Comércio recebe 62,2% cheques sem fundo a mais que em 99
Texto: Patrícia Zamboni
Um levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), encomendado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bauru, indicou que o número de cheques sem fundo recebido pelo comércio central da cidade nos primeiros quatro meses deste ano aumentou 62,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Ou seja, o volume de 2.696 cheques sem fundo recebidos de janeiro a abril de 99, passou para 4.375 nos quatro primeiros meses do ano 2000. Esses resultados são referentes aos registros feitos pelo SPC que foram colocados no arquivo do órgão. As informações foram passadas pela coordenadora do SPC, Sônia Rosa de Oliveira.
O vice-presidente da CDL, Orlando Burgo, diz que esse grande aumento
é devido à consulta incorreta, por parte dos lojistas, para ver se o nome dos consumidores que fazem compras com cheque consta no SPC ou no Serasa. O levantamento feito pelo SPC indicou que o número de consultas de cheques no órgão caiu de 110.861 nos quatro primeiros meses de 99 para 85.798 no mesmo período deste ano. Isso significa uma queda de 22,6% nas consultas.
Para Orlando Burgo, "os lojistas venderam mal. Eles não tiraram todas as informações necessárias em relação aos consumidores que estão emitindo cheques. A maioria consulta somente o Serasa, mas lá só tem o registro de pessoas que tiveram problemas com cheque, não aparecem, por exemplo, pessoas que têm dívidas pendentes de compras feitas em crediário. A consulta tem que ser feita nos dois órgãos, e se o nome do consumidor estiver no SPC, significa que existe a possibilidade dele se tornar inadimplente", observa Burgo.
Na opinião do presidente da CDL, um dos fatores que estaria facilitando a emissão de cheques sem fundo pela população
é que os bancos estariam cedendo talões de cheques com muita facilidade. "Os gerentes de banco não gostam que a gente fale isso, mas sabemos que isso está acontecendo. Uma pessoa que ganha R$ 500,00, por exemplo, não pode receber um talão de cheques de 20 folhas. Acho que deveria haver critérios mais rígidos por parte das instituições bancárias na hora de oferecer facilidades aos clientes, como talões com 20 folhas. Se a pessoa estiver desempregada e pegar um talão desses, certamente vai acabar emitindo cheques sem fundo nas compras que faz com pagamento à prazo", diz Orlando Burgo.