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Psicobiologia

Ana Maria Ferreira
| Tempo de leitura: 6 min

IBPP pesquisa existência do espírito

Texto: Ana Maria Ferreira

Nós somos espírito que possuímos um corpo, dentro do qual está inserida a alma que é uma parte do espírito. Quando acrescentamos uma nova dimensão a uma idéia ela se torna perfeitamente compreensível

O pesquisador Hernani Guimarães Andrade, autor de inúmeras livros de psicobiologia voltados à pesquisa e ensino da doutrina espírita, ainda hoje, já aos 87 anos, está em plena forma à frente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas - IBPP - que tem como diretora administrativa a professora Suzuko Hashizume, do qual foi o idealizador e fundador, na década de 60, em São Paulo, e que agora funciona em Bauru, há cerca de sete anos. Com uma equipe de colaboradores de diversas áreas do conhecimento científico, o IBPP realizou as primeiras pesquisas, em 1967, que foram retomadas em junho de 1995 até os dias atuais. A pesquisa busca demonstrar a influência do campo biomagnético (CBM) na evolução da vida.

O pesquisador projetou e desenvolveu um aparelho, denominado Tensionador Espacial Magnético (TEM), na sua versão mais moderna, para a realização de experiências com o campo biomagnético, com a ajuda dos três filhos, numa oficina montada em sua própria casa. "A idéia de um campo biomagnético que se supõe um campo de natureza magnética com propriedades biológicas não

é exclusivamente nossa . Outros autores já têm pensado e formulado hipóteses de trabalho acerca de um presumível campo vital com características parecidas", esclarece Andrade.

O ponto central da pesquisa está na identificação da existência do princípio vitalizador da matéria orgânica que, acreditam os pesquisadores do IBPP, se manifesta através das experiências feitas com o uso do TEM. O aparelho de formato cilíndrico (foto), formado por três eixos cartesianos, e "recheado" de bobinas de imãs poderosos, em pólos de repulsão, deforma o espaço comprimindo-o, gerando com isso o campo biomagnético.

A hipótese recaiu sobre a análise de que onde se dá a repulsão, entre os pólos magnéticos de mesmo nome, deveria criar-se um outro campo com propriedades biológicas resultante da alteração das condições físicas do espaço-tempo.

"Chegamos a uma hipótese de trabalho, que deve ser verificada e pesquisada, supondo que o CBM seja o que liga o espírito

à matéria orgânica a fim de vivificá-la, deverá existir também um CBM na própria matéria física, orientado para uma quarta dimensão. A nossa hipótese de pesquisa inclui uma estrutura tetradimensional do espírito", explica Andrade.

A Pesquisa

Seguindo rigidamente os preceitos da pesquisa científica, os pesquisadores submeteram colônias de bactérias, Salmonela, à exposição do CBM ou campo vital, fazendo a comparação do desenvolvimento desta amostra com outras deixadas em ambiente natural. Logo nas primeiras tentativas observou-se um crescimento maior das culturas bactéricas que foram submetidas a ação do campo criado pelo TEM, estabelecendo a partir desses resultados a correlação entre a multiplicação das bactérias e a intensidade do campo. Foram tomadas todas as precauções para a coleta e manipulação das amostras, a fim de evitar qualquer tipo de conclusão errônea. As experiências com bactérias levou os pesquisadores a crer que o hipotético campo do TEM possui propriedades estimulantes para a reprodução dessas mesmas bactérias.

A hipótese de trabalho adotada pelo pesquisador do IBPP implica a aceitação da doutrina espírita, que admite a sobrevivência do espírito, o que a torna de difícil aceitação pela comunidade científica. Hernani Guimarães enveredou por outra frente de pesquisa parapsíquica, em 1969, quando trabalhou com o professor doutor da Universidade de Virgínia (EUA), Ian Stevenson, na coleta de casos de reencarnação e transcomunicação instrumental. "O conceito de reencarnação que trabalhamos é uma outra faceta daquilo que comumente se discute. Os espíritas vêem a faceta religiosa, a lei do carma. A idéia de reencarnação já vem desde Pitágoras."

