Cresce o número de favelas em Bauru
Texto: Fabiana Teófilo
A quantidade de barracos e favelas em Bauru cresce assustadoramente a cada ano. As estatísticas realizadas nos últimos três anos, demonstram que, em pouco tempo, Bauru poderá ter cerca de 10% de sua população pertencente à favelas, ou seja, aproximadamente 30 mil habitantes serão favelados ou pertencentes a uma faixa bastante pobre da cidade.
Uma contagem realizada há exatamente uma ano, com o auxílio da campanha do agasalho de 1999, o número total de barracos registrados em 13 favelas da cidade foi de 1784. Em 1998, o número de barracos em nove favelas era de 809 e em 1997, o total de barracos somavam 459. Em relação ao número populacional, atualmente são nove mil pessoas vivendo em favelas e mais 12 mil que fazem parte dos bolsões de pobreza. Visivelmente, há um total de 60 mil pessoas que vivem na faixa da pobreza em Bauru.
Este ano ainda não foi realizada uma contagem, que deverá ser feita logo após a campanha do agasalho, mas a perspectiva
é de o número de barracos tenha aumentado ainda mais, fazendo crescer também a população pobre.
A explicação para esse aumento da população nas favelas da cidade, de acordo com o coordenador da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), José Álvaro de Brito, é de que Bauru possui muitas entidades assistenciais e uma população muito solidária.
As entidades dão suporte para que novas pessoas migrem para a cidade. De acordo com Brito, esse é um dos principais fatores do aumento da população pobre da cidade. Outro fator que também agrava esse problema, são as penitenciárias existentes na Região. Geralmente as famílias acompanham os presidiários e, sem lugar para morar, vão para as favelas da cidade.
Para Brito, o ideal seria a formação de um Centro de Triagem, onde deveria ser controlada a entrada e saída de pessoas na cidade. O Albergue Noturno de Bauru realiza atualmente esse trabalho com uma verba do Poder Público, mas é uma ação limitada porque os responsáveis pelo local não têm como realizar uma pesquisa mais aprofundada.
Não há uma estrutura na cidade para abrigar o número de pessoas que vivem em condições de pobreza. A periferia de Bauru é caracteriza por habitações de baixa renda e núcleos habitacionais.
Os problemas enfrentados nessa região são diversos como promiscuidade, marginalidade, epidemias, incêndios, inundações, desabamentos e outros. Tudo isso, de acordo com Brito, aumenta a violência e os crimes na cidade.
Nos bairros da periferia, quando os moradores não são favelados, possuem um perfil sócio-econômico bem próximo deste. Há muitas casas em melhores condições, feitas de tijolos, com boa estrutura, mas avaliando o perfil do morador, se constata a proximidade com o favelado.
Investimentos
Bauru não possui grandes empresas. De acordo com Brito seria necessário investir nessa área para gerar emprego. Além disso, seria necessário um investimento em educação e saúde por parte do Município.
"Se os próximos prefeitos investirem em educação, saúde, trabalho, assistência social e segurança, vão dar um grande avanço na cidade", disse Brito. Ele acredita que esses são os principais fatores que deixam um município em dificuldades. Além desses investimentos, Brito afirmou que é necessário fazer a manutenção do que já existe na estrutura da cidade. "Trabalhando dentro desse leque de prioridades, Bauru, em pouco tempo, vai recuperar o prestígio que tinha anteriormente", explicou.
Brito lembra das universidades existentes na cidade. Ele afirmou que seria interessante um acordo da Prefeitura com as universidades para que juntos possam trabalhar nos setores que necessitam auxílio.
A maioria dos cursos, exige algumas horas de estágio dos alunos que, muitas vezes, encontram dificuldades em realizar esses estágios. Na criação do Centro de Triagem, esses estudantes poderiam ser utilizados como assistentes sociais, nos trabalhos de enfermagem, psicologia, odontologia, fonoaudiologia, envolvendo uma equipe multidisciplinar.
"Muitos alunos realizam projetos belíssimos, mas ficam só na teoria e com um pouco de vontade e organização, isso poderia estar sendo utilizado na prática", disse Brito.
Além da parceria com as universidades, o Centro de Triagem deveria fazer, também, uma integração com a polícia para levantar uma ficha da pessoa que chega na cidade. "Muitos são fugitivos de cadeia e migram à outras cidades procurando abrigo. Por isso a importância desse levantamento", explicou Brito.
O Centro de Triagem, para ser criado, necessita de um prédio, um abrigo e pessoal para desempenhar diferentes tarefas. O investimento, de acordo com Brito, não seria muito elevado.
O start para a criação do Centro deve partir da Prefeitura e depois se associar a outras entidades. O Município não tem condições de arcar com tudo sozinho, mas pode criar parcerias para tornar realidade esse trabalho, melhorando as condições da cidade.
Igrejas invadem periferia
Em função dos problemas enfrentados pela população pobre da cidade, as igrejas se proliferam na periferia da cidade, atraindo um número elevado de fiéis. Elas são criadas em lugares sem nenhuma estrutura e o número aumenta cada vez mais.
Muitas realizam um bom trabalho e são capazes até de tirar pessoas da marginalidade, mas outras se formam somente para conseguir um meio de ganhar dinheiro.
A igreja, geralmente, cobra dízimos dos seus usuários e faz com que isso seja um meio de vida. Com o dinheiro arrecadado, que supostamente deveria ser investido em obras assistenciais, muita gente sobrevive.
Certamente, muitas igrejas realizam um trabalho sério, mas também há alguns impostores. A população deve estar atenta para não entregar seu dinheiro nas mãos erradas.
As igrejas, normalmente, ilustram casos de pessoas que eram muito pobres, não tinham o que comer e, de uma hora à outra, mudam de vida, mas se esquecem de falar da luta dessa mesma pessoa para conseguir vencer.
Atualmente, os bairros que possuem uma maior concentração de igrejas são os Parques Jaraguá e Santa Edwirges.
juntamente com o surgimento de novas favelas, como está acontecendo atualmente na extensão da avenida Comendador José da Silva Martha, na Vila Serrão e no Jardim Maria Célia, cresce também o número de igrejas que costumam se fixar primeiramente numa casa e depois fazem reformas, transformando a casa em sede da igreja. Nesses locais de novas favelas que ainda estão em formação já existem casas que desempenham o papel de sede para reuniões religiosas.
No total, em toda a periferia da cidade há, aproximadamente, 120 estabelecimentos criados como igrejas. Mais ou menos a cada dois meses é criada uma nova sede. Muitas se desenvolvem e agregam um bom número de fiéis, outras não conseguem alcançar o objetivo e fecham as portas. (FT)
Confira o número de barracos nas favelas de Bauru
Parque Real 29
Jardim Vitória 75
Jardim Filomena 40
Parque das Nações 71
São Manoel 14
Jardim Marize 94
Jardim Olímpico 32
Jardim Yolanda 96
Jardim Ivone 82
Jardim Nicéia 177
Parque Jaraguá 351
Jardim Andorfato 36
Ferradura Mirim 687
Total 1784
* Fonte: Comdec - Campanha do Agasalho 1999.