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Greve professores

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

Confronto com PM eleva adesão à greve

Texto: Ieda Rodrigues

O confronto dos manifestantes com a Polícia Militar, anteontem em São Paulo, e que deixou feridos, revoltou os professores de Bauru. Vários profissionais, que até então estavam trabalhando, resolveram aderir à greve, segundo o Sindicato dos Professores da Rede Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Centro do Professorado Paulista (CPP) e Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo).

A dirigente regional de ensino, Edinéa Sita Cucci, que ontem fez outro balanço da greve, disse que a adesão em Bauru realmente aumentou. O CPP e a Apeoesp fizeram uma reunião pela manhã, no CPP, para comentar o confronto ocorrido em São Paulo com os professores que não haviam participado do manifesto. A Udemo fez uma reunião à tarde com o mesmo objetivo.

No final da tarde, trabalhadores das três categorias, mais professores e funcionários da Unesp, fizeram um ato público, em frente à Câmara Municipal, como forma de protestar contra a ação da PM durante o confronto em São Paulo. A greve dos professores, diretores e funcionários da rede estadual, começou no último dia 4. Eles reivindicam reajuste salarial de 54,7%.

Apeoesp, CPP e Udemo marcaram uma nova assembléia, para

às 16 horas de segunda-feira, em frente à Câmara. Duílio Duka de Souza, coordenador e diretor da Apeoesp, disse que os professores, diretores e funcionários vão levar bandeiras e cartazes e, após a assembléia, vão fazer uma passeata pelas ruas centrais de Bauru.

Duílio disse que a entidade não chegou a fazer levantamento dos professores em greve ontem, mas disse que a adesão aumentou. Levantamento feito pela Diretoria de Ensino aponta que, ontem, das 63 escolas sob sua administração - Bauru e região -, 40 estavam paradas; 13 funcionaram parcialmente e 12 funcionaram normalmente. Dos 1.759 professores da Diretoria de Ensino, 965 estavam parados; dos 61 diretores, 31 não trabalharam e dos 68 vice-diretores, 29 estavam em greve.

Unesp

Professores e funcionários do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em assembléia realizada ontem pela manhã na entrada principal do câmpus, decidiram pela manutenção da greve.

Diretoria de Ensino de Bauru não abre contratação de substitutos

Apesar de admitir que a greve está prejudicando o ano letivo, a dirigente regional de ensino, Edinéa Sita Cucci, não tem previsão para contratar professores substitutos. Ela explicou que, além de a medida ficar inviabilizada nas escolas em que os diretores e supervisores estão em greve

- responsáveis pelas contratações -, entende a situação e o direito à greve da categoria.

Edinéa disse, por enquanto, a secretária estadual de Educação, Rose Neubauer, que determinou a contratação dos substitutos, está entendendo sua posição. A dirigente de ensino também mostrou-se preocupada com a situação dos grevistas que poderão perder suas aulas caso haja a contratação de professores temporários. Ela ressaltou que são cerca de mil professores nesta situação.

Professores se revoltam com ação da PM

Texto: Fabiana Teófilo

Os professores de Bauru que participaram da manifestação dos servidores estaduais em greve, anteontem em São Paulo, se reuniram ontem na sede regional de Bauru do Centro do Professorado Paulista (CPP) para contar aos colegas como foi o confronto com a PM, que resultou em 17 feridos: dez professores, dois jornalistas e cinco policiais. Entre os professores, Duílio Duka de Souza, diretor e coordenador da subsede Bauru da Apeoesp, foi ferido por estilhaços de bomba no rosto e em um dos dedos.

Alguns dos professores disseram que vivenciaram horas de agonia. A professora de Geografia Denise Zanetti contou que perdeu a visão por mais de uma hora. Ela acredita que a causa tenha sido bombas de gás lacrimogêneo lançadas contra os grevistas.

"Meus olhos ardiam muito. Talvez tenha sido por isso que fiquei um longo período sem enxergar nada", disse.

De acordo com Denise, o confronto vivido na tarde de anteontem em São Paulo foi inesquecível. "Vivemos momentos de tensão e desespero. Nos escondemos em um buraco de um estacionamento de um banco para não sermos atingidos", contou.

Denise afirmou que mesmo depois do ocorrido, ela continua na luta e estará unida com os professores nas próximas manifestações.

"Continuo na luta e disso não desisto", afirmou.

A vice-presidente e conselheira do CPP, Neusa Aracy Costa Sampaio, disse que a posição da entidade agora é divulgar aos pais, alunos e toda a população o que ocorreu em São Paulo durante a manifestação dos professores. Os fatos, de acordo com ela, devem ser transmitidos como realmente são e não em falsas palavras declaradas pelo Governo Estadual.

"O que vivemos em São Paulo foi a colocação de um aparelho repressor em cima de professores que estavam reunidos para reivindicar um reajuste salarial, dignidade e a melhoria das escolas públicas", disse Neusa. A vice-presidente do CPP afirmou que, além do Governo não concordar com o reajuste salarial reivindicando pela categoria, ainda recebe os professores com bombas e agressões. "Esse aparelho repressor foi montado previamente para dissolver o movimento, mas nós (professores) temos o poder da palavra que é maior que o poder da arma. Somos formadores de opinião", desabafou.

Ela disse, ainda, que o objetivo de uma viagem de mais de 350 quilômetros com sete ônibus era de sensibilizar o Governo. Neusa lembrou que o governador Mário Covas foi Constituinte e, como tal, incluiu na Constituição o direito à greve. "Nós temos esse direito e não admitimos que nos tratem com repreensão e agressão. Nosso regime é democrático", disse.

Neusa fez um chamado aos profissionais que não aderiram

à greve: "Eu gostaria que essas pessoas que ainda estão trabalhando pensassem um pouco se é justo, enquanto lutamos por todos, eles continuarem em atividade como se nada estivesse acontecendo", ressaltou.

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