PF faz B.O. por desmatamento de quase 2 hectares
Texto: Adriana Rota
O desmatamento de quase 2 hectares numa área de cerrado situada no Jardim Campo Novo, próximo ao radar do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp (IPMet), levou a Polícia Florestal a lavrar um boletim de ocorrência, ontem, contra cinco proprietários que vão arcar com uma multa de valor variável entre R$ 700,00 e R$ 1.500,00. Por tratar-se de objeto de discussão judicial, não existiam autorizações para o corte da mata nativa.
De acordo com o tenente Marcelo Sanches, comandante interino da Polícia Florestal de Bauru, o corte poderia ou não ser autorizado pelo Departamento de Proteção aos Recursos Naturais (DPRN), que determina a manutenção de uma reserva florestal averbada de, no mínimo, 20%, mas desde que a documentação esteja em ordem e não haja pendências judiciais.
Pelo que a equipe pôde constatar no local, a área em discussão - desde 1978 - teria duas escrituras, uma lavrada em Agudos e outra em Bauru e, conseqüentemente, dois proprietários. Um deles teria dividido parte da terra em chácaras de 24 mil metros quadrados e vendido para formar um condomínio rural. Embora os moradores aleguem ter os contratos, eles não teriam, oficialmente, o domínio da área, impedindo até mesmo a solicitação de ordem para desmatamento.
Na opinião do tenente, embora individualmente a extensão dos desmatamentos das cinco áreas pareça pouco preocupante, fazendo-se uma soma, ela torna-se considerável. "Nós não somos contra o progresso da cidade, mas é possível alcançá-lo sem destruir a natureza. Episódios como esse têm ocorrido com certa freqüência na região, principalmente em loteamentos onde não foi deixada a área de reserva", alertou.
O tenente entende que o problema é, essencialmente, de descaso, falta de consciência ambiental, que vai custar aos proprietários e a quem executou os serviços o envolvimento num processo que será encaminhado ao Ministério Público. Por enquanto, a área permanece numa espécie de embargo, com todas as construções suspensas.
A área desmatada, somando-se os cinco pontos isolados, ficou na casa dos 2 hectares - entre 15 e 18 mil metros quadrados pelos cálculos da Polícia Florestal. A região abriga diversas espécies vegetais do cerrado e animais como veados, pacas, tamanduás e pássaros variados.
A operação iniciada ontem por oito agentes da Polícia Florestal, que constataram o crime ambiental durante um patrulhamento de rotina, deve ter continuidade hoje, quando o boletim de ocorrência será concluído com a apresentação da documentação dos proprietários das áreas. Isso porque nem todos moram ali, e tiveram de ser contatados.
Serviço
A Polícia Florestal coloca o telefone 230-2700 à disposição da população para eventuais denúncias sobre danos ambientais.