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Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Abrigo para menores de rua é quase certo

Texto: Sabrina Magalhães

O abrigo ficaria sob a responsabilidade de uma entidade social bauruense cujo nome ainda não foi divulgado

A questão dos meninos de rua, que tem tirado o sono de muita gente em Bauru, pode ser resolvida em breve. É que a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), em parceria com o Conselho dos Direitos da Criança, está negociando a criação de um abrigo para esses menores.

De acordo com a titular da Sebes, Sandra Scriptori, o projeto surgiu no ano passado, mas teria que ser acolhido por uma instituição e muitos grupos convidados desistiram. Agora, o projeto está sendo analisado por uma entidade social que já atua na cidade. Mas o nome do grupo só será anunciado quando o contrato for acertado e assinado por todos os envolvidos, o que deve ocorrer nos próximos dias.

A idéia do abrigo é servir de suporte para as atividades do Conselho Tutelar, que é responsável por retirar os adolescentes da rua e encaminhá-los. Inicialmente, o jovem deve ser devolvido à própria família. Mas há situações em que isso é inviável, como, por exemplo, quando há registro de maus tratos.

Neste caso, o menor seria encaminhado ao abrigo. Ali, além de um lugar para dormir e de uma refeição adequada, ele teria acesso à educação, esportes e várias outras atividades de lazer. Paralelamente, o serviço social atuaria junto à família, tentando resolver os conflitos, até que o jovem tenha condições de retornar ao lar.

Mas segundo a secretária, a criação de um abrigo é um processo difícil e complicado. Cabe ao Conselho de Direitos da Criança identificar quais são os entraves ao cumprimento desses direitos e apontar possíveis soluções. A Sebes, como poder executivo, tem que viabilizar estes projetos, traçando as diretrizes e buscando recursos. Neste caso, a entidade que adotasse o projeto elaboraria um programa de execução das metas exigidas e entraria com o espaço físico e a estrutura. O dinheiro viria do orçamento da Prefeitura e do Fundo Municipal dos Direitos da Criança, que recebe 1% do recolhimento de Imposto de Renda, conforme determina a lei.

Desafio

"O desafio é que o programa precisa ser muito bem estruturado. Além do espaço físico - que já é um problema, pois ninguém quer alugar um imóvel para este tipo de atividade -, é preciso que se tenha um quadro de pessoal muito bom, pessoas que gostem do que estão fazendo e que tenham know-how (conhecimento, experiência). Porque nós vamos estar concorrendo com vários elementos que atraem esses jovens para a rua", comenta Scriptori.

Ela lembra que, na rua, o adolescente tem total liberdade. Ali, as únicas regras que ele precisa seguir são as do seu próprio grupo, que estão todas voltadas para a sobrevivência. Fora isso, ele não tem que respeitar horários, come o que quer e ganha dinheiro fácil

(através do tráfico de drogas ou mesmo da prostituição). Essa "liberdade" faz com que o abrigo lhe pareça um lugar horrível.

"O abrigo tem regras e um dos desafios é passar isso para eles, mostrar que todas as pessoas, sem exceção, têm que respeitar os regulamentos da sociedade: a hora de comer, as filas no banco, na padaria, o semáforo fechado e tudo o mais."

Concorrência

Na opinião da titular da Sebes, Sandra Scripetori, a concorrência chega a ser desleal, "então, o abrigo tem que oferecer mais do que a rua oferece. A rua é competente em atraí-los. Nós temos que ser ainda mais competentes. Os profissionais envolvidos têm que fazer com que esse menino recupere sua auto-estima, fazer com que ele veja que tem valor, que tem potencialidades que só precisam ser desenvolvidas".

Scriptori salienta que um abrigo tem uma função completamente diferente dos internatos (do estilo Febem). Só são internos os menores que cometeram atos infracionais e são "condenados" ao regime de internato. Não se pode, portanto, obrigar o menor a permanecer no abrigo. Isso torna o trabalho ainda mais difícil "e demorado. Porque nós sabemos que os meninos que chegarem ao abrigo podem fugir e nós teremos que ir atrás deles e mandá-los de volta seguidas vezes, sempre tentando convencê-los de que ali eles estão muito mais protegidos do que na rua".

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