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Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Megaoperação prende quadrilha fortemente armada em Lençóis

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Uma megaoperação da Polícia Militar foi montada

às pressas, na tarde de ontem, para desbaratar uma suposta quadrilha na cidade de Lençóis Paulista. Mais de 50 policiais negociaram, durante quase uma hora, com nove homens fortemente armados que estavam no interior de uma casa, e conseguiram prendê-los sem disparos de armas.

Na casa, foi encontrado um verdadeiro arsenal, o suficiente para sustentar uma troca de tiros com a polícia por mais de uma hora. A polícia suspeita que o grupo estava planejando praticar quatro assaltos a banco - três em Lençóis Paulista e um em Barra Bonita.

O delegado titular de Lençóis, Luiz Cláudio Massa, autuou os nove homens presos na casa por formação de quadrilha e porte ilegal de armas. Eles foram autuados pelos nomes fornecidos, sem comprovação documental, uma vez que nenhum deles apresentou documentos.

Segundo a PM, a pesquisa da verdadeira identidade dos acusados será feita pela Polícia Técnica, através da impressão digital. Em função disso, ontem

à noite não havia como saber quem são os presos e se têm ou não passagem pela polícia. Os presos se identificaram como Vanderley Souza Carvalho dos Santos, Ariomar Bento da Silva, Marco Antônio Batista, Cristiano Alves das Neves, Antônio Martins Santas, Lucas Dias dos Santos, João Marcos Gibulo, Luiz Cláudio da Conceição e Luiz Antônio Oliveira Costa.

Usando uma das armas encontradas na casa, um fuzil automático AR-15, seria possível derrubar cerca de 10 pessoas enfileiradas. A operação teve início por volta das 15 horas, quando policiais militares de Lençóis Paulista descobriram o local onde os noves homens estavam escondidos, uma edícula na avenida Emílio Pelegrin, no, Jardim Monte Azul, um bairro novo na cidade.

O local foi cercado e teve início a negociação. Inicialmente, o grupo relutou em se entregar, mostrou as armas e ganhou tempo com a negociação. Os acusados de formação de quadrilha podem ter avisado possíveis companheiros sobre a presença da polícia. Seis aparelhos celulares foram apreendidos com eles e só depois de muitos telefonemas, é que eles se renderam.

Além do fuzil AR-15, de uso exclusivo do Exército, foram encontrados na casa duas espingardas calibre 12, armas usadas pelo Pelotão de Choque da PM; dois revólveres calibre 38; três pistolas semi-automáticas calibre 9; uma pistola semi-automática calibre 380; uma pistola semi-automática calibre 7.65.

Todas as armas estavam municiadas, além de farta munição sobressalente. Um pequeno pacotinho de maconha e três coletes

à prova de bala, modelo mais avançado do que o usado pela PM, faziam parte dos armamentos dos quadrilheiros. Um binóculo de precisão, para observação à distância, também foi encontrado em meio a roupas, alimentos e muito cigarros e bebidas.

Três veículos Gols e uma caminhoneta S-10 estavam na garagem da casa. Suspeita-se que quatro homens, ocupando um Monza, tenha conseguido fugir do local antes da chegada da polícia. Dos nove presos, só um era de morador da cidade de Lençóis Paulista. O grupo teria um contato na cidade em seria através dele que planejaria os supostos crimes.

Informação antecipada

A polícia de Lençóis Paulista foi informada da chegada de um grupo que praticaria assaltos na cidade através de um telefonema anônimo, na manhã de sábado. O informante deu detalhes da "visita" da quadrilha. Disse que os assaltantes estavam com um esquema armado para atacar três agências bancárias na cidade de Lençóis Paulista e uma na cidade de Barra Bonita, de onde retornariam para São Paulo.

Segundo o informante, a quadrilha é formada por mais de 15 homens, todos eles com pena para cumprir. Eles estariam fortemente armados e dispostos a qualquer confronto, um vez que o líder já teria roubado, matado e continua em liberdade.

Desde então, todos os policiais começaram a procurar o local onde a quadrilha ficaria escondida até o momento de cometer o crime. Ontem, a casa foi localizada e teve início a megaoperação envolvendo policiais militares de Bauru (Tático-4), Botucatu, Agudos, Pederneiras e Jaú.

Observações à distância

Assim que o local foi encontrado pela polícia, tiveram início as observações. Do alto de um morro, os policiais confirmaram que na casa havia vários homens com armas. O local, bastante afastado da cidade, é cercado com muros de cerca de três metros de altura, o que garantia uma certa privacidade para o grupo.

Por volta das 13 horas, segundo o tenente Alan Terra, os policiais se aproximaram do local e ouviram várias vozes. Foram acionados os pelotões de elite da PM e, duas horas depois, desencadeada a operação. O tenente Jorge Duarte Miguel comandou a operação pelos Pelotões de Choque.

Ele contou que uma viatura do Tático foi colocada no portão da edícula para impedir possíveis fugas. "Começamos a negociar porque com o armamento que eles possuíam, um confronto seria ruim para ambas as partes. Eles relutaram muito antes de se entregar. Alegaram que haviam crianças e mulheres no local. Era blefe", explicou.

O momento de maior tensão, segundo Miguel, foi a entrada dos policiais na casa. "Os PMs, posicionados nos muros, acompanharam os nove homens deitando-se no jardim e se entregando. Um deles, que havia assumido a negociação, garantiu que todas as armas estavam no quarto. Depois de algemar, um a um no jardim, entramos no quarto com ele na frente, porque poderia ser uma armadilha", disse Miguel.

O tenente lembra que durante os 50 minutos de negociação, os nove homens fizeram várias ligações do celular. "Eles fizeram mais de dez ligações e não sabemos para quem. Eles alegam que ligaram para advogados, mas nós acreditamos que eles tenham ligado para seus comparsas", disse.

Para o tenente, os nove homens estavam prontos para a troca de tiros. "Encontramos o colchão de casal encostado na janela do quarto e as armas todas municiadas. Se a negociação falhasse, teríamos "baixa" (morte) de ambos os lados. Nossos policiais estavam armados de calibre 12 e com coletes

à prova de bala", ressaltou.

Debutando

Pela primeira vez na história de Lençóis Paulista, a Polícia Militar apreendeu uma quantidade de armas tão grande de uma só vez. Além da quantidade, o tipo do armamento surpreendeu os policiais. "O potencial ofensivo deles era muito grande. O tiro do fuzil AR-15 ultrapassa parede de concreto e carro forte", disse.

Os nove presos foram transferidos para as Penitenciárias I e II de Bauru porque a segurança é menor na Cadeia de Lençóis Paulista. A polícia trabalhava com a hipótese de um resgate de presos e, para se prevenir, optou pelas penitenciárias.

Armas apreendidas

* Uma camioneta S-10

* Três Gols

* Um fuzil AR-15

* Seis celulares

* Duas espingardas calibre 12

* Dois revólveres calibre 38

* Três pistolas semi-automática calibre 9 milímetros

* Uma pistola semi-automática, calibre 380

* Uma pistola semi-automática 7.65

* Farta munição

* Uma porção de maconha

* Três coletes à prova de bala

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