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Daniela Bochembuzo
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Senai quer exportar projeto de Desfavelamento para Angola

Texto: Daniela Bochembuzo

Representantes da Unidade de Negócios Educacionais do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) reuniram-se ontem com a vereadora Catarina Carvalho (PFL) para conhecer o projeto de Desfavelamento, que resultou na construção do Núcleo Habitacional Fortunato Rocha Lima.

O objetivo do Senai é implantar o projeto na unidade de treinamento da instituição em Luanda, capital da Angola. A unidade é mantida por meio de convênios entre o Senai, a Agência Brasileira de Cooperação, a Embaixada do Brasil e o governo angolano.

"Nossa idéia é treinar famílias para que sirvam de multiplicadores desse projeto em outras regiões de Luanda e também da Angola", explica Gino Bolognesi, assessor da Unidade de Negócios Educacionais do Senai.

O sistema de construção em mutirão seria ensinado aos alunos da unidade de treinamento do Senai em Angola. Cada um desses estudantes repassaria as informações, sob a coordenação da instituição, a mais 10 famílias, que também passariam a atuar como multiplicadores. "Com o Desfavelamento, estaríamos dando condições a muitos angolanos de ter acesso a saneamento básico e, conseqüentemente, a noções de higiene", completa Bolognesi.

O assessor conheceu o projeto de Desfavelamento em 1994, quando o programa começou a ser implantado em Bauru. Na época, o Senai havia cedido os kits de construção civil destinados aos canteiros-escola, montados pela instituição no terreno onde seria o futuro núcleo habitacional, e nos quais a população aprenderia a construir as casas em sistema de mutirão.

Em 1994, Catarina Carvalho trabalhava como assessora do gabinete do prefeito Tidei de Lima (PMDB) e era coordenadora educacional do projeto de Desfavelamento, cadastrando favelados interessados em participar do mutirão e realizando reuniões entre a população e os órgão envolvidos no trabalho.

Por causa do cargo, a vereadora mantém um arquivo completo sobre o projeto, desde o seu início até a conclusão das últimas casas (das 572 previstas, 130 precisam ainda ser construídas). "Foi um trabalho de resgate da cidadania", salienta Catarina.

Além de Bolognesi e Catarina Carvalho, estiveram presentes na reunião José Carlos Sgnoretti, diretor do Senai de Bauru, e Gersey de Freitas Souza, representante da empresa Argamassas Quartzolit.

O projeto de Desfavelamento teve início em 1994 e o primeiro lote de casas foi entregue em 1996. Participaram do mutirão moradores do Jardim Ivone, Vila Zillo, Jardim Samburá, Parque São João, Vila Garcia e favelas Maria Célia, Flórida e São Manuel.

Do total de casas previstas, 130 ainda precisam ser concluídas. Para isso, a Prefeitura necessita terminar de pagar a desapropriação dos terrenos e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) repassar ao Município os recursos restantes previstos no início da obra. Sem isso, as atuais 442 famílias residentes no Núcleo Fortunato Rocha Lima continuam sem a escritura do imóvel.

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