Sindtran aguarda propostas das ECCB, TUA e Kuba
Texto: Patrícia Zamboni
O Sindicato dos Condutores Rodoviários (Sindtran) está aguardando, para amanhã, a apresentação de propostas das três empresas de transporte coletivo de Bauru, TUA, Kuba e Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB), para definir a campanha salarial da categoria. A mesa-redonda realizada ontem, no Ministério do Trabalho, entre o Sindtran e representantes das três empresas terminou com insatisfação por parte do Sindicato. De acordo com o presidente do Sindtran, Elias Pinheiro da Silva, foi preciso abrir mão da reivindicação de 29% de reajuste salarial para que as empresas aceitassem fazer uma avaliação. Segundo Silva, durante a mesa redonda foi proposta a aplicação apenas do reajuste da inflação dos últimos dois anos que a categoria ficou sem receber aumento, o que resulta em 10% de reajuste. Para amanhã está marcada uma nova rodada de negociações, individualmente com cada empresa, para que seja apresentada uma proposta aos trabalhadores. Depois disso, será realizada uma assembléia entre a categoria para analisar a situação e definir novos rumos.
Sílvio Carlos de Lima Pereira, subdelegado adjunto do Ministério do Trabalho, diz que não há motivo para apreensão por parte dos trabalhadores e que este processo que está ocorrendo é normal. "Não existem motivos para que os trabalhadores fiquem apreensivos. O processo de negociação
é assim mesmo, está dentro da normalidade. O acordo com a categoria venceu em abril e na mesa redonda de hoje (ontem) as três empresas garantiram a manutenção do acordo anterior e da data base. Então, não há motivo para os trabalhadores se preocuparem", analisa o subdelegado. Segundo ele, as empresas estão negociando o que é possível, porém, o que estaria dificultando as negociações
é a questão da tarifa e das dívidas que a Câmara de Compensação tem com as operadoras do transporte coletivo da cidade.
Para Elias Pinheiro da Silva, a reunião de ontem foi desanimadora.
"Mais uma vez, os resultados não agradaram e foram, inclusive, decepcionantes. Nós esperávamos que as empresas propusessem alguma coisa, ou que pelo menos dessem margem de discussão, e nada foi apresentado. O que aconteceu foi que as três empresas se comprometeram a repassar para o Sindicato, até amanhã, uma proposta de negociação", disse Silva.
O presidente do Sindtran não concorda com as alegações feitas pelas empresas quanto à dificuldade de negociação e critica a posição da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). "As dificuldades alegadas pelas empresas é a defasagem que elas vêm enfrentando com relação à remuneração por parte da Emdurb. O presidente da Emdurb, o senhor Joaquim Madureira, se manifesta publicamente favorável ao terceiro turno nas três empresas de ônibus, que por enquanto só existe na ECCB, mas ele desconhece que a Emdurb não remunera o terceiro turno da ECCB e que não paga ticket alimentação. Quando eu digo que não paga, não significa que a Emdurb tem obrigação de pagar, e sim que ela não leva isso em consideração nos custos operacionais da empresa. Os trabalhadores da TUA e da Kuba tem nos cobrado a aplicação do terceiro turno, mas como a ECCB não recebe por isso, nós temos encontrado resistência. Além disso, os critérios de repasse do custo tarifário para as empresas também estão atrapalhando as negociações", afirma o presidente do Sindtran. Para ele, a Câmara de Compensação Tarifária, criada no final de 96, tem critérios que prejudicam a operação das empresas e, conseqüentemente, os trabalhadores, "que ficam de mãos atadas na hora de buscar os seus avanços salariais".
"Nós esperamos que tanto a Emdurb, quanto o Conselho de Usuários, os empresários e todos que têm participação nessa situação, se sensibilizem, trabalhem em cima da realidade e que, amanhã, seja apresentada uma proposta mais agradável. Caso contrário, na semana que vem nós estaremos na rua protestando contra essa situação, primeiro com os ônibus de faróis acesos, e depois, se for necessário, com paralisações relâmpago no decorrer do dia. Se não recebermos uma boa proposta, acredito que é exatamente isso que irá acontecer, já que a insatisfação dos trabalhadores
é muito grande", diz Elias Pinheiro da Silva.
Além do reajuste de 10% no salário, a categoria continua reivindicando o pagamento de horas extras 75% maiores que o de horas normais, o terceiro turno de trabalho nas três empresas, ticket alimentação integral mensal de R$ 80,00 para cada trabalhador, que o salário dos cobradores não sejam inferiores a 70% do salário dos motoristas, 5% de participação nos lucros e resultados da empresa e cesta básica.