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Greve

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

Greve une magistério, universidade e saúde

Texto: Nélson Gonçalves

O movimento grevista considerou como truculenta a reação do governo do Estado. A Apeoesp também critica postura de Pedro Tobias

A greve por melhores salários e condições de trabalho do magistério reuniu, em uma só manifestação, representantes da universidade pública e de profissionais da saúde na cidade. A união entre as três categorias foi simbolizada pelo ato de protesto realizado ontem

à noite, em frente à Câmara Municipal de Bauru. Os grevistas voltam a se reunir na próxima quinta-feira, para participar de protestos na capital do Estado. Eles reclamam da posição de confronto e ausência de diálogo por parte do governador do Estado, Mário Covas (PSDB).

Profissionais do magistério paulista, além da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e de servidores da saúde, se somaram a estudantes para mais um ato de protesto, ontem à noite. No conjunto das reclamações estava, principalmente, a postura de reprimir o movimento com o uso da força por parte da Polícia Militar, na semana passada, em São Paulo. Os maiores protestos recaem sobre a reação do governador do Estado, Mário Covas (PSDB).

Os manifestantes condenaram a postura do governador Mário Covas. Eles consideram que Covas é quem adota uma postura de "fascista e truculência em relação a quem cuida da saúde e educação do Estado, mesmo com os salários sem reajuste há vários anos. O governador não tem como comprovar que concedeu reajustes à categoria dos professores nos últimos anos, como disse. Ao invés de sentar à mesa para conversar, o governador do Estado mandou a polícia para cima dos manifestantes".

No meio das manifestações, ontem, na avenida Rodrigues Alves, foi discutido temas como a posição do Governo do Estado em relação à CPI da Educação, em andamento na Assembléia Legislativa. Sobre este assunto, o deputado estadual Carlos Braga (PPB) deu algumas informações.

"A CPI presidida pelo deputado César Callegari (PSB) está na fase final dos trabalhos. Era para ter tido uma reunião na semana passada, mas alguns deputados integrantes do bloco do governador na CPI arguiram um ponto regimental e esvaziaram a reunião. A bancada de sustentação do governo deve apresentar um relatório para encerrar a CPI", disse.

Segundo Carlos Braga (PPB), os tucanos não concordam com o pedido de prorrogação da CPI por mais 90 dias.

"Mas esse pedido não foi nem discutido porque não houve a reunião. Sabemos que os governistas não concordaram em analisar este pedido. O governo quer encerrar esta CPI", comentou.

Em relação à reação de Covas, contra os protestos, na semana passada, o deputado estadual Carlos Braga considerou que "o chefe do Executivo no Estado deve se manter numa postura administrativa firme, mas uma posição de estadista. Não é atribuição do governador discutir com manifestantes. Ele tem que dialogar com os grevistas. É preciso que o Estado sente à mesa e analise o que está sendo pedido. Se não pode conceder todas as solicitações, demonstre porque não pode e faça uma contrapartida. Discutir batendo boca não

é o caminho, é preciso dialogar".

O ex-deputado federal Tuga Angerami (PSB) também participou do movimento, junto com professores da Unesp. Para Tuga, o movimento que integra representantes da universidade pública, magistério e saúde reúne "o estado de espírito enfrentado no País. Não é só uma manifestação da universidade, educação e saúde. É uma manifestação de um descontentamento que permeia o conjunto da sociedade. A situação é de terror pela perda do emprego no setor privado. No setor público, o arrocho a que o servidor é imposto é muito grande. Este movimento começa a tomar conta do conjunto dos servidores públicos não só do Estado, mas também da União. Tivemos, recentemente, os auditores da Receita Federal paralisando, tivemos paralisação em várias universidades federais e outros movimentos", explicou Tuga.

Como representante também da Unesp, onde é docente de psicologia, Tuga Angerami considerou que "o que a sociedade está dizendo com esses movimentos é que não

é possível mais que uma política do País de juros altos continue impondo à população um sacrifício insuportável. A sociedade continua pagando impostos e vê que os serviços públicos vêm cada vez mais acanhados. Mas os impostos aumentam. Isso vai para pagar os juros da dívida. E os juros são extratosféricos. Esse é o jogo que interessa aos agentes financeiros internacionais".

Para Tuga Angerami, a reação do governador do Estado ressalta que Covas não assumiu o papel de combate à política econômica estabelecida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Há dois anos eu disse ao próprio governador Covas, e disse em outras situações, que o governador Mário Covas teve duas oportunidades de se transformar no porta voz da Nação, contra essa política suicida do governo FHC. Quem teria porte para tomar à frente dessa situação é o Covas, mas, infelizmente, ele não desempenhou esse papel e agora está sendo cobrado por isso. Sua reeleição se deu também porque a esquerda enxergou em Covas o candidato do segundo turno que teria de desempenhar esse papel de resistência ao Governo Federal. O Covas perdeu a oportunidade, resolveu ser avalista da política do governo FHC", comentou Tuga.

Críticas pessoais

Além do governador Mário Covas (PSDB), o deputado estadual Pedro Tobias (PDT) também foi criticado por professores, universitários e servidores da saúde, ontem, no ato em frente à Câmara Municipal. Tobias foi cobrado em tomar uma posição em relação ao movimento na Assembléia Legislativa, como também em relação à CPI da Educação, ainda em andamento.

O deputado estadual esteve no JC, no início da noite de ontem, mas não comentou a crítica. O diretor da Apeoesp, Duílio Duka de Souza, reclamou que o deputado estadual partiu para a agressão pessoal ao ser questionado sobre sua posição na Assembléia Legislativa (AL). Duka disse que uma representante da Apeoesp-Bauru acompanhou a ação de Tobias na semana passada, na sessão onde era discutida a CPI da Educação. Depois, em entrevista à rádio 94 FM, Pedro Tobias criticou o sindicalista fazendo referência sobre sua vida familiar e trabalhista.

Duílio Duka disse, ontem à noite, que lamenta a postura do deputado estadual. "O Pedro Tobias concordou com os posicionamentos do Milton Flávio, líder do governo na Assembléia, na manobra do Governo do Estado para acabar com a CPI da Educação. A companheira da Apeoesp chegou até o Pedro Tobias e cobrou sua posição. Ele tergiversou e saiu do local. Isso nos causou indignação. O Tobias participou de reuniões, mas mostra uma cara aqui e outra em São Paulo. Se ele tem relações estreitas com o PSDB não pode estar do lado da educação", falou Duka.

O sindicalista acrescentou que "não é possível que um deputado que se diz a favor das reivindicações da educação concorde com a política do Governo do Estado na educação. Ele faz uma imagem aqui e na Assembléia concorda com as manobras. Sobre os ataques pessoais que o Pedro Tobias fez, eu lamento, não entro em discussão pessoal, não vou baixar o nível, eu trato as coisas no campo político. O Pedro Tobias é uma excelente pessoa, mas o peixe morre pela boca. Eu discuto sim política na educação com ele e cobra uma posição de quem foi eleito deputado estadual para representar o Interior na Assembléia Legislativa. Ele não é obrigado a defender tudo o que defendemos, mas tem que tomar uma posição, aqui e em São Paulo, e de preferência que as posições sejam iguais", finalizou o sindicalista.

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