Geral

Sem-terra

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 2 min

MST organiza sequência de protestos

Texto: Josefa Cunha

Na última sexta-feira, integrantes do movimento ocuparam a Câmara Municipal de Pirajuí, durante protesto pacífico

A coordenação do Movimento Sem Terra (MST) iniciou, na última sexta-feira, um novo calendário de protestos na região. O primeiro manifesto ocorreu no centro de Pirajuí e culminou com a ocupação pacífica da Câmara Municipal da cidade, local onde os sem-terra elaboraram um documento reivindicatório endereçado ao Incra e ao Ministério da Justiça. No sábado, os integrantes do movimento iriam desenvolver atividades no município de Promissão. O novo cronograma de ações é uma resposta do MST, através de seu núcleo que coordena as atividades no interior paulista, às medidas anunciadas pelo Governo Federal para conter a onda de protestos promovida pelo Movimento na semana passada, que foi pontuada por invasões a prédios públicos em várias partes do País.

Adailton Manoel da Silva, membro da coordenação do MST na região de Bauru, explicou que o cronograma inclui protestos em todos os municípios onde há trabalhadores acampados - Cabrália Paulista, Cafelândia, Gália, Guarantã e Jaú. As atividades têm três objetivos: conseguir que o Incra vistorie e liste novas terras improdutivas, pressionar a expedição dos certificados de posse das glebas já desapropriadas pelo governo e exigir a libertação de 15 membros do MST detidos em São Paulo por conta dos protestos realizados durante a última semana. Em todo o país, o MST deverá estar adotando a mesma estratégia de ação, sendo que está mantida a ordem de prosseguir, se necessário, com as ocupações de prédios públicos.

Silva não descarta invasões na região de Bauru, uma vez que o propósito é recrudescer proporcionalmente

às ações do governo. "O presidente Fernando Henrique sempre teve vontade de usar a força do Exército contra nós, mas até então não demonstrava isso publicamente. Agora que ele percebeu que não tem o controle da situação, partiu para essas ameaças. Nós temos a dizer que radicalizaremos na medida em que ele radicalizar e, sob hipótese alguma, iremos recuar nas ocupações e protestos. Estamos na luta há anos e o governo continua tentando acabar com a reforma agrária, através do sucateamento do Incra. Não vamos mais aceitar a perda de companheiros e, se preciso for, partiremos para o conflito". E o coordenador do MST completa: "O triste de toda essa história é que o governo joga a sociedade contra os trabalhadores sem-terra, enquanto a responsabilidade sobre toda nossa situação só depende dele", comentou.

A indignação maior do MST deve-se à demora nos processos de assentamento, e esse inconformismo se justifica, segundo a coordenação do movimento: segundo essas lideranças, só na região de Bauru, mais de uma centena de famílias já poderiam estar assentadas, se houvesse agilidade na expedição dos certificados de posse. Três grandes áreas - fazendas Pasto de Zinco, Pasto de Planalto e Santo Antônio - já foram desapropriadas pelo Governo Federal, o que, em tese, seria a principal condição para que ocorresse a ocupação legal e definitiva.

Comentários

Comentários