Empresa virtual: o que é, como montar
Texto: Márcia Buzalaf
As empresas virtuais podem ser a extensão de uma empresa real, mas também podem operar virtualmente. No Sebrae, o número de consultas sobre negócios ligados à informática cresce a cada dia. A maioria das pessoas quer ganhar dinheiro com o novo filão, que dá espaço para diferentes serviços, mas que também precisa ser muito planejado.
São duas vertentes para a abertura de empresas pela Internet. Tem gente que só quer abrir uma empresa que funcione virtualmente; outras pessoas decidem apenas disponibilizar seus produtos via Internet.
O exemplo mais comum de uma empresa que, atualmente, existem só no espaço virtual é a Amazon.com, maior comercializadora de livros. A empresa não tem uma loja para a venda de produtos, mas conta com um depósito para estocar seus produtos, aliando a estrutura virtual com a estrutura física de um grande estoque.
Freitas Júnior afirma que o conselho dado aos empreendedores que querem lançar suas empresas na rede é testar, primeiramente, a página na Internet. "Você não pode se esquecer que, chegando o pedido na sua empresa, o cliente pode estar em outra cidade, em outro país. E como é que você vai entregar este produto a ele?", questiona. Outra exigência para quem quer montar uma home-page é, primeiramente, ter alguém disponível para responder os e-mails com rapidez e competência.
Algumas questões a serem resolvidas para quem quer colocar a empresa já existente na rede são a forma de pagamento e de entrega do produto. Para isso, a empresa tem que ter um funcionário inteiramente voltado para receber os pedidos e dar andamento para a entrega do produto. Também deve ser levada em conta a metodologia que será usada e as prioridades da empresa virtual. "A ansiedade, nestes casos, faz com que a pessoa possa passar por cima de estágios que devem ser desenvolvidos antes da implantação total da home-page", explica o consultor.
Freitas Júnior é consultor da área de gestão e tecnologia de informação do Sebrae-SP e viaja todo o Estado prestando consultoria. No próximo mês, ele vai palestrar na Fenasoft, maior feira da área no Brasil, sobre este assunto.
O consultor explica que a principal preocupação de alguém que tem uma página na Internet deve estar projetada no futuro. Isso porque, a partir do lançamento de uma página virtual, a empresa fica exposta a diferentes regiões do País. "Algumas vezes, a empresa que já existe pode até se queimar se ela não souber atender a demanda da rede", explica ele.
EDI
O setor de compras de uma empresa sempre foi feito através da transferência de pedidos via fax. Atualmente, um sistema informatizado pode fazer toda esta comunicação eletronicamente.
É o chamado Intercâmbio Eletrônico de Dados
(EDI), processo de comunicação que elimina o uso de papel, mas é limitado às grandes empresas, já que seu custo de instalação é muito elevado.
A Web EDI é justamente a integração da Internet ao EDI. O fornecedor pode entrar em contato com o cliente corporativo através da Internet, mas usando o EDI. Com a Web operando neste processo, é possível a comunicação 24 horas por dia. "Com o Web EDI, basta acessar o site da empresa na Internet e mandar um arquivo ou preencher um formulário com o pedido", explica.
Com o custo reduzido, as pequenas e médias empresas também têm acesso ao novo processo de comunicação. A expectativa do mercado, segundo Freitas Júnior, é que o EDI se transforme em um novo código de barras para a comunicação entre empresas.
A empresa que quiser usar o comércio eletrônico para a venda dos seus produtos precisa se prevenir. Para isso, há necessidade de ter em mãos um cadastro de fornecedores e clientes (com dados sobre consumo e preferências dos clientes), desenvolver a relação estoque/logística (que vai desde o controle de estoque até compras, entrega e pós-venda com o cliente) e ter controlado o setor financeiro.
Outro detalhe importante é em relação à atualização dos dados da página. A empresa responsável pela home-page cobra por período de mudança na página. "Se vai ser uma atualização diária, é um preço, se é semanal, outro. Quanto maior a manutenção, maior o custo", explica Freitas Júnior.
A empresa que foi montar um site na Internet deve escolher detalhadamente no provedor de acesso. Aquele que tiver os melhores recursos de acesso deverão ser escolhidos. Segundo Freitas Júnior, a velocidade de ligação com a Internet deve ser de 2Mb ou mais.
A velocidade do fax modem também deve ser igual ou superior a 56,6 kbps e a comunicação pode ser feita via simples linha telefônica ou através de linhas preferenciais
(chamadas de "LP"), transmissão por cabos e outros meios. Segundo Freitas Júnior, os custos destes serviços estão diminuindo significativamente.
As principais preocupações do empresário que quer se lançar na Internet são, segundo Freitas Júnior:
- o domínio próprio;
- a qualidade de operação e transmissão de dados;
- a utilização de banco de dados relacional em conjunto com o provedor ou com a Embratel;
- transferência e atualização dos dados da home-page;
- estar ciente da qualidade de segurança dos sistemas usados;
- comunicação com clientes e fornecedores via e-mail e chat;
- realização de cópias de segurança.
