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Plano de saúde

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Unimed pode repassar até 20% de alta às mensalidades

Texto: Patrícia Zamboni

Cooperativa está renovando contratos com reajuste que varia de acordo com a utilização de cada conveniado

O maior índice de reajuste dos planos de saúde da Unimed, que será repassado para as mensalidades dos conveniados, ficará na marca dos 20%. A afirmação foi feita pelo presidente da Unimed/Bauru, o médico Carlos Eduardo Sacomandi. De acordo com ele, para aplicar um reajuste como esse é preciso apresentar à empresa que contratou o convênio e à Agência Nacional de Saúde

(ANS) as razões que levaram à necessidade do aumento.

"É preciso apresentar dados sobre o valor dos gastos que o plano prevê para aquela empresa e quanto foi utilizado. A partir desse levantamento é possível saber se o contratante cobriu as despesas durante o ano ou se houve gastos a mais. Essa planilha de custos tem que ser apresentada à Agência Nacional de Saúde", afirma Sacomandi. Alguns contratos já foram negociados e o aumento já está sendo repassado nas mensalidades. As últimas negociações devem terminar este mês, o que significa que a partir de julho, todos os convênios da Unimed que já chegaram à data de vencimento estarão com as mensalidades reajustadas.

De acordo com o presidente da Unimed, é por esse motivo que o índice de reajuste não é o mesmo para todas as empresas conveniadas. Segundo Sacomandi, na maioria dos contratos que já foram avaliados o reajuste ficou em 5,84%, que é o índice de inflação anual calculado pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM). Nos casos em que a utilização do plano de saúde pelos funcionários da empresa contratante ultrapassou muito o limite do convênio, a Unimed está negociando individualmente para chegar num acordo.

"Existem alguns casos que a defasagem está muito grande. Por exemplo, a empresa está utilizando mais de 80% do que está pagando. Nesses casos, nós estamos chamando os conveniados para conversar e tentar mostrar que não

é possível trabalhar com um prejuízo tão grande assim. Por isso é que existe a necessidade do reajuste. A nossa intenção é de trabalhar da forma mais justa possível, aumentando somente o que é necessário. Alguns planos nem terão reajuste, porque o valor pago está de acordo com o que foi utilizado", afirma Sacomandi.

De acordo com ele, após esse reajuste será feito um controle mensal da utilização do plano de saúde nas empresas para que, no próximo vencimento de contrato, não seja preciso definir reajustes muito altos devido à utilizações abusivas. "Mensalmente estaremos fazendo um acompanhamento e controle junto às empresas conveniadas no sentido de educar os usuários do plano para a utilização correta do convênio. Temos esse compromisso para tentar equalizar o que o plano paga e o que está sendo utilizado, para que das próximas vezes os reajustes não precisem ser altos", observa.

De acordo com Sacomandi, a relação de transparência com os conveniados é essencial no caso da Unimed, que possui o monopólio da contratação de planos de saúde na cidade. "Queremos uma relação bem transparente com os nossos contratantes porque ainda existe uma desconfiança muito grande por parte da população, pelo fato da Unimed não ter concorrência em Bauru", admite o presidente. Segundo ele, em duas empresas que utilizaram cerca de 180% a mais do que o convênio previa, provavelmente o contrato não será renovado.

Cotas

Em relação à polêmica questão da existência de um limite mínimo de consultas e limite máximo para a prescrição de exames que seriam determinados pela Unimed aos médicos que atendem por esse convênio, a reportagem obteve a resposta afirmativa a essa situação. A informação foi passada por um médico atuante em Bauru que concordou em falar diante da preservação do seu nome. De acordo com este profissional, a Unimed estipula que o médico tem que fazer o mínimo de quatro atendimentos diários a pacientes que utilizam o convênio da Unimed. Os exames teriam limite máximo de prescrição, que varia de acordo com cada tipo de exame.

Segundo este médico, se o número de exames pedidos ultrapassar essa cota máxima, que faria parte das metas gerenciais da Unimed, o valor excedente é descontado do salário do profissional. "Isso é ilegal. Todas as vezes que fizeram isso comigo, eu acionei a Unimed. Isso é um absurdo. Como eu vou escolher o paciente que eu vou atender? Então, teoricamente é estipulada uma meta gerencial, e aquele médico que ultrapassa as cotas da meta tem que justificar porque isso aconteceu. Se você justificar, fica tudo bem. Essa alternativa foi criada porque descontar do médico

é anti-ético perante o Conselho Regional de Medicina

(CRM). Em Bauru a situação não é das piores porque a Unimed tem muita força aqui. Em outras cidades, como São Paulo, e até mesmo da região de Bauru, a coisa é feia", diz o médico.

O presidente da Unimed, Carlos Eduardo Sacomandi, confirmou a adoção da cota mínima de consultas para pacientes atendidos pelo convênio com a justificativa de que os médicos não dêem preferência demasiada às consultas particulares. "Alguns médicos que são muito procurados, como endocrinologistas, vão preferir atender pacientes particulares. Então, o que a Unimed exige é que esse médico atenda pelo menos 40% da agenda dele com pacientes da Unimed. Se ele vai fazer dez consultas num dia, que quatro sejam de conveniados. Mas, também existem médicos que têm o maior número de pacientes com convênio da Unimed", diz.

Em relação à prescrição de exames, Sacomandi diz que os médicos têm a liberdade de pedir quantos exames o profissional achar necessário, porém, dentro de um cálculo feito pela Unimed para não ocorrerem abusos.

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