Febem de Bauru tem nova coordenadora
Texto: Adriana Rota
A assistente social bauruense Irma Slaghenaufi é a nova coordenadora do posto de Bauru da Divisão de Medidas em Meio Aberto - Interior, organismo vinculado à Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), órgão da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado. Irma, até então coordenadora em Sorocaba (SP), substitui Therezinha Cintra, transferida para Campinas (SP).
Funcionária da Febem há mais de 14 anos, Irma esteve nos últimos quatro à frente da coordenação do posto de Sorocaba, a terceira maior região administrativa do Estado, abrangendo 80 municípios. Segundo informou, implantou e implementou nessa cidade um trabalho com o adolescente em conflito com a Lei em consonância com o que apregoa o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
No posto de Bauru, sua proposta é estreitar os laços de parceria com universidades, clubes de serviços, conselhos, iniciativa privada, prefeituras, secretarias, divisões estaduais, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), dentre outros, atendendo aos juízes e promotores das Varas da Infância e da Juventude em cumprimento ao ECA.
A unidade local, que abrange 16 comarcas, compreendendo 41 municípios, continua tendo como objetivo prioritário atender adolescentes que cometeram delitos e foram inseridos em medidas socioeducativas de liberdade assistida, bem como os familiares daqueles internados nas unidades da Febem da Capital.
Quanto às dificuldades, Irma disse estar passando por uma espécie de "estágio" com Therezinha desde o último dia 2, quando foi publicada a portaria que determinou a mudança - ocorrida, segundo as entrevistadas, não por alterações estruturais do órgão, mas por motivos pessoais: ambas aguardavam vagas.
A adaptação, na sua opinião, é necessária porque as realidades das duas cidades são muito distintas.
"Sorocaba é próxima a São Paulo, Campinas e Jundiaí, locais onde são grandes os índices de adolescentes em conflito com a Lei. Os problemas, no entanto, são os mesmos, como a falta de programas específicos para esse pessoal. Um trabalho maior de prevenção evitaria tantos problemas", afirmou. Irma disse, ainda, estar orgulhosa por ocupar o cargo de Therezinha, classificada como
"uma mestra, pessoa conceituada, idônea e comprometida profissionalmente".
Currículo
Formada em 1983 pela Faculdade de Serviço Social de Bauru, da Instituição Toledo de Ensino (ITE), pós-graduada em Administração e Supervisão em Serviço Social pela ITE/Pontifícia Universidade Católica
(PUC) de São Paulo e em Violência Doméstica Contra a Criança e o Adolescente pela Universidade de São Paulo (USP), Irma já trabalhou no Sistema Penitenciário e foi professora universitária da Faculdade de Serviço Social de Botucatu (Unifac).
Ex-coordenadora agradece apoio
Therezinha Cintra, coordenadora que esteve à frente da Febem/Bauru nos últimos quatro anos e, agora, está de mudança para sua cidade de origem (Campinas), fez questão de agradecer à comunidade da região em geral, conselhos tutelares, entidades assistenciais, imprensa, dentre outros, que a teriam apoiado durante todo o período em que esteve na cidade, ocupando também outros cargos públicos.
No seu entendimento, o "trabalho complicado" rendeu bons frutos, como a implantação de uma unidade em Bauru, que, embora polêmica, deve propiciar melhores condições de vida e de recuperação para o jovem e sua família, já que ele será mantido em sua comunidade, evitando o contato com perfis diferenciados. Atualmente, segundo Therezinha, a média de menores nas unidades da Febem da Capital oscila entre 40 e 42.
Ela disse estar angustiada com o impasse criado pela necessidade da feitura de nova licitação para a unidade de Bauru, já que a empresa ganhadora da licitação - CMK, de São Paulo - pediu concordata e as demais que participaram da concorrência não se interessaram em dar continuidade
às obras. "É mais esse tempo que o menino de Bauru estará ficando em São Paulo no meio de gente tão diferente dele", disse.
A ex-coordenadora da Febem/Bauru acredita que o espírito de solidariedade da sociedade tem sido relevante, mas que ainda existe uma "dívida" com os menores de oito a 16 anos de idade. "Faltam programas de esporte, lazer, pré-profissionalizantes, apoio às famílias. Em Bauru existem alguns, mas são insuficientes. Seria preciso que houvesse, pelo menos, um em cada região administrativa", opinou.
Otimista, ela disse esperar viver o suficiente para ver esse e outros sonhos, como a criação de um "disque-proteção para a criança e o adolescente", realizados. Esse serviço teria seus números afixados em telefones públicos, para que qualquer pessoa pudesse atuar evitando que os menores ficassem na rua.