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Febre aftosa

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Vacinação da aftosa deverá se intensificar

Texto: Márcia Buzalaf

Com a declaração de área livre da febre aftosa no circuito pecuário do centro-oeste brasileiro, a vacinação contra a doença deve se intensificar. Muito se fala da abertura do mercado externo que o reconhecimento deve dar ao País, mas a Coordenadoria de Defesa Agrícola

(CDA) avisa: a fiscalização da vacinação deve ser ainda mais intensa. "Área livre não significa livre de vacinação", alerta o assistente de Defesa Sanitária de Bauru, Marcos Antônio Issa.

Marcos Antônio Issa, assistente da Defesa Sanitária da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) de Bauru, diz que alguns produtores podem acreditar que, com a certificação da área livre de aftosa com vacinação, não precisarão mais vacinar o rebanho.

Muito pelo contrário. Com a determinação de que o Estado de São Paulo faz parte, agora, da área que é considerada livre da doença, embora precise da vacinação, deve intensificar ainda mais a fiscalização em relação à obrigatoriedade de se vacinar o rebanho (veja quadro).

Issa explica que a febre aftosa é de fácil controle, já que a vacinação já é suficiente para que se evite a doença. Atualmente, ele diz, há uma maior conscientização dos criadores.

A produção de carne bovina estimada em Bauru ocupa o terceiro lugar nas culturas e criações da cidade, perdendo apenas para a cana-de-açúcar e para os pomares de citros. Em 98, o setor movimentou R$ 27 milhões, o equivalente a 13,93% de toda a produção das propriedades de Bauru.

Mesmo assim, a região de Bauru é voltada mais para a área de criação, não para a engorda. A arroba do boi não deve aumentar de preço imediatamente e o mercado externo ainda não está garantido para o Brasil.

A tendência é de crescimento nas exportações, mas o exportador brasileiro terá que, primeiramente, ganhar este mercado, ainda novo para o País. Além disso, terá que quebrar o protecionismo da Europa e dos Estados Unidos.

A febre aftosa é uma grande barreira para a exportação da carne brasileira porque a doença é considerada um retrocesso na criação bovina, por ser de contágio elevadíssimo. Os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul foram os primeiros do mundo a receberem a certificação isoladamente do resto do Brasil. Atualmente, a área é zona livre de aftosa sem vacinação e pode estabelecer uma região de exportação de carne para os Estados Unidos.

Criadores esperam crescimento na exportação

O reconhecimento oficial do circuito pecuário do centro-oeste brasileiro, que inclui São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Goiás, parte de Minas Gerais e Distrito Federal, como área livre de aftosa com vacinação, durante a assembléia geral da Organização Internacional de Epizootias

(OIE). A área abrange um rebanho de 60 milhões de cabeças.

A decisão foi tomada por representantes de 155 países filiados à OIE e que permite o aumento das exportações de carne bovina para todos os países do mundo, pois a febre aftosa não servirá mais como barreira. No ano passado, o Brasil faturou US$ 1,9 bilhões com as exportações de carne de todos os tipos.

A venda de carne bovina representou 43% desse total, ou US$ 840 milhões. São Paulo foi a maior receita, com US$ 512 milhões resultantes da exportação de carne (bovina, suína e de frango), sendo que a maior parcela, US$ 496 milhões, vem da exportação de carne bovina in natura e industrializada. Dos países que integram a OIE, 134 também são membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) e áreas consideradas livres de aftosa têm acesso muito mais fácil à maioria destes mercados.

A carne brasileira in natura atende às exigências da demanda mundial, por ser magra, sem resíduos industriais, oriunda de pastagens e não de confinamento.

O rebanho da área livre de aftosa soma 75 milhões de cabeças, incluindo os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, declarados livre de aftosa com vacinação desde 1998. Os Estados Unidos, maior produtor de gado livre de aftosa, têm rebanho de 100 milhões de cabeças.

A decisão de tornar o centro-oeste como área livre foi tomada em janeiro deste ano, quando a comissão técnica da OIE reconheceu a região, decisão homologada e oficializada em assembléia geral da entidade nesta semana.

A campanha de erradicação da aftosa desenvolvida pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo inclui vacinação três vezes por ano e tem obtido adesão total dos pecuaristas. Há 50 meses não há registro de focos da doença no rebanho paulista que é de 13 milhões de cabeça.

Outra ação importante para eliminar qualquer ameaça

à saúde do rebanho é a fiscalização rigorosa que a Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), criada pelo governo Mário Covas, realiza permanentemente nas estradas interestaduais e federais que cortam o Estado de São Paulo. Essa vigilância de rotina visa ao mesmo tempo combater a ilegalidade e garantir a qualidade do abastecimento interno, protegendo a saúde pública. A estrutura de defesa sanitária garante também o controle de outras zoonoses, como a brucelose e a tuberculose.

Cronograma mantém vacinação

Em São Paulo, as datas de vacinação continuam as mesmas:

fevereiro - rebanho de zero a 12 meses

maio - rebanho de 12 a 14 meses

novembro - todo o rebanho

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