Geral

Solidariedade

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Comunidade constrói casas para carentes

Texto: Ieda Rodrigues

Dando um exemplo de solidariedade, 30 moradores da Vila Garcia se uniram e, em regime de mutirão, construíram duas casas para famílias carentes do bairro que estavam enfrentando dificuldades em pagar aluguel. A primeira casa está habitada há cerca de um ano pela família de Marli Guizini Barreto e a segunda vai para a família de Sebastião Martins. As duas famílias enfrentam problemas de saúde e agradecem muito a ajuda.

Doando sobras de material de construção e valores em dinheiro de acordo com a possibilidade de cada um dos 30 colaboradores, a comunidade comprou um terreno e construiu as duas casas. O gráfico Antônio Carlos dos Santos e sua irmã, a dona de casa Aparecida dos Santos de Oliveira, que coordenaram a construção das casas, disseram que, se a comunidade continuar a colaborar, outras casas poderão ser construídas.

Na Vila Garcia, existem, pelo menos, outras 20 famílias carentes que moram em barracos em situação precária ou enfrentam muita dificuldade para pagar aluguel. Antônio Carlos e Aparecida disseram que a idéia é que as duas casas sejam registradas em nome de uma entidade - ainda a ser fundada - formada pela comunidade.

As duas casas são bastante simples: são construídas de alvenaria e têm um quarto, uma cozinha e um banheiro, mas são entregues com ligação de água e luz. À segunda casa ainda falta o reboque e os vidros de uma das janelas.

Antônio Carlos e Aparecida disseram que a idéia de construir as casas surgiu num grupo de católicos que freqüenta a Capela de São João Batista, no próprio bairro. No entanto, eles garantiram que a iniciativa não tem vínculos religiosos ou políticos, tanto que uma das famílias beneficiadas é evangélica. Além das casas, a comunidade ajuda os carentes com cestas básicas, montadas com doações recolhidas no próprio bairro.

Antônio Carlos contou que o grupo de moradores não pediu ajuda a políticos e à Prefeitura para mostrar que as pessoas, apesar de humildes, podem ajudar quem está precisando mais. "Ninguém é tão pobre que não tem nada para doar", disse ele. De fora, apenas um padre da Paróquia Nossa Senhora das Graças é que ajudou com material de construção.

Aparecida explicou que cada um dos 30 colaboradores ajudou com o que podia. "Eu saía pedindo doações. Se via uma pia usada no quintal, pedia. Quem tinha sobras de material de construção, doava, e quem podia ajudava com dinheiro", contou. O terreno onde as duas casas foram construídas, na quadra 1 da rua 7, ainda está sendo pago.

Os colaboradores deram R$ 600,00 de entrada e está pagando parcelas mensais de R$ 87,00 - o financiamento é de quatro anos e meio. Além do material de construção que doou, a comunidade gastou cerca de R$ 1,1 mil por casa, segundo Antônio Carlos.

Ele explicou que o valor é baixo porque os próprios colaboradores é que, literalmente, colocaram a mão na massa. Aparecida contou que as duas casas foram construídas aos domingos, dia que a maioria dos colaboradores não trabalha. A alimentação dos mutirantes ficava por conta da mãe de Aparecida.

Grande ajuda

A primeira das duas casas a ficar pronta é habitada, há cerca de um ano, por Marli G. Barreto, seu marido e os três filhos do casal. Ela contou que seu marido não pode trabalhar porque sofre as seqüelas de uma intoxicação com agrotóxicos, quando trabalhava na lavoura.

Sem aposentadoria nem auxílio-saúde, a família vive com a renda de "bicos" e a ajuda do grupo que construiu as duas casas, que doa cesta básica. Evangélica, ela agradece muito a ajuda. A outra família beneficiada

é a de Sebastião e Sidinéia Martins, que pretendem mudar-se no sábado para a casa nova.

Mostrando-se bastante católico, o casal se refere a Aparecida como irmã e agradece muito a Deus pelo teto. Sebastião contou que mudou-se de Lins para Bauru porque um dos seus dois filhos precisa de tratamento oferecido pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Sem emprego fixo, ele vive da renda de "bicos" e com a ajuda da comunidade.

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