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Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

Ala do PT acha que partido não elege ninguém

Texto: Nélson Gonçalves

Grupo "Opção PT" mantém Vanderley José de Freitas como vice de Estela Almagro, criando obstáculo para coligações

A candidatura própria do Partido dos Trabalhadores (PT), nas eleições municipais deste ano é mais um episódio da contínua divisão interna vivida pela legenda em Bauru. Depois de homologado o nome de Estela Almagro na disputa à Prefeitura, com profundas divisões, o PT parte agora para a discussão do companheiro de chapa. Nem a escolha do candidato a vice-prefeito gerou consenso. Como estratégia, o grupo da "Opção PT" manteve Vanderley José de Freitas como candidato a vice-prefeito.

A manutenção de Vanderley José de Freitas como vice de Estela Almagro cria dificuldades para que o PT busque a coligação com outros partidos, entre eles o PSTU, por exemplo. O nome de Vanderley saiu de uma votação com divergências claras. O grupo liderado pelo vereador José Carlos Batata obteve 113 votos em branco para a escolha interna do vice, o que abriria caminho para coligações. Maria Aparecida Faria, do Sindsaúde, teve 18 votos, mas retirou sua candidatura no meio do pleito. Vanderley José de Freitas ficou com a indicação de vice-prefeito, mas com apenas 7 votos.

Para a ala "Opção PT", o resultado estabelece Vanderley como o vice de Estela Almagro. Jesus Garcia entende que "a Estela deveria ter aberto inscrição de novo para o vice. O grupo do Batata orientou para a votação em branco, é um antagonismo. O Vanderley é o único vice que permaneceu e não existe espaço para aliança no partido", comentou. Jesus Garcia defende a candidatura de Tuga Angerami (PSB) à Prefeitura Municipal.

Chapa de vereadores

A avaliação de Jesus Garcia sobre a chapa de vereadores do PT nas eleições deste ano não é nada positiva. O petista considera que o partido, com 18 nomes inscritos até agora, não terá condições de formar coeficiente eleitoral o suficiente para preencher uma vaga na Câmara Municipal. O mesmo Jesus Garcia mantém que a candidatura própria do PT é um desserviço para a cidade.

Avaliação nada otimista se prende ao fato de, na opinião de Garcia, o quadro de candidatos a vereador ter dificuldades de atingir o coeficiente eleitoral. "Se precisamos de algo em torno de 7.500 votos para eleger um vereador é difícil acreditar que se possa atingir este número com a situação do PT. Sequer a chapa tem todos os nomes. Precisaríamos de uma média de 750 votos de cada candidato mais votado para fazer um vereador e todos sabem que isso é difícil", disse.

Para Jesus Garcia, "os erros de condução do processo eleitoral levam o PT a estar condenado ao fracasso este ano. Pelo regulamento está prejudicada a aliança, mas eles estão desesperados para atrair o PSTU porque o Laércio tem média de 750 votos. Sozinho o PT corre o risco de não eleger ninguém". O representante da ala "Opção PT" vai além em suas observações: "A Estela é uma espécie de candidata laranja. É preciso ver a leitura do processo. Ou não tem condições de se posicionar, ou está a serviço de outro candidato. Há uma cegueira circunstancial".

Escolha do vice

Para a pré-candidata a prefeito, Estela Almagro, o grupo pertencente a Jesus Garcia menospreza o próprio potencial. A presidente do PT entende que o partido tem um bom quadro a vereador e pode eleger até três representantes na Câmara Municipal.

Estela Almagro comentou que "o próprio Jesus Garcia, ao lado do Duka, Roque e outros, é um bom nome e certamente tem potencial para desempenho acima da média, basta fazer política sem sectarismo e abraçar o resultado democrático da escolha do PT para a participação nestas eleições". Quanto ao número de integrantes da chapa de vereadores, Almagro aponta que o "PT terá não somente 18 candidatos, mas a chapa completa. Hoje mesmo recebemos documentação de mais dois líderes comunitários".

Sobre a manutenção de Vanderley José de Freitas como candidato a vice-prefeito, Estela Almagro diz que a escolha não depende somente da avaliação de Bauru.

"A escolha de um candidato não é considerada quando o nome não obtém 50% mais 1 dos votos e foi o que aconteceu. O retrato desta votação é que a militância não concorda que os nomes colocados formam um parceiro ideal para a chapa. Vamos debater o assunto", comentou.

Com isso, Estela Almagro apontou que o PT vai passar por outras votações, inclusive sobre a questão do vice.

"Vamos votar e discutir temas como programa de governo e com quem fazer aliança até 15 de junho. O vice pode vir de outro partido. A comissão eleitoral está cuidando desse processo", finalizou.

Tuga diz que boletim criou mau-estar no PT

Tuga Angerami (PSB) concordou, ontem, que a veiculação de matéria em boletim do partido, em que Lula (PT) apóia sua candidatura a prefeito, criou um mau-estar na direção estadual e municipal do PT. Para Tuga, a publicação retratou uma situação extemporânea. O ex-deputado conversou com Estela Almagro sobre o assunto e disse que vai ligar para a direção estadual do partido para uma retratação.

O presidente estadual do PT, Paulo Frateschi, comentou que a publicação no boletim do PSB não foi ética, nem justa, apesar de respeitar Tuga. Frateschi disse que o apoio a Tuga, por Lula, foi mencionado quanto o PT tentava filiar o ex-deputado federal e, depois, ainda discutia coligação para a eleição municipal. Ontem, Tuga mencionou que, apesar de extemporânea, a notícia do informativo não teve a intenção de prejudicar o PT. "O informativo não tem periodicidade e saiu com essa notícia do início do ano. Eu já pedi para recolher tudo e vou ligar para a direção estadual, já tendo conversado com a Estela. Criou um mau-estar desnecessário", disse Tuga.

Já Jesus Garcia entende que a reação da direção estadual revela que o PT já tinha as diretrizes para o rumo do partido em Bauru. "O comando estadual deveria intervir aqui e não o fez, parece uma intervenção obscura. Agora se fala até em apoio financeiro à candidatura da Estela. Existem outros interesses, de candidaturas que não são do PT, por trás desses fatos", lançou Garcia.

Roque Ferreira também não gostou do que Frateschi disse. "No episódio em que o Tuga desfiliou-se do PSDB e manifestou sua intenção de filiar-se ao PT, a afirmação do presidente estadual não corresponde a verdade. O Paulo Frateschi telefonou-me várias vezes, solicitando que eu apoiasse a entrada do Tuga no PT. Afirmei que em virtude da trajetória do Tuga, vinculada ao PSDB e em apoio ao Covas, este apoio incondicional seria impossível", escreveu.

Por outro lado, Roque acrescentou que falou para Frateschi que não criaria obstáculo para a filiação de Tuga no PT, não havendo "restrição nenhuma em combater ombro a ombro caso a postura do ex-deputado concentre-se na luta contra as políticas de FHC e FMI. A entrevista do presidente estadual do PT elucida uma série de fatos que permaneciam obscuros para muitos filiados, de que havia uma negociação sendo feita por cima para que o PT ocupasse a vaga de vice numa aliança com o PSB, independente da vontade dos militantes". (NG)

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