à escola meus filhos têm que andar mais de cinco quilômetros. No Jardim Ivone não tem escola pública."
O menor R.A. de 9 anos desistiu de assistir às aulas. Sua tia, Francisca Silveira Alvarenga, explica o motivo. "Ele foi para o ponto de embarque às 5h30 e o motorista não deixou ele embarcar; ele desistiu", contou.
Maria do Socorro, mãe de outros dois alunos, diz que os estudantes ficaram sem transporte. "Eles deveriam ter avisado. Nós acordamos cedo e levamos as crianças para o ponto, mas o ônibus não as transportou até a escola."
As mães criticam a posição do governo. "Eles mandam as crianças estudar. Não dão escola e nós temos que matricular nossos filhos em escolas de outros bairros, depois começam a complicar a situação. Eu faltei no meu trabalho para resolver esse problema", disse.
A diretora explica que na última sexta-feira ligou para a Secretaria de Educação e pediu a lista, para não ter problemas. "Eles podiam mandar a lista das crianças, já que não emitiram os crachás."
De acordo com ela, a primeira listagem contém 117 nomes.
"No total são 350 estudantes que moram em bairros dessa região da cidade, porém distante da escola.
É o caso do Bauru 2000, 2001, Chapadão, Jardim Ivone."
Educação responde
Segundo a assessoria de |mprensa da Prefeitura, a demora na emissão dos crachás se deve à conferência de endereços. A Secretaria alega que além da checagem de endereços, a emissão é feita manualmente, o que atrasa ainda mais a entrega de documentos. Eles prometem regularizar a situação até o final de semana para que, na próxima semana, todas as crianças tenham o transporte escolar normalizado.