Geral

Greve dos professores

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Contratação de substitutos ameaça greve de professores

Texto: Ieda Rodrigues

A secretária estadual de Educação, Rose Neubauer, determinou às Diretorias de Ensino que contratem professores substitutos para dar aula no lugar dos profissionais em greve. Apesar da determinação de Neubauer, que é uma ameaça à greve, cerca de 400 professores e diretores de Bauru e região, em assembléia realizada ontem

à tarde em frente à Câmara Municipal, decidiram pela continuidade do movimento.

A dirigente regional de ensino de Bauru, Edinéa Sita Cucci, disse que, talvez hoje, já decida iniciar o processo de contratação, se os professores não retomarem as aulas. Os profissionais do Magistério reivindicam 54% de reajuste salarial e iniciaram a greve no último dia 4. Até ontem, a proposta da Secretaria de Educação era de reajuste zero.

Duílio Duka de Souza, conselheiro da Apeoesp, disse que a contratação de professores substitutos é ilegal e que o sindicato vai entrar com ação contra os diretores que, porventura, venham a cumprir a determinação da Secretaria de Educação. "A greve é um direito do professor, do diretor, e estamos nos colocando à disposição de fazer a reposição das aulas", disse.

Rose Neubauer determinou a contratação de substitutos na última quinta-feira, durante uma reunião de dirigentes de ensino, em São Paulo. Ontem, a Secretaria de Educação voltou a cobrar da Diretoria de Ensino de Bauru a aplicação da medida contra a greve.

No entanto, até ontem, a dirigente de ensino estava aguardando um posicionamento dos professores, esperando que eles voltassem

às aulas. Edinéa explicou que a contratação de substitutos é um pouco complicada, já que cada professor terá que ser contactado pela Diretoria de Ensino. Como alguns professores já voltaram a trabalhar, a expectativa da dirigente de ensino é que o mesmo ocorra com os demais e que a contratação de substitutos não seja necessária.

A Diretoria de Ensino, segundo contou Edinéa, tem mais de dois mil professores substitutos cadastrados, que podem dar aula no lugar dos grevistas. "Como, agora, as escolas estão funcionando parcialmente, a gente não sabe se contrata ou não professores substitutos. Pode ocorrer de os substitutos trabalharem apenas alguns dias e a greve terminar", explicou ela.

Assembléia na quinta define rumos da greve

Uma assembléia estadual, marcada para começar às 14 horas da quinta-feira, em frente ao Museu de Artes de São Paulo (Masp), na Capital, vai definir os rumos da greve dos professores e diretores da rede estadual de ensino. A Apeoesp está convocando os professores de Bauru e região para participarem da assembléia e de um ato público, marcado para

às 15 horas, também em frente ao Masp, e que deve reunir outras categorias do funcionalismo público que também estão reivindicando reajuste salarial.

Duílio Duka de Souza, conselheiro da Apeoesp, espera lotar dez ônibus em Bauru com destino a São Paulo para participar da assembléia e ato público. Os interessados podem reservar lugar ligando para a Apeoesp. Os ônibus devem sair de Bauru às 7 horas. Para amanhã, está marcada uma assembléia regional, às 17 horas, em frente à Apeoesp.

Duka contou que o sindicato vai solicitar à Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e à Polícia Militar a interdição da rua no local, para a realização da assembléia. Durante a assembléia de ontem, em frente à Câmara Municipal, não foi registrado incidentes. A avenida Rodrigues Alves foi interditada durante a assembléia.

Mães reclamam da greve

A Diretoria de Ensino de Bauru não tem estimativa de quantos alunos estejam sem aula na cidade, mas já existe pais e mães reclamando da greve. Uma mãe de aluno, que preferiu não se identificar, entrou em contato com o JC ontem para dizer que, com a interrupção das aulas, as crianças perdem o ritmo no aprendizado.

Ela também reclamou que muitas mães não têm com quem deixar seus filhos, já que trabalham no horário de aula. Outra mãe, que também preferiu não ter seu nome divulgado, contou que, desde o início da greve, está passando lições para seu filho, que está cursando a 1.ª série do ensino fundamental, fazer em casa. Ela considera a greve justa, mas acha que a interrupção das aulas é prejudicial aos alunos.

Apeoesp ameaça acampar nas escolas que retomarem as aulas

A Apeoesp, como forma de tentar manter e até aumentar o

índice de adesão à greve, está ameaçando acampar em frente das escolas cujos professores ou diretores estejam retomando o trabalho ou não chegaram a aderir ao movimento. Duílio Duka de Souza, conselheiro da Apeoesp, disse que a estratégia pode ser colocada em prática já a partir de hoje.

Ele também afirmou que a Apeoesp "vai dar em cima" dos professores que porventura venham ser contratados para substituir os grevistas. "Vamos dar em cima desses professores. Isso

é ilegal e antiético, inclusive", disse. Em Jaú, segundo a Apeoesp, a Diretoria de Ensino já estaria contratando professores substitutos. Duka disse que integrantes do sindicato vão fazer uma manifestação, hoje, em frente à Diretoria de Ensino de Jaú.

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