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Adriana Rota
| Tempo de leitura: 4 min

Fiéis despedem-se da imagem peregrina

Texto: Adriana Rota

Nem o sol escaldante da tarde de ontem impediu que uma multidão de fiéis comparecesse ao Santuário Nossa Senhora de Fátima (Altos da Cidade) para participar da Missa dos Doentes e desse o adeus para a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que seguiu para São Paulo por volta das 21h30 horas, após a celebração de mais uma missa e um cortejo de despedida até a Praça da Paz

(Jardim Panorama).

Estimativas da Polícia Militar dão conta de que cinco mil fiéis estavam presentes, lotando a igreja e toda a praça a seu redor. O trânsito na região do Altos da Cidade estava intenso, e era difícil conseguir uma vaga para estacionamento. O comércio de flores artificiais, artigos religiosos, alimentos e até enfeites para a casa também foi marcante nas últimas horas da visita em Bauru.

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) estava com um posto montado para fornecer água potável para os fiéis. De acordo com os agentes de controle de materiais José Oziris do Amaral e Luiz Antônio Corrêa da Cruz, no entanto, a procura foi menor do que se esperava. A previsão era de que pelo menos 200 litros fossem consumidos até o final da Missa dos Doentes.

Cerca de 50 colaboradores do Santuário, dentre ministros, catequistas e fiéis, cuidavam da organização do evento. No momento da Comunhão, bandeirolas brancas indicavam onde os presentes poderiam receber suas hóstias, enquanto três padres o faziam próximos ao altar.

Policiais civis e militares acompanhavam a movimentação dos fiéis. Nas duas ambulâncias estacionadas no local

- uma da Unimed e outra da Prefeitura - a maior parte dos registros era de alteração de pressão arterial, especialmente em idosos. Mais do que o calor e a aglomeração, a emoção estaria sendo a maior "vilã" para os pacientes.

Foi o caso de Yolanda Lourenço Mendes Caetano, que mesmo sentada numa ambulância - ambiente habitualmente dos menos hospitaleiros - parecia estar em estado de graça pela oportunidade de comparecer ao evento para o qual dava a maior importância. Indagada sobre a sua ligação com a Santa, ela não hesitou. "Ninguém é igual a mim: fecho os olhos e só fico pensando nela", disse, em companhia do marido Theodoro.

Para proteger-se do sol valia tudo: bolsas, sombrinhas, dentre outros acessórios. O cansaço, a idade avançada ou os problemas de locomoção eram resolvidos pelas cadeiras, muitas delas levadas pelos próprios fiéis. Maria Gonçalves, 81 anos, acompanhava a missa do lado de fora. Mesmo ouvindo com dificuldade, mostrava estar realizada por poder ficar relativamente perto da imagem (a artrose não permitia aproximação maior).

E se o nome pode de alguma maneira influenciar na obtenção de uma graça, o aposentado Jesus Francisco Camargo é um dos primeiros da fila. Carregando nos braços sua neta Thacila, de 11 anos, que cria desde bebê ao lado da esposa Lindalva, ele disse pedir saúde para a garota, portadora de problemas de coordenação motora causados por atraso no parto. O segredo para manter o espírito de luta, diante das adversidades, segundo ele, "é Deus".

O aposentado Jordão Santana, que se deslocou sozinho da Pousada da Esperança I até o Santuário, contou com lágrimas nos olhos e munido de terços no pescoço e nas mãos sobre a morte de sua mãe, na última terça-feira. "Estava fazendo orações para ela ficar boa, mas ela acabou morrendo enquanto dormia. Ela não ficou boa, mas se salvou, subiu para o céu", disse, humildemente.

O casal Aparecida e João Batista Britto estava presente para pedir a melhora na saúde do filho Luiz Eduardo, que aos 29 anos ainda sofre convulsões e desmaios decorrentes de uma lesão cerebral causada por falta de oxigênio no momento do parto. O rapaz estava ansioso, queria de qualquer maneira entrar na igreja, lotada.

O autônomo Adelmo Vieira França, acometido por uma síndrome provocada por problemas hereditários que causaram deformações em suas mãos e pés, acompanhava a missa sentado do lado de fora do Santuário. Vindo de Lençóis Paulista, ele disse ter ido até a Santa para pedir emprego e melhores condições de vida para os brasileiros. Indagado se não tinha algum pedido mais pessoal, ele surpreendeu: "Peço força para continuar vivendo até 2500, pelo menos. Apesar de a vida ser difícil, é importante estar participando dela", ensinou.

Após a missa das 15 horas, a imagem permaneceu algum tempo no Santuário até ser levada à Praça Portugal, para onde a missa final foi transferida de forma que todos os fiéis pudessem participar - a PM calculou que oito mil estivessem no local. Em seguida, a imagem passou pela Praça da Paz, de onde seguiu via terrestre para São Paulo.

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