Informática abre espaço para jovem
Texto: Márcia Buzalaf
Os cursos profissionalizantes e os de requalificação focam sempre a informática. Por que isso? Na opinião de algumas pessoas da área de Recursos Humanos, a necessidade de desenvolver esta habilidade nos profissionais é causada pela demanda do próprio mercado. Por isso mesmo, os jovens saem à frente nesta corrida e ganham a liderança no setor de informática. Alguns deles contam aqui como começaram a transformar a curiosidade que o computador gera em profissão.
O mercado de trabalho considerado o mais promissor em todo o mundo está aos pés de uma galera que veste tênis e que usa sua própria linguagem. Os jovens são os profissionais que mais têm espaço garantido nas empresas de informática, já que tiveram mais afinidade com as regras dos microcomputadores do que grande parte dos adultos no País.
As empresas de Recursos Humanos confirmam que muito jovem está ocupando este espaço no mercado, principalmente nas lojas de manutenção de microcomputadores, nas escolas de informática e, mais recentemente, nos provedores de acesso à Internet.
Apesar do crescimento, vários jovens continuam na informalidade porque a lei trabalhista exige a idade mínima de 18 anos para o trabalho em tempo integral. Regina Maura Pereira Torres, diretora da Genesis Assessoria em RH, explica que a procura por jovens com este perfil nas empresas de seleção profissional geralmente é pequena. Sílvia Barduzzi, da empresa B.R.H, também concorda com a informação.
Os cursos profissionalizantes, como os do Senai e do Senac, também enfocam a informática e o desenvolvimento do estudante na área de automação. Regina diz que, além da ênfase dada pelos cursos profissionalizantes, todos os empregos hoje em dia - de estagiários e empresários
- exigem o domínio da informática pelo menos para o uso do microcomputador e da Internet.
Meu computador, meu ganha-pão
Os exemplos de jovens que ganharam espaço no mercado de trabalho através da informática são muitos. Alguns deles já são exemplos nacionais, mas todos buscam por um papel mais importante neste cenário tecnológico.
Web-security aos 18
Aos oito anos, ele começou a mexer em computadores e mais tarde ganhou um CP 300, modelo antigo de microcomputador. Quando tinha 12 anos, Nélio Souza Santos Filho, web-security da Travelnet, começou a trabalhar em uma papelaria, onde aprendeu a mexer com programação.
Nélio conta que, primeiramente, começou a trabalhar apenas com Clipper, mas logo depois começou a aprender outras linguagens e a aperfeiçoar seu trabalho. Nesta época, ele já tinha um 386, o que possibilitou que ele começasse a fazer trabalhos de free-lancer na instalação de programas.
Já na Travelnet, Nélio teve seu primeiro trabalho na área de operações, ou seja, ele fazia parte da equipe que manutenção da página da Travelnet no ar. Atualmente, com 18 anos, ele passou para a
área de desenvolvimento de novas tecnologias na mesma empresa, além de ser um web-security, o que significa um
"hacker do bem", como ele mesmo define.
Sua remuneração é de R$ 700,00 por mês, mas, segundo Nélio, seu salário poderia ser mais alto se ele fosse mais velho, independentemente da sua competência.
"Mas eu acho que a maturidade, a experiência, só vem mesmo com o tempo", reconhece.
Até chegar a este estágio, Nélio teve que administrar a responsabilidade de estudar e trabalhar ao mesmo.
Analista de games aos 14
Você sabia que um dos melhores analistas de games da atualidade mora aqui, em Bauru. Ele começou antes de completar 14 anos e tem uma remuneração mensal hoje em dia em torno de R$ 800,00.
Théo Artioli Azevedo, atualmente com 18 anos, conta que fez do hobbie sua profissão: "Jogar é uma fase para qualquer garoto, mas para mim foi uma transição.
É um negócio que eu gostei muito e, de repente, eu estava tratando isso como uma coisa profissional mesmo".
Aos 13 anos, teve seu primeiro emprego, na Infoeste, feira de material de informática. Foi lá que ele foi convidado para escrever um artigo sobre o game War Craft 2, para o Jornal da Cidade. Depois, começou a trabalhar em uma loja de produtos de informática, onde teve mais contato com os lançamentos na área em que atua. Mais tarde, Théo entrou diretamente em contato com os fornecedores de games, que começaram a enviar as novidades diretamente para ele. "Imagine só um garoto recebendo de graça os games mais recentes em casa. Para mim aquilo era o máximo", conta Théo.
Sempre acompanhado de seu pai, hoje em dia Théo é colaborador da Folha de S. Paulo, do jornal de Belém do Pará, O Liberal; do A Tribuna, de Araraquara; e do A Tribuna, de Vitória, Espírito Santo, além do caderno Infonews, do JC. Mesmo assim, ele continua morando na cidade.
Assim começou sua carreira. Hoje em dia, Théo diz que está de férias prolongada, já que terminou o segundo grau. Agora, seu objetivo é cursar jornalismo para ser um profissional especializado na área de informática, e desenvolver sua home-page, www.theogames.com.br.
Uma equipe de quatro jovens, entre 16 e 18 anos, trabalha com a manutenção da página. Segundo Théo, a área de informática é muito promissora para os jovens e são eles que devem dominar este mercado de trabalho.
Olhando para trás, o jovem reconhece que perdeu alguma coisa no passado. "Não me arrependo da minha opção, eu tive uma infância muito boa, mas sempre vinha um amigo me chamar para sair e eu tinha que dizer `hoje não, tenho que entregar um texto'", lembra, com um sorriso orgulhoso de quem gosta do que faz.
Aos 19, a "responsa" de um provedor
Ao contrário de muitos jovens da sua idade, André Chaves Volpato, 19 anos, leva sexta-feira para sua casa a chave do provedor de acesso à Internet, NetAlfa. Qualquer problema e o jovem tem que deixar de lado a diversão pela profissão. Não é por menos, o jovem sempre gostou da área de informática e agora encara sua paixão como trabalho.
Como vários funcionários de empresas de informática, André também se formou no Colégio Técnico Industrial em processamento de dados. Durante os estudos, começou a afinar a sintonia com o setor informático.
André conseguiu uma vaga para estagiário em uma loja de informática, onde consertava microcomputadores de graça. Lá, ficou oito meses. Depois, foi para outra empresa da área, onde permaneceu pelo mesmo período.
Em maio de 1999, começou a trabalhar na NetAlfa, onde é responsável pela administração do provedor. No começou, trabalhava apenas meio período, mas agora passou para integral.
Atualmente, ele ganha mensalmente uma média de R$ 450,00, quantia que, segundo ele, possibilita as despesas de final de semana. "Chega sábado, tem amigo meu que não pode sair porque não tem dinheiro. Pelo menos eu sempre posso porque ganho para isso", conta André.
Na opinião dele, a remuneração que uma pessoa como ele tem é bem menor do que se ele tivesse uma qualificação maior. Por isso, André quer prestar novamente o vestibular para esta área. No ano passado, ele tentou "Sistemas de Informação", na Unesp, mas não foi aprovado.