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Greve da Unesp

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 3 min

Alunos ocupam prédio da Unesp e pedem moradia

Texto: Fabiana Teófilo

Cerca de 40 alunos do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão acampados um prédio da Faculdade de Engenharia. Eles reivindicam a construção de apartamentos para moradia estudantil. Professores e servidores da Unesp de Bauru estão em greve por reajuste salarial, que tem apoio dos alunos, desde o dia 26 de abril.

Durante assembléia dos grevistas, realizada na manhã de ontem no câmpus, foi aprovada uma moção de apoio aos alunos que ocuparam o prédio da Faculdade de Engenharia. Os alunos vem reivindicando moradia desde 1998. No ano passado, eles conseguiram a aprovação de um auxílio-aluguel e, atualmente, 38 alunos do câmpus de Bauru recebem R$ 85,00 mensais para esse fim.

A bolsa começou a ser paga em abril deste ano, mas de acordo com o presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Engenharia, Wellington Bolgheroni Alves, os alunos carentes não têm garantia de que receberão os R$ 85,00 todos os meses. "Eles dão e tiram bolsa quando bem entendem. Não estamos seguros", afirmou.

Para ele, somente a construção dos apartamentos daria segurança para os alunos que precisam de moradia subsidiada para prosseguir os estudos. Essa luta dos alunos está entre as reivindicações da greve, deflagrada pelas três universidades estaduais - Unesp, USP e Unicamp - no dia 26 de abril.

Os estudantes apoiam os professores e funcionários pelo aumento de salários, mas exigem, também, uma posição da Reitoria para outros pontos. A moradia estudantil, de acordo com Alves, é um ponto que vem sendo discutido há muito tempo e até agora os pedidos não foram deferidos pelo Conselho Universitário.

Um estudo realizado pelo Departamento de Engenharia do câmpus de Bauru demonstrou que para a construção de dois blocos com um total de 64 vagas, numa área de 880 metros quadrados, seria necessário um investimento de R$ 308 mil.

Hoje, a partir das 9 horas, os alunos deverão se reunir para uma congregação da Faculdade de Engenharia. O objetivo é discutir a situação atual e tomar uma postura em relação ao problema.

Greve continua

Professores e servidores da Unesp reivindicam reajuste salarial de 25% de imediato, mais 7% no segundo semestre, contrapondo aos 7% propostos pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp) e o abono de 28% apenas para abril. Está marcada, para sexta-feira, uma assembléia na entrada principal do câmpus de Bauru.

De acordo com o presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) Norival Agnelli, deverá ser agendada, nos próximos dias, uma nova rodada de negociações com os reitores das três universidades, que disseram estar dispostos para uma assembléia. "Eles estão abertos às negociações e nós vamos tentar conversar mais uma vez", afirmou.

Diretoria de Ensino diz que adesão à greve é de 48%

Levantamento divulgado ontem pela Diretoria de Ensino de Bauru mostra que apenas 48% dos professores, diretores e funcionários da rede estadual das cidades sob sua jurisdição estão em greve. Para a Apeoesp, o percentual de professores parados é maior - cerca de 90% em Bauru.

Até ontem à tarde, a dirigente regional de ensino, Edinéa Sita Cucci, não havia iniciado o processo de contratação de professores substitutos, como determinou a secretária estadual de Educação, Rose Neubauer. Edinéa disse que, como parte dos professores estava voltando ao trabalho, iria aguardar a mesma posição dos demais.

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