A teoria

Para a concepção de um aparelho capaz de produzir campo biomagnético, Hernani partiu de duas hipóteses de trabalho:

Supondo-se que o CBM seja o que liga o espírito à matéria orgânica a fim de vivificá-la, deverá existir também um campo biomagnético na própria matéria física, campo gerado pelo movimento de elétrons nas camadas orbitais dos átomos, nesse caso, ele não poderia ser registrado em nosso espaço físico, e se propagaria para fora do nosso espaço, em direção ao hiperespaço.

Modelo - Num modelo geométrico, a teoria refere-se a um sistema de quatro eixos referenciais (x, y, z, h), todos perpendiculares entre si, definindo um espaço de quatro dimensões. Três desses eixos corresponderiam ao nosso espaço físico que admite três dimensões, o quarto eixo indicaria a direção seguida pelo campo biomagnético, gerado pelos elétrons em suas camadas orbitais nos átomos físicos, tomando o modelo de

átomo de Bohr (Niels Bohr físico dinamarquês).

A segunda hipótese seria criar condições idênticas à do tensionamento do espaço vazio

(repulsão), contrapondo-se da mesma foram pólos idênticos de imãs ou eletroimãs. Se a região de pólos contrários, em atração, é capaz de inibir o desenvolvimento de alguns processos biológicos

(hipótese estudada por Jeno M . Barnothy, da universidade de Budapeste, em 1948) , a região onde ocorre a repulsão entre pólos de mesmo nome poderia favorecer o desenvolvimento dos processos biológicos.

Andrade postulou que na região onde se dá a repulsão deveria criar-se ali um outro campo com propriedades biológicas, resultado da alteração das condições físicas do espaço-tempo.

Ao provocar repulsão magnética entre pólos iguais, tem-se uma reação semelhante à de um fluido elástico ao ser tensionado por compressão. Daí o nome adotado para designar o TEM, destinado a produzir o referido efeito no espaço entre os pólos semelhantes, quando se usam magnetos ativados por corrente elétrica contínua.

O Questionamento

A busca da explicação do que é a vida, durante uma aula de biologia, foi o início dos estudos de Hernani Guimarães que o levaram a pesquisar e a criar um modelo matemático de átomo espiritual.

"Respondi que a vida é o oposto a morte, e a matéria viva é diferente da matéria orgânica inanimada, sendo assim, deve existir alguma coisa que se adiciona a essa matéria orgânica afim de torná-la viva. Acredito que seja um princípio, uma energia, uma força qualquer, que no momento em que se forma a semente (no caso do vegetal), animal (um ovo), esse princípio penetra na parte física/material e anima essa parte ajudando-a a se desenvolver. Quando ela (parte física) atinge o "fim dessa vida", porque ela deve ter uma energia para durar um certo tempo, essa coisa deve abandonar aquela matéria e aí sobrevêm a morte, que é a saída do princípio vital, e como ele anima ele não morre. Ele vai procurar um outro elemento começante e vai reiniciar novamente sua tarefa. Mas é possível que esse princípio vital vá adquirindo aptidões maiores por causa do treino, vai e vem", explica Hernani.

Durante os anos de faculdade Andrade se aprofundou nos estudos de matemática e física, passando a associar o espiritismo com a física, criando um modelo de átomo designado de psiátomo, descrito detalhadamente no livro do pesquisador intitulado Psi Quântico, da editora Pensamento. Através das informações obtidas na literatura espírita estabeleceu uma ligação de idéias entre o espiritismo e a física, passando a considerar o espiritismo como a física do espírita. "Procurei os processos e métodos da física para a pesquisa do espírito que me interessava como uma substância nova. Achei que poderia aplicar os métodos da física na pesquisa do espírito, porque a física abordou o problema da matéria partindo de intuições, a priori, e modelos, ela os criou, porque nossa mente precisa de um apoio palpável. Procurei usar o modelo mais simples existente na física, principalmente na quântica, para a interpretação daquilo que seja a matéria espiritual", declara Andrade.

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