Mães vão fazer protesto pela volta das aulas
Texto: Ieda Rodrigues
Um grupo de mães de alunos da escola estadual Professor Morais Pacheco, localizada na Bela Vista, promete fazer um protesto, em frente à Diretoria de Ensino de Bauru na quinta-feira, como forma de exigir a volta às aulas. Sandra Alves da Costa Casanova, mãe de duas alunas da escola - uma na 6.ª série e outra na 7.ª série -, organizadora do protesto, disse que os maiores prejudicados com a greve dos professores da rede estadual, que já completou um mês, são os alunos.
Ontem, a Secretaria Estadual de Educação fez uma contraproposta aos professores, que reivindicam 54% de reajuste salarial. O Governo ofereceu gratificação que varia de R$ 48,00 a R$ 80,00 - dependendo da carga horária de cada professor - e elevou o tíquete refeiçãod e R$ 2,00 para R$ 4,00 (veja mais na página 21). Duílio Duka de Souza, diretor e coordenador da Apeoesp (sindicato dos professores da rede oficial do Estado de São Paulo), disse que a proposta será levada à apreciação da categoria. Mas ele classificou a contraproposta de muito ruim.
Sandra afirmou que, se as aulas não forem retomadas em breve, pretende entrar com ação contra o Estado. Ela convoca todos os pais de alunos da rede estadual a participar do protesto marcado para quinta, às 15 horas. "Nessa briga de professores x governador (Mário Covas), os maiores prejudicados são os alunos, que estão sem aula. Pagamos impostos para o salário dois professores e queremos a retomada imediata das aulas", ressaltou.
A mãe de aluno fez questão de ressaltar que quer uma manifestação pacífica e sem a presença de políticos. "Nós estamos convidando os pais. Não queremos políticos ou outras pessoas nessa manifestação", afirmou. Sandra lembrou que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê punição para os pais que não mandam seus filhos para a escola e reclamou que a mesma lei não está sendo aplicada ao Estado, que não está garantindo as aulas.
As duas filhas de Sandra, segundo contou, estão ociosas quando eram para estar estudando. "Procuro incentivá-las a ler um livro, a estudar, mas é difícil. Elas ficam jogando videogame e vendo TV", disse. Sandra também quer que os pais possam opinar sobre o calendário de reposição.
Para ela, a melhor maneira de repor as aulas não dadas durante a greve é adiantar o horário de entrada e atrasar o de saída em meia hora daqui para frente e usar os sábados. A mãe, assim como os professores, não quer a reposição das aulas em janeiro, como havia proposto a Secretaria Estadual de Educação.
Ontem, de acordo com informações da Diretoria de Ensino, apenas oito das 48 escolas da cidade não estavam funcionando. No entanto, na escola Morais Pacheco, que está na lista das escolas que os professores estão voltando a trabalhar, não houve aula ontem segundo Sandra.
Segundo a Apeoesp, o índice de adesão à greve em Bauru caiu um pouco mais - ontem estaria na casa dos 50%. Hoje,
às 10 horas, a diretoria da entidades que representam professores, diretores e funcionários do magistério fazem assembléia para avaliar a proposta feita ontem pelo Governo. Está marcada, para as 15 horas, no CPP, uma assembléia para que a categoria aprecie a proposta, que deve ser levada à assembléia estadual, na quinta-feira.