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Consumo de água

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 6 min

DAE investirá 2 milhões contra desperdício

Texto: Daniela Bochembuzo

Objetivo da autarquia é reduzir perdas de água no sistema de abastecimento de 27% para 24% do total produzido diariamente

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) deverá investir R$ 2 milhões até o final de dezembro para reduzir o desperdício de água registrado no próprio sistema de abastecimento. Do total de 97,2 milhões de litros produzidos diariamente, 26,6 milhões de litros são perdidos em vazamentos de tubulações e na Estação de Tratamento de Água (ETA).

Juntos, o DAE e a população desperdiçam 30,7 milhões de litros diariamente. Desse total, 74% são perdidos dentro do sistema de tubulação e 13% no ETA. No caso da estação de tratamento, a autarquia estuda projeto para aprimorar a limpeza das impurezas líquidas, como forma de reduzir as perdas de água pela metade.

O projeto da ETA deve ser concluído entre setembro e outubro, mas não há prazo de implantação em razão da avaliação de custos da obra. Enquanto isso, o DAE trabalha para reduzir as perdas mais expressivas, registradas no sistema de abastecimento.

Esse trabalho é feito por meio da qualificação dos funcionários do DAE e pela melhoria da tecnologia de reparo. Desde a gestão de Flávio Uchoa, a autarquia tem investido na aquisição de ferramentas novas para reparo das tubulações. A tecnologia permite a redução do tempo de reparo.

"Nosso objetivo é, até dezembro, passar a consertar o vazamentos no mesmo dia em que eles forem reportados pela população", adianta Sérgio Macedo, presidente do DAE. Segundo ele, atualmente, o conserto tem sido realizado em até uma semana, em média, após a notificação do problema.

Mensalmente, o DAE recebe cerca de 1.350 reclamações de vazamentos de água e 900 de esgoto. Desse total, 100 deixam de ser atendidos a cada mês. A demora para consertá-los, de acordo com o presidente da autarquia, deve-se à priorização de algumas reclamações.

"Damos prioridades aos vazamentos mais graves. A gravidade

é avaliada pela largura do encanamento e pela pressão da água. Quanto maiores forem a largura e a pressão, pior será o desperdício", explica Macedo.

Em outros casos, a demora pode ser motivada pelo local do vazamento. Se o problema for pequeno e registrado em local de fluxo intenso, o reparo pode ser realizado no final de semana.

Com os investimentos, o DAE espera reduzir os índices de desperdício no sistema de abastecimento dos atuais 27% para 24%, índice registrado no último quadrimestre do ano passado.

De acordo com Macedo, os índices europeus de desperdício atingem, em média, 22%. "Estamos pertos de taxas aceitas mundialmente e muito acima da média registrado no Brasil, que é de 40%", elogia.

Para o presidente do DAE, os investimentos de 2000 somente serão sentidos no futuro. Mesmo assim, a autarquia precisa manter a melhoria do sistema de abastecimento para evitar que o desperdício volte a aumentar.

Enquanto isso, Macedo pede a colaboração da população em caso do surgimento de vazamentos. O problema deve ser notificado ao DAE pelo telefone 0800-100195. O atendimento funciona 24 horas durante todos os dias da semana.

O desperdício de água

* No Brasil: 40%

* Na Europa: 22%

* No Japão: 15%

* Em Bauru: 27%

Histórico na cidade

* 1998: 35,7%

* 1999: 28,7%

* Setembro a dezembro de 1999: 24,5%

* Meta para 2000: 24%

Onde as perdas locais são registradas

* Domicílios: 12,96%

* ETA: 13,04%

* Tubulações: 74%

Fonte: DAE

Para ONGs de Bauru, DAE pode reduzir perdas em 10%

ONGs bauruenses ouvidas pela reportagem afirmam que é possível reduzir o desperdício de água em Bauru para até 10%. Atualmente, do total de água produzido na cidade, 27% são perdidos no sistema de tubulação e na ETA.

