Pesquisador identificou faixa de freqüência de vozes na TCI
Texto: Ana Maria Ferreira
A transcomunicação instrumental
é um fenômeno pesquisado no mundo inteiro que vem ganhando um maior número de adeptos a cada dia e facilidades técnicas que permitem gravações em todo tipo de aparelho sonoro
A busca de contato com o mundo espiritual
é tão antiga quanto a própria humanidade, seja através da prática de rituais religiosos, depoimentos de experiências, desenvolvimento de pesquisas metafísicas e, principalmente, pelo interesse do ser humano em descobrir seu destino pós-morte. A pergunta "de onde somos e para onde vamos?" ainda não encontrou resposta, mas é o fio condutor das pesquisas científicas nas diversas áreas do conhecimento.
Um tema que tem atraído a atenção da mídia e de interessados em espiritualidade é a gravação de vozes paranormais, aquelas atribuídas aos mortos. O fenômeno conhecido como transcomunicação instrumental (TCI) tem na pesquisadora Sonia Rinaldi, autora de vários títulos sobre o assunto e fundadora a Associação Nacional de Transcomunicadores (ANT), o nome de maior expressão no Brasil.
Em Bauru, existe um grupo de estudos sobre o fenômeno que atraí técnicos da área de telecomunicações, como é o caso do professor Carlos Eduardo Noronha Luz, especialista em telefonia e sistemas elétricos, que realizou estudos sobre a freqüência das vozes paranormais partindo de análises feitas na Itália na década de 70. "As gravações demonstraram uma diferença entre a voz humana e a paranormal, captadas em determinadas condições, ou seja, a ausência da freqüência fundamental da voz. Essa freqüência
é medida por aparelhos e na voz humana é componente integral. "Baseado nesse estudo notei que existia uma energia, um deslocamento da freqüência fundamental da parte inferior do espectro deslocada para os componentes de freqüência mais alta da voz. Esse deslocamento de energia é atípico e específico de vozes paranormais. Isso fez com que a voz paranormal tivesse um componente parecido com a voz normal, ao nosso ouvido ela soaria como uma voz normal e, a medição feita pelos instrumentos confirmou que essa energia estava se deslocado para a parte superior do espectro. Esse trabalho foi publicado no Exterior e foi bastante reconhecido," explica Carlos.
O pesquisador submeteu algumas gravações de vozes paranormais a análise de equipamentos sensíveis
à modulação da voz humana e elaborou gráficos demonstrativos que deixam evidente a oscilação da freqüência fundamental da voz que permanece na parte de baixo do espectro, em comparação as gravações paranormais onde a oscilação se desloca para a parte superior do espectro. Isso serviu de comprovação técnica para apontar que existem diferenças sutis, percebidas apenas por equipamentos específicos de análise de sons, entre a gravação da voz humana e a mensagem recebida pelos transcomunicadores.
Vibração
O professor Carlos Luz explica que a freqüência fundamental de vozes está diretamente ligada a vibração das cordas vocais, ou seja, o número de vezes em que elas se abrem e fecham por segundo, e elas são tão mais baixas quanto mais grave é a voz. Numa voz grave , que tem cordas vocais longas, o número de vibrações
é de cerca de 90 vezes por segundo, correspondente a uma freqüência fundamental de 90 a hertz, comumente associada ao homem. A voz feminina e a infantil estão próximas, o tom de voz de criança e mulher estão na mesma faixa de freqüência, em torno de 200 hertz. A energia maior da voz está concentrada próximo dessas freqüências fundamentais. O exemplo utilizado pelo pesquisador, para explicar essas diferenças, é a comparação da vibração de uma mesma nota musical emitida por um piano e um violão. "É a mesma freqüência fundamental, só que a caixa do piano e a do violão vibram de maneira diferente e tem ressonância diferente. Elas amplificam determinadas componentes e isso resulta na diferença da nota emitida pelos instrumentos. Embora eles vibrem na mesma freqüência, essas componentes de alta freqüência que aparecem são determinadas pela caixa do instrumento".
