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Atropelamento

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 4 min

Moradores protestam após atropelamento de jovens

Texto: Adriana Rota

Moradores do Núcleo Mary Dota e do Bauru 1 fizeram uma barricada, ontem à noite, em protesto às precárias condições de segurança da rua Alberto Paulovich, sem número, que liga os dois bairros. O local foi "palco" de um grave acidente na noite de terça-feira, quando um grupo de oito jovens foi surpreendido por um automóvel. Quatro deles foram atingidos pelo carro e dois permaneciam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até a tarde de ontem.

O local do atropelamento não conta com iluminação pública, calçada, nem lombada. De acordo com a Empresa Municipal de desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), a colocação do obstáculo está descartada. Um radar móvel deve começar a operar a partir do dia 8 deste mês.

O acidente ocorreu por volta das 22h45 de terça-feira, quando o grupo de jovens, formado por oito componentes, voltava para casa depois de sair das escolas Ada Cariani e Júlio Maringoni. Eles caminhavam no canto da rua, desprovida de calçada, quando um veículo foi na direção em que estavam, fazendo duas vítimas graves e duas leves.

Fabrício, 17 anos, cuja família não foi localizada para fornecer o nome completo, que não constava no boletim de ocorrência da Polícia Militar, no Corpo de Bombeiros e no 2.º Distrito Policial, permanecia na UTI até a tarde de ontem, segundo informações de vizinhos. Rafael William do Nascimento, 16 anos, estava na mesma situação, internado no Hospital de Base.

Fernando Henrique Spanhol Ferreira, 14 anos, quebrou o nariz e tinha ferimentos em uma das pernas. "A roda quase passou em cima delas", contou, traumatizado. Ele informou que um outro garoto, do qual não sabia o nome completo, teve dois dentes quebrados, mas não precisou de atendimento médico.

No boletim de ocorrência da PM consta que o veículo conduzido pelo padeiro Flausney Roberto de Oliveira, 27 anos, a Quantum de placas BPV 2704, Bauru, trafegava pelo local no sentido Bauru 1/Mary Dota, quando deparou-se com um ônibus que vinha em sentido contrário com a luz alta, impedindo que ele avistasse o grupo. Oliveira teria chegado a dar sinal para que a luz fosse abaixada, mas não obteve sucesso. Freou o carro, jogou para a lateral, mas não teria conseguido evitar o atropelamento.

De acordo com Fernando e outras testemunhas, o condutor do carro teria ido embora sem prestar socorro às vítimas. Uma rádio FM da cidade veiculou, ontem, que Oliveira não teria parado por medo de ser linchado, utilizando o primeiro orelhão que encontrou para solicitar socorro e apresentando-se na delegacia em seguida. O boletim de ocorrência registrado no 2.º Distrito Policial não contém essas informações, de acordo com o delegado José Henrique Gomes dos Santos.

O protesto

Moradores das imediações fizeram uma barricada com pneus e madeiras, ontem à noite, em protesto às condições do local - falta de iluminação, calçada e lombada. Eles estavam revoltados porque os problemas seriam constantes ali. O tenente Jorge Luís Dias, da 4.ª Companhia da Polícia Militar, confirmou que a rua Alberto Paulovich é mesmo problemática, embora não tivesse um levantamento pronto sobre os acidentes registrados no local.

Ele disse, ainda, que o local é um dos pontos mais sujeitos da cidade a passar por fiscalizações constantes, que serão feitas com a utilização de um radar móvel fornecido pela Emdurb. O presidente da empresa, Joaquim Madureira, afirmou que no próximo dia 8 o equipamento já estará disponível para que a corporação decida os locais prioritários. A via estará devidamente sinalizada.

Sobre a possibilidade de colocação de uma lombada, ela foi descartada, porque os engenheiros constataram que a inclinação da rua - superior a 8% - impede a construção de obstáculos no local. A lombada, segundo Madureira, seria uma potencial causadora de acidentes. "Além disso, o Código de Trânsito Brasileiro determina uma inclinação de até 6% para colocação de lombadas", explicou.

O comerciante Nélson Rosalin, proprietário de um bar próximo ao local do acidente, disse que chegaram a ser colocadas placas com o limite de 30km/h e sinalização no solo, com a palavra "devagar", mas os motoristas continuariam desrespeitando o limite. "Tem gente que passa a uns 120km/h. O problema é que aqui passa muita criança. De dia a gente ainda orienta, mas de noite não dá", disse, indignado.

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