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Gasoduto

Por Douglas Braz | Esepcial
| Tempo de leitura: 7 min

Preço do gás pode gerar disputa em SP

Texto: Douglas Braz / especial para o Jornal da Cidade

Diferença de preços entre o gás boliviano e o brasileiro deve gerar concorrência entre distribuidoras, no Interior do Estado

A diferença do preço do gás natural boliviano, que será distribuído na região noroeste do Estado de São Paulo, e do gás brasileiro, que abastece a área sob concessão da Comgás, pode gerar uma concorrência interna no Estado de São Paulo. Atualmente, o gás boliviano é 42% mais caro do que o brasileiro.

O diretor de operações da Gás Brasiliano, Luigi Cuviello, abordou esse aspecto durante sua participação no I Ciclo de Debates promovido pelo jornal Tribuna Impressa, de Araraquara. Ele foi um dos três debatedores do painel sobre "Gasoduto". A empresa Gás Brasiliano é a concessionária responsável pela distribuição de gás

natural na Área Noroeste do Estado, onde Araraquara está inserida.

"Do ponto de vista do preço, nós teríamos que fazer um mix entre gás natural e gás importado, de forma que todas as concessionárias tenham as mesmas condições. O risco é que, por exemplo, a

Área Noroeste tenha um preço mais alto do que a Comgás. Realmente, isso pode gerar uma guerra, porque é uma discriminação indevida", afirmou Cuviello.

Apesar do Governo Federal estabelecer um teto para o gás distribuído em território nacional, não existem regras claras quanto à concorrência. Para o ex-diretor de operações da Comgás e consultor da Engevix, Emílio Brunoro, será preciso fazer pressão junto às autoridades federais para equalizar o preço final do gás natural aos consumidores.

Três componentes vão estabelecer o preço final do gás vendido na Área Noroeste. O primeiro é o valor pago pelo produto na Bolívia, US$ 2,75 MM/BTU. O gás brasileiro custa R$ 1,94 MM/BTU. O segundo componente

é o custo do transporte do gás da Bolívia até os citygates da Área Noroeste. O terceiro é a margem de lucro da empresa. A margem é o único componente fixo, regulamentado pela Comissão de Serviços Públicos de Energia (CSPE) do Estado de São Paulo e variável de acordo com a faixa de consumo. "As outras duas componentes não estão regulamentadas. Estamos tentando negociar preços mais convenientes para os nossos consumidores, para podermos ampliar o mercado", disse Cuviello. De acordo com o diretor da Gas Brasiliano, a implantação do gás natural na Área Noroeste ainda é viável, considerando o preço mais alto do produto boliviano. "Vai exigir mais esforços. O desenvolvimento dessa matriz energética seria muito mais rápido através do mix de preço". Segundo o diretor de operações da Gas Brasiliano, a concessionária já tem os projetos de redes de distribuição. Serão 240 quilômetros de redes que devem ser implantados a um ritmo de 1,2 quilômetro por dia. Os trabalhos devem começar tão logo os

órgãos concedentes do Estado aprovem os projetos. Cuviello acredita que isso deva acontecer ainda este ano.

Evento debateu potencial da região de Araraquara

Texto: Antonio Schiaveto / especial para o Jornal da Cidade

O Interior de São Paulo, responsável por cerca de um terço do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, vive um momento bastante favorável pelo vigor de sua economia, tem grandes potencialidades a explorar e o município de Araraquara, especificamente, reúne uma série de pré-condições para alavancar ainda mais o seu desenvolvimento. Sobre isso, o secretário de Economia e Planejamento do Estado, André Franco Montoro Filho, informou que

recente pesquisa da Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas - indicou que, enquanto o PIB paulista registrou um crescimento de 2,5%, Araraquara cresceu 3,89%.

Essas são as principais conclusões do I Ciclo de Debates promovido pelo jornal Tribuna Impressa, de Araraquara, sobre as potencialidades da região, realizado na última quinta-feira, no auditório da Uniara, onde se reuniram figuras de peso do cenário político e econômico estadual e nacional, mobilizando as mais expressivas lideranças empresariais, político-administrativas e universitárias da cidade.

Estiveram presentes, entre outros, os secretários estaduais, José Aníbal Peres de Pontes; de Ciência e Tecnologia, e André Franco Montoro Filho, de Economia e Planejamento; o deputado federal Marcelo Barbieri; o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e ex-diretor da Camex, José Roberto Mendonça de Barros; os secretários municipais de Desenvolvimento Econômico, Feiz Mattar, e da Saúde, Regina Barbieri.

