Dengue pode estar se alastrando pela cidade
Ontem, foram registrados mais nove casos de dengue. Agora, são 25 desde o início do ano
A epidemia de dengue está se ampliando na região Vila Santa Luzia, Núcleo Beija-Flor, Núcleo Mary Dota e bairros próximos e pode estar se alastrando pelos demais setores da cidade. Ontem, foram confirmados, pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), mais nove casos da doença, todos autóctones, isto é, de contaminação no próprio município. Seis são da área de maior infestação, ou seja, a região da Vila Santa Luzia.
Os outros três são respectivamente do Parque Vista Alegre, Jardim Nasralla e Vila Lemos. O Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da SMS responsável pela vigilância epidemiológica, já efetuou a busca ativa, isto é, o levantamento de novos casos suspeitos, em toda a vizinhança das residências dos pacientes. Também providenciou a eliminação dos criadouros em potencial do inseto transmissor, o mosquito Aedes aegypti, nas mesmas áreas.
"Os casos confirmados são de setores completamente diferentes da cidade, o que pode iniciar a disseminação dos focos, até agora concentrados na região da Vila Santa Luzia e bairros próximos", assinala a diretora do Departamento de Saúde Coletiva, Maria Helena Abreu. Ela acredita que está ocorrendo exatamente o que se temia, por causa do alto índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, em toda a cidade.
Além disso, as pessoas não param de se locomover
- nos seis primeiros dias de contaminação, a pessoa vive o período de maior transmissibilidade da doença, e pode ser picada pelo mosquito, começando aí a proliferação do vírus. Abreu também nega que o mosquito transmissor seja eliminado pela queda da temperatura:
"Os ovos resistem ao frio, e eclodem tão logo a temperatura suba novamente".
Com os novos resultados, Bauru tem 33 casos de dengue confirmados desde o início do ano. Há 25 casos autóctones, a maioria na região nordeste, e oito importados. Existem 19 exames aguardando resultados, a maior parte da região nordeste.
Risco de hemorrágica
Maria Helena Abreu demonstra preocupação com o comportamento da população da região do Mary Dota. Apesar da presença constante dos agentes do DSC, é alto o número de criadouros do mosquito na área. E isso, segundo a médica, é potencialmente perigoso. Ela lembra que no ano passado, muitos casos de dengue - outra epidemia
- foram registrados no núcleo Mary Dota.
As pessoas infectadas na época podem se contaminar novamente, agora, e com isso contrair a forma mais grave da dengue, a hemorrágica, que pode levar à morte.
Outro novo apelo de Abreu é dirigido aos profissionais de saúde que atendem a população da região do Mary Dota. A qualquer sintoma de virose - febre, dor de cabeça e dores no corpo, sem qualquer sinal de infecção no nariz, garganta, ouvido ou sem tosse - deve ser pedida investigação clínica do caso, orienta a médica. E as pessoas com suspeita de dengue, ou seja, as que aguardam exames clínicos, devem sair de casa o mínimo possível, nos primeiros seis dias das manifestações da dengue.