Dois caem em golpe de ofertas irresistíveis
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Quem não gostaria de comprar um veículo Vectra, GLS, 0km, com todos os opcionais pela bagatela de R$ 24.500,00? A oferta, anunciada num jornal de circulação estadual, chamou a atenção e atraiu os menos avisados. Na
última sexta-feira, um bauruense caiu no golpe e tudo indica que perdeu o valor do carro.
A vítima, K.I.E. - só iniciais divulgadas pela polícia
-, está tentando recuperar 22.050,00, depositados como a segunda parcela do pagamento do carro. Ela já perdeu o valor do primeiro pagamento, R$ 2.4500,00, depositado no dia 3 de maio, em uma agência do Banco Bradesco da Capital. O valor foi retirado, no mesmo dia, pelos golpistas.
O golpe, segundo o delegado-titular do 3.º Distrito Policial, João José Dutra, consiste em induzir a vítima a fazer os pagamentos antes de receber o carro. Os golpistas, que devem fazer parte de uma quadrilha, são bem organizados e possuem o logotipo de empresas fabricantes de veículos timbradas em notas falsas.
O golpe, registrado no 3.º DP, começou a ser aplicado no início de maio, quando a vítima telefonou para a Capital, no número divulgado no anúncio, e foi atendido por uma pessoa que se identificou como Otávio Mendonça. "Essa pessoa ofereceu um Vectra com banco de couro, ar condicionado, direção hidráulica, roda de liga leve, alarme e computador a bordo, por R$ 24.500,00", contou o delegado.
A proposta irresistível foi aceita pela vítima que, para não perder o negócio, mandou um sinal de R$ 2.450,00. A ordem de pagamento foi feita em nome de Cláudio Cano Maciel, para uma agência do Banco Bradesco da Capital. O dinheiro foi retirado no mesmo dia.
No dia seguinte, a vítima recebeu, via fax, o recibo e a nota de reserva em papel timbrado. "Eles fazem isso para que a pessoa se convença de que o negócio é sério", explicou o delegado. Dias depois, a vítima teria que fazer o segundo pagamento para, posteriormente, receber o bem.
Após ter feito o depósito de R$ 22.050,00 para a mesma pessoa, para uma agência de São Paulo, a vítima suspeitou que algo estava errado. Procurou um advogado que contatou a fábrica. "Ele descobriu que fora vítima de um golpe. Registrou o fato na polícia e, como a retirada não havia sido feita pelos golpistas, tentou bloquear através de uma liminar. Não sei se ele conseguiu", contou o delegado.
Golpe dos pneus
Outro golpe registrado em Bauru, na última sexta-feira, usa, mais uma vez o nome da Receita Federal, segundo o delegado João Dutra. "Este golpe é aplicado nas cidades do Interior onde há delegacias da Receita Federal", avisa o delegado.
O golpista ligou para o comerciante A.M.O. - só iniciais do nome divulgadas -, de Ilha Solteira, e se identificou como sendo funcionário da Receita Federal. "Ele ofereceu um lote de 750 jogos de pneus e câmaras de bicicleta, importados, que havia sido apreendido", disse.
As mercadorias, que no mercado comum deveriam custar R$ 8 mil, estavam sendo vendidas por R$ 3 mil. O comerciante acreditou na venda e efetuou o negócio por telefone. Na última sexta-feira, o comerciante veio a Bauru com o dinheiro para fazer o pagamento e receber a mercadoria.
O primeiro encontro foi marcado em um posto de gasolina, na rodovia Marechal Rondon. Um desconhecido lhe procurou dizendo que uma pessoa chamada Romualdo, que tinha feito o contato com ele, estava numa reunião com um deputado e não pôde comparecer ao encontro.
Os dois foram até uma loja na avenida Rodrigues Alves, onde estaria a mercadoria. Outro desconhecido saiu da loja e confirmou que os pneus e câmaras estavam lá, mas que só faria a entrega com uma autorização de Romualdo.
Os dois, vítima e um dos golpistas, foram até o prédio onde Romualdo estaria em reunião. O golpista entrou no prédio e saiu em companhia de Romualdo, um homem que usava gravata. Ele pegou o dinheiro para conferir e pediu que a vítima aguardasse um minuto que a sua secretária estava datilografando a autorização. Os estelionatários entraram por uma porta e saíram pela outra. A vítima ficou aguardando a autorização, até que desconfiou do golpe e registrou o fato na polícia.
Alerta
O delegado João Dutra faz um alerta para a população:
"Não acreditem em negócios fáceis e ofertas irresistíveis, com muitas vantagens. Pode ser golpe", ressaltou. Segundo ele, os estelionatários agem em todo País e a vítima só procura a polícia depois que o fato já foi consumado, dificultando a prisão dos golpistas.
Ele aconselha as pessoas a procurarem a polícia, assim que desconfiarem de golpes. "A pretensa vítima deve
"dar corda" ao golpista e entrar em contato com a polícia, para que o estelionatário seja preso em flagrante", disse.
O delegado lembra que outros tipos de golpes são aplicados diariamente. "Os golpistas mudam o golpe. No ano passado, um comerciante de Botucatu caiu num golpe de US$ 10 mil, tentando comprar um lote de informática, apreendido pela Receita Federal. Quando ele descobriu, já tinha perdido o dinheiro", relembrou.