Secretário do Meio Ambiente entrega pedido de demissão
Texto: Daniela Bochembuzo
Apesar de considerar sua função gratificante, José Ricardo Gracia, secretário municipal do Meio Ambiente, resolveu entregar sua carta de demissão a Nilson Costa
(PPS). O documento foi apresentado no dia 24 de abril, mas até o momento o prefeito não analisou a questão.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, Gracia não pediu demissão, mas colocou o cargo à disposição, como outros secretários já o fizeram. Por essa razão, o prefeito irá analisar a questão sem "correria ou desespero", como informou a assessoria.
Gracia, no entanto, diz que Nilson Costa se comprometeu a considerar seu pedido dentro de pouco tempo. "Meu trabalho é bastante gratificante mas, como secretário, minha formação técnica fica diluída. Gostaria de voltar a atuar na área de arborização, onde sou concursado pela Prefeitura", explica.
O secretário do Meio Ambiente garante que sua saída não se deve à insatisfação pessoal ou por pressões externas, mas pelo desejo de retomar projetos profissionais anteriores à função que ocupa hoje.
Gracia declara que cogitou apresentar seu pedido de demissão em dezembro de 1999, mas pela ausência de dois profissionais das principais departamentos da Secretária Municipal do Meio Ambiente (Semma), decidiu protelar para abril deste ano.
"Seria uma covardia se saísse da secretaria naquela
época. Neste momento, a Semma está tecnicamente redonda, ou seja, há um quadro profissional bastante competente, o que me permite sair do cargo", afirma.
Como funcionário da Prefeitura, Gracia tem planos de iniciar estudos para a implantação de um plano diretor de arborização na cidade. "É um projeto antigo e o momento é propício para colocá-lo em prática", avalia.
José Ricardo Gracia já foi secretário de Obras durante o primeiro governo de Izzo Filho, entre agosto e dezembro de 1988. Em 1989, assumiu a Semma, onde permaneceu até 1992. Em 1997 retornou à pasta, onde está até hoje.
Insatisfação
Nos bastidores políticos, a saída de José Ricardo Gracia é entendida como estratégica, visto que ele é o último secretário oriundo da gestão de Izzo Filho. Para alguns analistas, o fato poderia ser utilizado como arma de campanha contra a reeleição de Nilson Costa.
Já para muitos ambientalistas bauruenses ouvidos pela reportagem, a saída de Gracia atende a um pedido antigo da classe. Eles avaliam que o secretário tem tomado poucas medidas efetivas frente à Semma.
Canteiros de vias públicas e praças abandonados, várias sindicâncias abertas dentro da Prefeitura contra Gracia e a demora em apresentar o Código Ambiental Municipal e a Lei de Arborização à Câmara Municipal são apontadas como causas da insatisfação dos ambientalistas com o atual secretário do Meio Ambiente.
Rodrigo Agostinho, membro do Instituto Ambiental Vidágua,
é um dos insatisfeitos com a atuação de Gracia.
"Enquanto secretário, ele cometeu muitos abusos, como a autorização de corte de árvores em praças sem abertura de processo administrativo. É uma ingerência muito grande", afirma.
Para o ambientalista, o cargo deve ser ocupado por um profissional mais técnico e menos ligado a questões políticas. Do outro lado, Gracia nega que tenha um perfil político.
"Não tenho sede de poder e não tenho visão imediatista. Sempre tentei pensar no futuro", garante o secretário do Meio Ambiente.