Você já reservou seu espaço na rede?
Registrar um domínio é relativamente fácil. O processo é feito via Internet mesmo, através do site "www.registro.br". O órgão responsável pela Internet foi criado através de uma portaria do Ministério das Comunicações e das Ciências e Tecnologia. Trata-se do Comitê Gestor do Brasil, que funciona na mesma estrutura da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com uma equipe de 15 pessoas da sociedade civil.
O comitê é um órgão auto-sustentado e cobra, de quem quer registrar seu domínio na Internet, R$ 50,00 no ato do registro mais R$ 50,00 mensais. Atualmente, tem mais de 200 mil registros ativos, o que é equivalente a uma receita de R$ 10 milhões anuais.
Entre entrar no site "www.registro.br" até a home-page ir ao ar são 24 horas. Quem quiser registrar uma empresa, é necessário o CGC; no caso de pessoa-física, o documento exigido é o CPF. A taxa de registro é paga via cartão de crédito ou boleto bancário, que pode ser impresso na página mesmo. Segundo o comitê, o registro no Brasil chega a ser mais rápido do que nos Estados Unidos. O limite máximo de registros é de dez domínios por CGC.
Atualmente, o mundo todo conta com mais de 15 milhões de domínios, sendo metade deles com extensão ".com". No Brasil, são registrados 20 mil novos domínios por mês.
Nome X Domínio
Para registrar uma pessoa, ela precisa necessariamente ter nascido. Para registrar uma empresa, sua estrutura também precisa estar sendo montada. Agora, para registrar um nome específico na rede, as exigências são bem menores. Com a liberdade de registro no Brasil, atualmente, empresas famosas, personalidades e programas de televisão brigam para ter a home-page com seus nomes, que alguns "espertinhos" já registraram os nomes famosos ou de mais fácil memorização. Um morador da Bahia, por exemplo, registrou todos os nomes de programas da Rede Globo antes da emissora e, atualmente, vende os domínios por preços altos.
Estas pessoas reservaram vários domínios e, agora, usam a própria rede para fazer leilão destes lotes. Um dos sites que vende domínios é o "www.imobiliariaweb.com.br", que anuncia os preços dos domínio de quem fez o registro destas marcas antes. É o caso de: "www.ostrapalhoes.com.br"
(por R$ 1 milhão); "www.brasilia.com.br" (por R$ 1,9 milhão); "www.jesuscristo.com.br" (R$ 100 mil); "www.joaogilberto.com.br" (por 5 mil); "www.bancobradesco.com.br"
(por R$ 200 mil); "www.revistaveja.com.br" (por 30 mil);
"www.tudoemcasa.com.br" (por R$ 1 milhão); entre outros.
Para isso, o comitê gestor está tentando incentivar o uso de outras extensões, já que a grande maioria das pessoas quer usar o "com.br". Atualmente, as pessoas podem registrar o domínio de acordo com a atividade que desenvolvem: "tv.br", para emissoras de televisão;
"am.br", para as emissoras de rádio AM; "fm.br", para as emissoras de FM; "esp.br", para esportes; "ind.br", para indústrias; "net.br", para as empresas de telecomunicações; "adv.br", para os advogados;
"med.br", para os médicos; entre outras. A orientação dada pelo próprio comitê gestor é que as pessoas façam o registro de seus domínios mais rapidamente possível. (MB)
Internet é maior interesse, diz Sebrae
Francisco Rodrigues de Freitas Júnior, consultor especialista na área de gestão e tecnologia de informação do Sebrae-SP, estima que, de dez atendimentos feitos, oito são sobre Internet. A maioria das pessoas pedem para que Freitas Júnior oriente a melhor área para a criação de uma página na rede.
Freitas Júnior explica que a maioria das pessoas que vai até o Sebrae para buscar informações sobre a Internet é motivada pelas propagandas e notícias de pessoas que estão ganhando - ou ganharam - muito dinheiro virtualmente.
Paulo Tebaldi, diretor do Sebrae-SP de Bauru, explica que a maioria das pessoas que consultam informações sobre Internet hoje em dia estão, na verdade, especulando sobre o assunto. Poucos realmente entram no negócio, até mesmo pela novidade que ele traz.
Quase 40% das consultas diárias no Sebrae-SP são em relação à Internet e à informática de forma geral. "Isso está sendo pesquisado, não que estas empresas estão entrando no mercado mesmo", diz Tebaldi.
O maior enfoque de quem procura o serviço de apoio para a abertura de empresa continua sendo na área de comércio eletrônico. Mesmo assim, o setor de serviços continua sendo o mais procurado e, atualmente, muita gente procura o Sebrae para colocar o setor de serviços na rede. (MB)