Na voz humana as cavidades nasal e oral dão ressonâncias nessas componentes de freqüência de acordo com a geometria dos órgãos da voz. Isso poderá acentuar algumas características e atenuar outras. Essa concentração de energia, nas várias componentes harmônicas da voz, é específica de pessoa para pessoa. Isso pode ser usado como e identificação através de técnicas de fonética forense, através de coeficientes que aparecem nas análises que vão definir e identificar o autor da voz.
Canto dos pássaros
A TCI surgiu em 1958, através do pesquisador Iunguerson que tinha por hobby gravar vozes de pássaros no campo. Sem outra pretensão, ele notou o aparecimento de vozes na sua gravação dizendo frases que tinham sentido em várias línguas. Normalmente as mensagens referem-se hábitos particulares, nomes e situações
íntimas que somente a pessoa que já morreu conhecia.
Os estudos de vozes paranormais não foram aceitos pelos analisadores forenses, apesar do laudo de veracidade ter sido emitido pelo Instituto Galileo Ferrari, na Itália, onde a maioria dos técnicos europeus vai se especializar. Laudos do mesmo Instituto mostram a diferença entre a voz humana normal e a voz paranormal.
Em grande parte das gravações os pesquisadores conseguem identificar o autor da voz, e de acordo com as teorias mais avançadas a transmissão se dá através de ondas eletromagnéticas, fora do nosso espaço tempo, e para que elas possam entrar no nosso espaço tempo é preciso que exista um transdutor, alguma coisa que seja semimaterial.
"Hoje a física já considera seriamente a existência do hiperespaço, o nosso tempo contido dentro de um outro universo de múltiplas dimensões e isso é praticamente uma certeza científica, o que místicos e espíritas já vinham afirmando. Esses seres que se comunicam são de outras dimensões que tem tecnologia avançada para fazer gravações até em computadores, exigindo para isso uma tecnologia. Não é um fenômeno como outro qualquer, existe uma intencionalidade, uma sofisticação técnica", explica Luz.
Toda essa teoria esbarra no descrédito dos cientistas, em geral, mas alguns físicos têm se sentido atraídos pelo assunto e vêm desenvolvendo pesquisas em laboratórios altamente equipados. É o que aconteceu com o físico alemão, Ernest Senkowsky, da Universidade de Mainz, que desde 1976 se dedica à pesquisa da transcomunicação, sendo o criador do termo. Segundo declarações recentes de Senkowsky à imprensa, os fenômenos paranormais são interações físicas e psíquicas dentro de um sistema holístico complexo, sobre o qual as regras conhecidas de causa e efeito não podem ser aplicadas.
Poucos cientistas não demonstram preconceito em relação ao fenômeno, entre eles o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão e Euvaldo Cabral Jr., professor de Telecomunicações da USP, este
último autor de uma teoria que tenta provar que existem unidades de consciência geradas pelo ser humano que sobrevivem
à morte do corpo físico, o que causaria a interferência nas gravações de TCI.
O astrônomo Ronaldo Rogério Mourão acredita que a comunidade científica deva participar ao máximo dessas discussões para evitar a proliferação de informações falsas.
Reverso
As vozes reversas, um tipo de captação que acontece quando a mensagem é percebida ao se rodar a gravação de traz para frente, é o que de mais novo tem ocorrido na TCI. Existem estudos avançados sobre essa questão. Ela ocorre no momento em que o transcomunicador faz a pergunta sobre a possibilidade da comunicação entre os dois mundos. Ouvindo essa mesma pergunta no modo reverso tem-se a resposta. "Isso seria um fenômeno híbrido de TCI e mediúnica, porque tecnicamente é quase improvável esse tipo de gravação", comenta o pesquisador.
A gravação pode ocorrer em qualquer equipamento, num gravador simples, mas a decodificação dos sinais, a eliminação dos ruídos requer equipamentos sofisticados como um equalizador gráfico, analisadores de espectro, equipamentos que decompõe os sinais. O tratamento do sinal tem que se sofisticar, já a captação pode ocorrer de muitas maneiras.