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Esclerose

Sabrina Maga;hães
| Tempo de leitura: 3 min

Causas da esclerose são desconhecidas

Texto: Sabrina Magalhães

Fechar o diagnóstico pode demorar anos, pois o paciente passa por vários outros especialistas antes de chegar ao neurologista

Segundo o neurologista Laertel Fassoni, a causa (etiologia) da esclerose múltipla ainda não é conhecida. Mas existem várias teorias que tentam explicar essa origem.

Uma delas é de que a doença seria causada por um vírus qualquer que permanece muitos anos no organismo sem se manifestar. A pessoa, em algum momento da infância ou adolescência, teria contraído um vírus cujo período de incubação seja longo. Então, este vírus ficaria alojado no organismo por 10-15 anos, até que algum fator ambiental desencadeasse os sintomas.

Esta teoria é complementada por pesquisas que mostram que as primeiras manifestações da esclerose (ou de suas recaídas) surgem logo depois de algum processo infeccioso ou de uma situação de estresse, como traumas, fadiga excessiva, vacinação, gravidez, etc.

A outra hipótese é de que seja uma doença auto-imune, ou seja, por um "erro" genético, o sistema imunológico (que é responsável pela defesa do organismo a microorganismos e outros "intrusos") produziria anticorpos contra sua própria bainha de mielina

(a substância branca do cérebro). Ao atacar a mielina, os anticorpos provocariam inflamações, que dariam origem ao tecido fibroso, formando as placas de esclerose. Neste caso, haveria uma predisposição genética

à doença.

Alguns estudiosos ainda defendem que essas duas hipóteses podem estar certas: é possível que indivíduos com alguma predisposição genética respondam

às infecções virais com alterações no sistema imunológico, criando condições para esse ataque à camada de mielina do sistema nervoso central.

Vale reiterar, porém, que até hoje nenhuma destas hipóteses foi devidamente comprovada. Portanto, sem conhecer sua origem, torna-se impossível prevenir a doença.

E segundo Fassoni, há uma característica da patologia que dificulta demais e praticamente impede o avanço dos estudos. É que não existe nada parecido em animais, ou seja, a esclerose múltipla é uma doença exclusiva da raça humana. Então, não há como fazer testes em cobaias. As pesquisas só podem ser feitas a partir dos dados extremamente frágeis dos exames convencionais ou após o exame de necrópsia de pacientes que vão a óbito.

Alguns pesquisadores até tentam provocar doenças parecidas com a esclerose em animais de laboratório, mas até hoje nenhum resultado convincente foi obtido.

Diagnóstico

O grande problema da esclerose múltipla é que seu diagnóstico é extremamente complicado. Primeiro, porque não existe nenhum exame específico capaz de confirmar a doença. Segundo, porque os sintomas e sinais são tão múltiplos que o paciente procura vários outros especialistas antes de chegar ao neurologista.

Um exemplo é a pessoa que sente formigamento nas mãos e braços. Inicialmente, desconfia-se de infarto e procura-se o cardiologista. Os exames não detectam nada, mas o formigamento persiste. Então, procura-se o ortopedista e também nada é encontrado. "Pode ser reumatismo", e ele vai ao reumatologista. Até que surjam outros sintomas, levantando a suspeita de esclerose e o paciente é, finalmente, encaminhado ao neurologista.

"Isso pode demorar até cinco, seis anos até que possamos realmente fechar o diagnóstico", explica Fassoni. Ele comenta que, na verdade, o diagnóstico baseia-se em alguns "achados", pois os sintomas relatados são sempre muito vagos e não caracterizam nenhuma doença específica. "Quando chega ao neurologista, ele já passou por vários médicos, fez vários exames, descartou várias possibilidades e não tem um diagnóstico. Aí sim levantamos a suspeita de esclerose e partimos para exames mais específicos, que seriam a ressonância magnética e o exame de líquor (líquido coletado da espinha)."

Mas mesmo esses exames deixam dúvidas, pois só detectam alterações em fases avançadas da doença.

"Então, é difícil fechar o diagnóstico. Afinal, estamos falando de uma patologia que é evolutiva e de tratamento questionável (só alivia os sintomas, mas não tem poder de cura). Precisamos ter cautela, porque ao anunciar a esclerose múltipla, estamos colocando uma espada na cabeça do paciente, sem poder lhe oferecer qualquer expectativa."

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