Abertura e encerramento

O encontro foi aberto pelo diretor geral do jornal Tribuna Impressa, Antonio Carlos Pereira de Almeida, lembrando que um dos mais importantes papéis de um jornal é ser um fórum de debates sobre assuntos de interesse da comunidade.

No encerramento, o diretor-geral do jornal agradeceu a todos pela receptividade que essa iniciativa mereceu de toda a cidade, e salientou que, com o evento, "estamos apenas iniciando um trabalho com este primeiro passo, os próximos passos deverão ser delineados pela nossa Secretaria de Desenvolvimento Econômico, contando sempre com o apoio irrestrito dA Tribuna".

As últimas palavras do encontro foram do jornalista Carlos Nascimento, que afirmou ser o Interior "um estado de espírito", e que o do São Paulo vive um momento particularmente favorável, apesar dos problemas que a grande imprensa vem mostrando, na sua opinião com certo exagero, como processos contra dezenas de prefeitos, ligações com o narcotráfico, aumento da violência e outros. Mas ressaltou que existem condições para alavancar o desenvolvimento, desde que sejam tomadas iniciativas nessa direção, dentre as quais está a dA Tribuna, ao promover o ciclo de debates. E, mesmo ressalvando os políticos presentes, cobrou uma melhor representatividade do interior na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal, lembrando que sempre que a mídia aborda questões de interesse do País, os representantes do Interior não são procurados para se manifestar.

Agricultura deve apostar no mercado interno

Texto: Adriana Silva / especial para o Jornal da Cidade

A crítica realidade da agricultura regional, reiterada pelo diretor de Citricultura da Sociedade Rural Brasileira, Júlio César de Queiróz, e pelo sócio-diretor da Usina Santa Cruz, Maurício Ometto, contrasta com a projeção de uma retomada do crescimento econômico do país, de forma sustentada, apresentada pelo ex-secretário de Política Econômica do governo FHC, José Roberto Mendonça de Barros, durante o painel sobre "Agribusiness", no I Ciclo de Debates Tribuna Impressa Sobre o Desenvolvimento das Potencialidades da Região de Araraquara.

A discussão foi abrangente ao envolver a evolução de todos os setores agrícolas durante os últimos anos, mas não resultou em propostas alternativas e imediatas para os setores sucroalcooleiro e citrícola - principais culturas da região -, com exceção do desafio proposto por Júlio César de Queiróz: a criação de uma política municipal de incentivo ao consumo da laranja.

Enquanto Mendonça de Barros enfatizou que a maioria das culturas agrícolas atingiu um crescimento anual de 30% desde 1997, Queiróz lembrou que a falta de uma política de incentivos significou um excedente de 60 milhões de caixas de laranja na última safra, apesar do

setor citrícola representar 35% do PIB nacional.

O diretor da Sociedade Rural defendeu que a produção de laranja seja destinada ao mercado interno. Esta seria a saída imediata para a crise do setor citrícola: "A solução não é simples e depende de uma pacto de vontade. Temos que envolver nossos parceiros numa campanha pelo mercado interno, para evitar que 80, 100 milhões de caixas de laranja acabem no lixão este ano", frisou.

Baseado também na exposição de Mendonça de Barros, mostrando que o país tem o menor custo na produção de açúcar e álcool e, por isso, é o mais competitivo no mercado internacional, Maurício Ometto cobrou uma política de energia que defina a posição do álcool e uma ação do governo brasileiro contra a barreira protecionista do mercado exterior. Ele defendeu, ainda, uma movimentação na base das regiões produtoras.

Um dos principais argumentos utilizados por Ometto, nesse sentido, foi a importância social do setor sucroalcooleiro, além de também representar a possibilidade de reforçar a posição do Brasil como país exportador e produzir a melhor opção de combustível renovado. Segundo ele, o setor gera um milhão de empregos diretos no País - desse total, 600 mil no Estado de São Paulo e aproximadamente 15 mil na região de Araraquara.

O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Luiz Suplicy Hafers, cumpriu quase que fielmente o papel de moderador do painel. Dizendo-se um otimista incorrigível, mostrou satisfação com os números apresentados por Mendonça de Barros. Mas, na maioria das vezes, Hafers defendeu que o governo seja dispensado desse papel. Ele propôs que as soluções

à crise atual sejam criadas pelos próprios setores agrícolas.

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