Geral

Festas juninas

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 6 min

Festas juninas: tradição mundial

Texto: Andréia Alevato

Dados curiosos cercam o mês de junho. Todas as festas realizadas neste mês tiveram uma origem comum. Elas são formas de culto externo tributado a uma divindade, realizado em determinados tempos e locais, desde o começo das civilizações.

As festas juninas surgiram na Antigüidade. Junho marca, na Europa, o início do verão. Para comemorar, a população festejava as colheitas e fazia sacrifícios para afastar os demônios da esterilidade, pestes dos cereais e estiagens. No Brasil, as festas populares são as festas juninas; do Divino, Natal; Dia de Reis e Carnaval. Também são realizadas as festas regionais, como as da Uva e a do Milho.

O fogo e a fogueira

Cultuar o fogo é um antigo costume dos povos. Fogueiras acesas nos altos dos montes e nas planícies, danças ao redor do fogo, saltos sobre as chamas. Tudo isso faz parte da tradição dos povos.

O fogo é uma representação do Sol: Ilumina, aquece, purifica, assa e coze os alimentos. Significa segurança e conforto.

A partir daí, surgem as superstições: faz mal brincar, urinar e cuspir no fogo, arrumar a fogueira com os pés, entre outras.

Na festa junina, a fogueira deve ser acesa pelo festeiro. Muitas pessoas que têm fé acreditam que podem pisar nas brasas da fogueira, descalças, sem queimar o pé.

Danças em volta das fogueiras eram usadas pelos antigos para cultuar os deuses.

Há madeiras que não devem ser usadas em fogueiras, por serem consideradas sagradas. São elas o cedro, que foi a madeira usada na cruz de Jesus Cristo, a embaúba, madeira da árvore onde Maria se escondeu na fuga para o Egito, e a videira, que dá o fruto - a uva

- que produz o vinho, transformado, nas missas, no "sangue" de Cristo.

A quadrilha

Os povos antigos usavam as danças para fazer adorações ou agradecimentos aos deuses.

As danças de quadrilha são oriundas da França, trazidas ao Brasil pelos portugueses e adaptadas às diversas regiões do País pelos imigrantes europeus e africanos. Dessa mistura, surgiu o caipira nacional.

A nossa quadrilha vem do século passado. Era constituída de bailarinos matutos ou caipiras, com trajes que caracterizavam os ruralistas ou os sertanejos. A dança de quadrilha atual é movimentada, realizada por crianças, moças, rapazes e até adultos, caracterizados como caipiras, com roupas listradas ou quadriculadas, homens de chapéu de palha, e mulheres com laços e fitas.

Assim é a quadrilha tradicional, que ainda se acompanha de um marcador, que é quem "puxa" as figurações que devem ser executadas. Por outro lado, existem as quadrilhas estilizadas, que são uma nova forma de expressão junina. Na verdade, não são as quadrilhas do tipo matuta, mas grupos de dança que se organizam com formato diferente da quadrilha tradicional e com coreografia própria. A quadrilha estilizada traz passos ensaiados em coreografias marcadas, previamente, como em um corpo de balé, em que os bailarinos executam passos criados exclusivamente para aquela música. Ela também traz personagens como Lampião e Maria Bonita, o noivo e a noiva matutos, e o padre que celebra o casório.

Os santos

Dos três santos, o São João

é o mais comemorado, porque os festejos de junho também podem ser chamados de festas joaninas.

No dia 13, comemora-se o Dia de Santo Antônio. No dia 24, Dia de São João. E dia 29, Dia de São Pedro.

Santo Antônio:

Fernando de Bulhões nasceu no dia 15 de maio de 1195, em Lisboa. Mesmo contra a vontade da família, entrou para ordem dos Agostinianos em 1220, e para a ordem de São Francisco em 1212. Como era muito estudioso, foi chamado de "Arca do Testamento" pelo Papa Pio XII. Morreu em 13 de junho de 1231, em Pádua (Itália) e foi canonizado em 11 meses. É conhecido como o "Santo Casamenteiro".

