Geral

Tabagismo

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Unesp de Botucatu pesquisa fumantes

37% do público que frequenta o campus é fumante; psiquiatra diz que, em média, entre 5% e 10% conseguem largar o vício

O estresse ajuda a manter o vício do cigarro. Este é o resultado de uma pesquisa realizada pela Unesp, através do campus de Botucatu. O trabalho levou à criação de um centro para dependentes em nicotina, que desenvolve programas para acabar com o vício.

O fumo é o mais grave problema de saúde pública no Brasil. O País é o terceiro maior produtor mundial de tabaco e o segundo maior exportador desse produto. Calcula-se que um quarto dos brasileiros são fumantes. Uma pesquisa aplicada à população que frequenta o campus da Unesp, em Botucatu, constatou que 37% das 3.090 pessoas - entre funcionários, alunos e docentes - que responderam ao questionário sobre o vício do cigarro são tabagistas. Outros 16% são ex-fumantes.

A maioria deles se iniciou no vício quando tinha entre 16 e 20 anos de idade. Na época, fumava, em média, de meio a um maço de cigarros por dia.

As condições que levam os indivíduos a fumar mais, segundo a pesquisa, são o estresse e a convivência com amigos fumantes, durante eventos sociais. Os sintomas respiratórios

- como tosse, chiado e falta de ar - foram detectados como os mais incidentes, entre eles.

Para ajudar os fumantes a se livrar do vício, foi criado o Centro de Dependência em Nicotina, sob a orientação de professores dos Departamentos de Clínica Médica, Enfermagem, Neurologia e Psiquiatria, que oferece atendimento assistencial aos tabagistas e proporciona atividades de pesquisa. Até o final do ano, o Centro estará aberto à população.

Os interessados participam, durante cinco ou seis semanas, de reuniões semanais durante as quais são analisados os aspectos favoráveis e desfavoráveis do abandono do tabagismo, possíveis recaídas e estratégias para enfrentamento do vício. Os resultados foram positivos.

Dos 40 tabagistas que participam do grupo, 23% abandonaram o vício nos primeiros seis meses. De acordo com uma das coordenadoras do Centro, Irma de Godoy, os participantes do programa aderiram voluntariamente ao grupo. "Todos foram submetidos à avaliação geral sobre o seu estado de saúde, receberam informações detalhadas sobre os riscos do tabagismo e os métodos de tratamento", diz. "Mas muitos só pararam depois que tiveram algum comprometimento de saúde", ressalta.

Largar o vício

Para a psiquiatra Florence Kerr-Correa, que atua no campus da Unesp em Botucatu e é coordenadora do Programa de Álcool e Drogas da Unesp, entre 5% e 10% dos fumantes conseguem largar o vício. "Quem não consegue parar nem quando está grávida ou com problema mais sério de saúde, precisa procurar ajuda, inclusive através de antidepressivos", afirma ela. Segundo Florence, os jovens fumam para serem aceitos pelos amigos. "Se um tem capacidade de liderança, influencia os outros", comenta. Entre as mulheres, há o medo de parar de fumar e engordar. "Praticando caminhadas, a maioria delas volta ao peso normal", assegura. Para quem pretende abandonar o vício, o mais importante

é conseguir se abster nos primeiros seis meses: "Os primeiros quinze dias são os piores", diz a psiquiatra, que é ex-fumante. "Quem passa os três primeiros meses sem fumar, tem muito mais chance de não voltar mais ao vício e as recaídas se tornam muito menos prováveis", diz.

Médico de Jaú alerta sobre câncer de pulmão

A cada ano, quatro milhões de pessoas morrem, em todo o mundo, em razão de doenças provocadas pelo consumo de cigarros, segundo a Organização Mundial da Saúde

(OMS). O órgão possui estudos comprovando a relação entre o tabagismo e doenças graves, como câncer de pulmão (90%), enfisema pulmonar (80%), infarto do miocárdio

(25%), bronquite crônica e derrame cerebral (40%).

Segundo o médico pneumologista Valfredo Budin, do Hospital Amaral Carvalho de Jaú, o tabagismo provoca um sério problema sócio-econômico, onerando não apenas o Sistema de Saúde, como o Sistema Previdenciário, uma vez que o enfisema pulmonar, por exemplo, é altamente incapacitante, enquanto o câncer de pulmão tem grande potencial letal.

Budin comentou que se estima em 40 milhões o número de fumantes no Brasil. Há estatística segundo as quais, de um grupo de 100 fumantes crônicos (com mais de 20 anos de consumo de cigarro), 30% possivelmente irão desenvolver uma neoplasia pulmonar. Por outro lado, em um grupo de 100 não-fumantes, apenas um tem tendência a contrair a doença.

Diante disso, o médico aponta a prevenção como a melhor arma no combate ao câncer de pulmão: fumantes crônicos com mais de 40 anos de idade devem realizar um raio-x de tórax a cada seis meses, "para ter a chance de fazer o diagnóstico precoce de tumores em estágios iniciais, quando o índice de cura ainda é grande", assinalou.

Sintomas e tratamento

Segundo o médico, a fumaça do cigarro possui mais de mil componentes químicos com potencial cancerígeno e, após 20 anos de consumo do tabaco, os usuários podem ter lesões irreversíveis. Os sintomas do câncer de pulmão são tosse freqüente, febre sem explicação, catarro com um pouco de sangue, dores ósseas que são facilmente confundidas com reumatismo, perda de apetite e de peso.

O tratamento adequado é a cirurgia, complementada por sessões de radioterapia e quimioterapia. No Hospital Amaral Carvalho, referência em Oncologia, são utilizados os mais modernos recursos em diagnóstico e terapêutica para o tratamento da doença.

Budin observou ainda que "o tabagismo não é responsável apenas por neoplasias pulmonares, mas está ligado ainda ao câncer de boca, laringe, esôfago e estômago". Além disso, citou que "o câncer de pulmão

praticamente não existia nas mulheres. Depois que elas adquiriram o hábito de fumar, as estatísticas mostram que o número de casos da doença está se equiparando, entre homens e mulheres".

Comentários

Comentários