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Autuação

Adriana Rota
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Falta de cinto denuncia uso de documento e identidade falsos

Texto: Adriana Rota

O funcionário de um depósito de madeiras localizado no Parque Paraíso, foi detido durante um bloqueio da Polícia Militar de Trânsito, realizado ontem de manhã na quadra 15 da avenida Duque de Caxias. A falta de um cinto de segurança no caminhão que conduzia levou os policiais a constatarem a utilização de uma carteira de identidade e outra, de habilitação, falsificadas, no nome de outra pessoa. Seu patrão foi indiciado como co-autor do crime. Ambos conseguiram alvará de soltura.

Além da falta de cinto, que resultou na retenção do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV), também foi constatado que a data de validade da CNH havia vencido em janeiro último, o que obriga seu recolhimento.

Os policiais desconfiaram que algo estava errado quando o motorista assinou o seu suposto nome com a grafia errada: "Sidinei"

(Campos), ao invés do "Sidney" que constava nos documentos apresentados. Como uma espécie de teste, indagaram se o motorista estava utilizando óculos ou lente corretiva como pedia a CNH. Ele afirmou que não, porque ficava com dor de cabeça.

Verificou-se, então, que se tratava de um xerox do documento de um ex-funcionário da mesma firma. Os originais, de acordo com o motorista, cujo nome verdadeiro é João Varela, estariam na sua residência, localizada no próprio local de trabalho.

O veículo foi liberado para uma pessoa que se comprometeu a voltar e levar os documentos. Devido à demora (2h30), os policiais Santos e Rossi solicitaram que ele fizesse contato. A resposta teria sido que fossem até lá, porque os documentos não estavam sendo encontrados. Mais tarde, o patrão de Varela, Tomaz Hirata, optou por contar o que havia ocorrido.

Ele compareceu ao DP acompanhado de seu advogado. Seu filho, Akio, disse à reportagem que o funcionário havia perdido todos os documentos em outro Estado e, por condições financeiras insuficientes, não teria podido voltar para tirar outros. Akio questionou o tratamento dado para o caso, afirmando que não era preciso terem sido colocadas algemas nos acusados, a presença de tantos policiais e a demora - eles teriam chegado no DP às 12 horas, e já eram 17. "Sei que não justifica o erro, mas nós geramos empregos, pagamos impostos. Eles foram tratados como bandidos", protestou.

Varela seria funcionário do depósito há 12 anos e a situação só teria sido criada porque ele é pai de família. O delegado-titular do 3.º DP, João José Dutra, disse não enxergar essa situação como dolosa, mas uma tentativa de driblar a fiscalização. No entanto, o uso de documento e identidade falsos constituem crime, pelo qual funcionário e patrão responderão, como autor e co-autor, respectivamente. No início da noite de ontem, os acusados conseguiram um alvará de soltura.

Os documentos estariam sendo utilizados somente desde janeiro deste ano, mas o verdadeiro Sidney afirmou ter saído da firma em fevereiro de 1999. Ele acredita que pode tê-los deixado no porta-luvas, quando desapareceram. Num primeiro momento, foram dados como perdidos.

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