Enquanto a DAE investe para reduzir o índice de desperdício para 24% até o final de dezembro, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes) acredita ser possível fazer de Bauru uma referência mundial, a exemplo do Japão, que perde 15% do total de água produzida no país.

"Se compararmos com o índices brasileiros, que atingem 40% e até 50% de perdas, a taxa bauruense é baixa. Obras de melhoria no sistema de tubulação, no entanto, podem reduzir a perda para 15%, que é um índice mais aceitável", afirma Carlos Alberto Ferreira Rino, presidente da Abes.

Para que isso aconteça, Rino diz ser necessário que o DAE invista na qualificação da mão-de-obra e também na mudança do sistema, que apresenta tubulações antigas em alguns pontos.

De acordo com Sérgio Macedo, presidente do DAE, a maioria dos vazamentos registrados no período de seca acontece em regiões cujas tubulações são antigas.

Atualmente, a sede da Abes em Bauru oferece cursos a engenheiros e também a ONGs sobre gestão ambiental, lixo, tratamento de esgoto e outros temas ambientais. As aulas ajudam os profissionais e ambientalistas a repensar questões do meio ambiente, favorecendo o desenvolvimento de políticas públicas sobre o tema.

Para Rodrigo Agostinho, secretário geral do Instituto Ambiental Vidágua, a qualificação dos funcionários deve ser uma preocupação constante do DAE.

"A autarquia também poderia oferecer cursos de atualização para autônomos, como forma de melhorar a detecção e conserto de problemas ligados ao abastecimento", sugere.

Agostinho acredita que, se os investimentos forem mantidos, incluindo a aquisição de equipamentos de medição da pressão, o DAE pode reduzir o índice de desperdício para 10%. "A população tem responsabilidade nas perdas de água, mas o Município também, porque o desperdício maior é registrado na tubulação", conclui.

Crianças e adolescentes poderão ter aulas de educação ambiental

Além dos investimentos em equipamentos e qualificação de mão-de-obra, o governo federal estuda incentivar os municípios a adotar programas de educação ambiental nas escolas para que crianças e adolescentes aprendam a evitar o desperdício de água.

Esse será um dos temas do programa de Educação Ambiental, que será anunciado hoje pelos ministros Paulo Renato Souza, da Educação, e José Sarney Filho, do Meio Ambiente, durante entrevista coletiva em Brasília.

O objetivo dos dois ministérios é trabalhar em conjunto e articular as ações de Educação Ambiental nas instituições que compõem o Sistema Nacional de Meio Ambiente e o Sistema de Ensino.

Enquanto o programa não é implantado, muitas escolas de Bauru já incluíram em seus currículos a educação ambiental. Esse é o caso da EMEI Manoel de Almeida Brandão, localizada na Vila Falcão.

Com o apoio da diretora Lane Mary Faulin Gamba, a professora Maria de Lourdes Paula desenvolve programa de educação ambiental com seus alunos desde o ano passado. As diretrizes do trabalho também ajudam outros docentes a desenvolver o tema com o restante das 300 crianças matriculadas no estabelecimento de ensino.

As questões ambientais são trabalhadas por meio de debates, atividades lúdicas, plantações, atividades de compostagem e leitura. Ontem, por exemplo, as matérias sobre desperdício de água publicadas pelo Jornal da Cidade viraram tema de debate.

"Por causa da matéria, as crianças resolveram fazer um cartaz proibindo que as outros colegas deixem as torneiras pingando. Os alunos também pintaram e fizeram textos sobre o tema", conta a professora Maria de Lourdes.

De acordo com a professora, o trabalho ajuda a desenvolver a consciência ecológica nas crianças. "Estamos formando adultos mais conscientes sobre a problemática do meio ambiente. Se não fizermos isso agora, as gerações futuras sofrerão muito", adverte.

Na sexta-feira, os alunos da EMEI fazem passeata alertando os moradores da Vila Falcão sobre os problemas enfrentados pelo meio ambiente. (DB)

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