Hipertensão atinge 20% a 30% da população
Texto: Leticia de Castro/AE
Cerca de 16 mil postos de saúde no Brasil participaram da campanha de prevenção à doença, que verificou a pressão e orientou de graça a população
Apesar de simples e de fácil tratamento, a hipertensão pode causar danos irreparáveis ao organismo humano. A doença pode trazer conseqüências como um derrame cerebral, infarto e insuficiências cardíaca e renal, além de alterações no olho. Na última quinta-feira, foi comemorado o Dia Nacional de Combate à Hipertensão, com várias campanhas em todo o País.
A hipertensão é o que se chama normalmente de pressão alta. Segundo o médico Carlos Alberto Machado, diretor-médico da Associação Paulista de Assistência ao Hipertenso e vice-presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, a pressão é considerada alta quando está acima de 14/9 mm de mercúrio. Qualquer valor abaixo desse é considerado normal.
Verificar a pressão é fácil: qualquer farmácia ou posto de saúde possui o aparelho necessário para a medição. "O ideal é que cada pessoa verifique a pressão pelo menos duas vezes ao ano'', diz. Machado também recomenda que a pessoa tome alguns cuidados antes de fazer o exame. É preciso estar em repouso por pelo menos cinco minutos, com a bexiga vazia e não ter tomado nada excitante, como café.
A principal causa da hipertensão é a predisposição genética. Se você tem familiares hipertensos, saiba que é forte candidato a desenvolver o problema. Somam-se a esse fator outras causas externas, como excesso de sal na comida, excesso de peso, consumo alto de bebidas alcoólicas, sedentarismo, estresse e cigarro. Colesterol alto e diabetes também são considerados agravantes.
Para tratar a doença, o primeiro passo é mudar alguns hábitos: diminuir o sal, emagrecer, beber menos álcool, fazer exercícios regularmente e parar de fumar. Em alguns casos, é preciso também usar remédios.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que de 20% a 30% da população mundial adulta seja hipertensa. Ainda de acordo com a OMS, 6% da população de 3 a 19 anos sofre de hipertensão. Na faixa de 20 a 49, o número sobe para 39%. Acima de 60 anos, 50% da população tem o problema.
Campanhas
Durante toda a semana, várias entidades do País desenvolveram campanhas de prevenção à doença. Equipes de médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e nutricionistas deram plantão em praças, shoppings e postos de saúde para verificar de graça a pressão e orientar as pessoas sobre os riscos da doença e melhores formas de combate. No País, foram pelo menos 16 mil postos participando da campanha, coordenada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), com a participação das sociedades de nefrologia e hipertensão e a Associação de Pacientes Hipertensos e total apoio do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais da Saúde.
"Trata-se de uma doença que mata, embora não apresente sintomas no seu início , diz Ari Timmerman, presidente da SBC e do Funcor, Fundo de Aperfeiçoamento e Pesquisa em Cardiologia.
Números da hipertensão
* 13 milhões de brasileiros sofrem de pressão alta;
* 2,7 milhões apenas estão em tratamento;
* 500 milhões é o total de hipertensos no mundo;
* 85% dos que sofrem derrame apresentam hipertensão associada;
* 40% a 60% dos que sofrem infarto do miocárdio têm hipertensão;
* 34% de todas as mortes estão associadas à pressão alta;
* 17% dos gastos do SUS se devem a esta doença;
* 24% das aposentadorias por invalidez são devidas à hipertensão.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia - Funcor