São João:

Segundo a lenda, as fogueiras da festa junina são acesas em referência ao nascimento de São João. Para a Igreja Católica, esse santo

é o enviado de Deus para preparar a chegada de Jesus Cristo. São João também foi chamado para batizar os primeiros cristãos e Jesus Cristo. Morreu decapitado, a pedido da bailarina Salomé. Na véspera do Dia de São João, logo ao entardecer e antes de acender as fogueiras, realizam-se as rezas, ladainhas e cantos. As pessoas também beijam as fitas do altar ou dos mastros, com a figura do Santo.

São Pedro:

Era um pescador que se tornou um dos apóstolos de Jesus Cristo. É considerado o primeiro papa da história e teve a missão de construir a Igreja Católica. Negou Jesus três vezes e, ao morrer, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, já que não se considerava digno para morrer como seu mestre. Na crença popular, é o chaveiro do céu. Com sua festa, termina-se o ciclo junino. Dizem que ele é o santo protetor das viúvas. É também o santo sagrado dos pescadores, que no seu dia, realizam grandes procissões fluviais em sua homenagem. Além de São Pedro, a Igreja Católica também comemora o dia de São Paulo Apóstolo, no dia 29, mas o povo desconhece o segundo santo, já que só cultua São Pedro.

Crianças carentes ganham festa

Algumas pessoas em Bauru se lembram das crianças carentes nessa

época de festa junina e levam a tradição para os bairros da periferia e favelas, onde as crianças ficam na expectativa de participar das brincadeiras típicas e, principalmente, de comer os alimentos que representam a data.

Mariana Silva, de 12 anos, moradora da Vila Nova Esperança, disse que todos os anos espera uma festa. "Eu adoro ver os fogos, são lindos, mas o que eu mais gosto mesmo é de comer pé-de-moleque. Entro na fila umas dez vezes e como muitos", contou entusiasmada. Seu irmão, Marcos Roberto Silva, de 4 anos, também gosta dos doces. "Ele quer de todos e pede para eu dar os meus para ele também", disse Mariana.

A doméstica Conceição Madureira, 33 anos, tem sete filhos e disse que todos os anos ela procura uma festa para levá-los. "No ano passado, nós fomos na festa de uma igreja na Vila Falcão. Este ano não sei ainda onde vai ter festa, mas eles (os filhos) já estão perguntando. Eles gostam de comer cachorro-quente e eu também", contou.

As crianças moradoras da Vila Nova Esperança, Jardim Andorfato, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges e favela São Manoel ganham todos os anos uma festa realizada na Creche e Berçário Nova Esperança. Quem organiza a festa é o diretor da creche, Nélson Bastos.

Ele contou que arrecada brinquedos para barracas de brincadeiras como a pesca, por exemplo, e vários tipos de doces, lanches, refrigerantes e sucos. Tudo é distribuído gratuitamente para as crianças. Bastos disse que participam da festa, aproximadamente, 350 pessoas.

Além das barracas, as crianças se divertem na brincadeira do pau-de-sebo, fogueira e fogos de artifício. A creche é toda enfeitada com bandeiras, representando a tradição.

Bastos explicou que não leva muito em consideração as datas dos santos, comemoradas pela Igreja Católica. "Muitas vezes, a festa é realizada em julho", afirmou. Ele também não realiza a cerimônia do casamento caipira, geralmente, presente nessas festas. "O importante é levar alegria, carinho e alimentação para essas crianças", explicou.

Bastos conta com a ajuda de um grupo de voluntários na arrecadação das prendas e dos alimentos para a festa. Ele explicou que pretende realizar o evento sempre que possível porque as crianças, de acordo com ele, ficam na expectativa e o objetivo é proporcionar alegria, oferecendo momentos agradáveis e diferentes dos vividos diariamente por elas. "É uma satisfação muito grande poder ver o sorriso dessas crianças, a alegria ao ganhar um brinquedo e a satisfação em comer algo diferente", afirmou.(FT)

Comentários

Comentários