Candidato, Tidei vê alianças "espúrias"
Texto: Nélson Gonçalves
O PMDB inaugurou a temporada de críticas eleitorais, no lançamento de sua candidatura, ontem, na Câmara Municipal
Nem o mais fanático dos amantes do futebol esperava a potente bateria de fogos de artifício no início da tarde de ontem, no centro da cidade. Entretanto, apesar do jogo entre São Paulo e Santos, pela final do campeonato paulista de futebol deste ano, os rojões tiveram apenas sentido político. O ex-prefeito Antonio Tidei de Lima (PMDB) foi lançado pelo partido, oficialmente, como candidato a prefeito. Com direito a rojões e banda, os peemedebistas lotaram o plenário da Câmara Municipal.
Tidei de Lima é o primeiro candidato a prefeito lançado solenemente, na eleição deste ano. A festa peemedebista contou com a presença de convidados ilustres, como o deputado estadual Gilberto Nascimento e os deputados federais Miltom Monti e Michel Temer. O presidente da Câmara dos Deputados atraiu as atenções, mas tratou de concentrar as palavras em cima do lançamento da candidatura de Tidei de Lima.
A julgar pelo conteúdo dos discursos de ontem, o PMDB vai tentar tirar o maior proveito possível das mazelas produzidas pelo pós-Izzo, na vida política recente da cidade. Até porque, a gestão de Tidei de Lima acabou se efetivando entre dois governos izzistas. O PMDB demonstra que de alvo principal no início da segunda gestão de Izzo como prefeito, a partir de janeiro de 1997, quer aproveitar a situação de caos administrativo deixada por até então seu principal adversário político para colher dividendos na eleição deste ano.
O PMDB que estava na Câmara Municipal de ontem demonstrou que vai apostar na reversão das críticas contra Tidei de Lima em cima do caráter moral da disputa eleitoral deste ano. Assim, os episódios que culminaram em denúncias de corrupção contra o principal adversário até então, Antonio Izzo Filho, agora surgem como elemento de aproveitamento pelo PMDB. O raciocínio que ficou do lançamento da candidatura do partido, ontem, é que Tidei de Lima escapou com apenas alguns arranhões da avalanche de críticas feitas pelo seu sucessor, em 1997.
O presidente do partido, Fernando Monti, foi um dos que mostraram esse conteúdo na reunião de ontem, na Câmara Municipal. Ele chegou a deixar um pouco de lado as regras de presidente do encontro, em alguns momentos, para enfatizar as qualidades em relação a Tidei de Lima. Os critérios de sua avaliação passaram pela competência
à experiência administrativa, mas também foram realçadas pelo conteúdo moral do candidato do PMDB
à Prefeitura. Além disso, Fernando Monti disse que Tidei de Lima é o único "candidato que não passou por outras legendas sem sentido prático, permanecendo no PMDB em tempos difíceis, em alta ou em baixa".
O vereador Futaro Sato prosseguiu apontando para os correligionários as virtudes do candidato a prefeito pelo partido. Em um trecho de seus discurso, Sato resumiu o ponto que será enfatizado pelo PMDB no período eleitoral: a experiência de Tidei com o apelo moral. "Durante muitos anos eu tenho reivindicado muito pela nossa cidade, desta tribuna, mas não tenho conseguido muita coisa. Mas é desta tribuna que eu tive a coragem de ajudar a limpar a sujeira e a corrupção do Município. Já provamos que temos compromisso com a cidade e o Tidei passou por todas as provações como prefeito", disse.
O deputado estadual Gilberto Nascimento seguiu com o raciocínio. Ele contou a história de um político que visitou um hospital e foi advertido sobre o risco da reação dos loucos que lá permaneciam. Ele completou que os loucos, na comparação, não ofereciam risco, porque não pensam. "Da mesma forma, os loucos se juntaram e colocaram Bauru nas páginas policiais. O Tidei tem integridade e os loucos não se juntam a ele", comentou.
O deputado federal Miltom Monti disparou que Tidei de Lima reúne o melhor perfil para ser o próximo prefeito e "mostrou que sabe administrar. O Tidei também mostrou que é um estadista, quando foi deputado. Bauru não pode mais se dar o luxo de arriscar". O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, arriscou que "Tidei de Lima
é um nome nacional e agora Bauru precisa dele de novo". Temer destacou que Bauru precisa enfrentar a retomada do desenvolvimento o "entusiasmo da militância do PMDB neste encontro demonstra que a cidade quer deixar os problemas do passado".
Eleição diferenciada
O candidato do partido, Tidei de Lima, reviveu na tribuna da Câmara Municipal discursos efusivos do passado. Com a Câmara Municipal lotada, Tidei de Lima aproveitou sua capacidade de provocar a reação dos militantes. Esta virtude, certamente será explorada pelo ex-prefeito, que, de passagem, já lembrou que nem todos os candidatos tem facilidade com a língua portuguesa.
O ex-prefeito comentou que esta é uma eleição diferente, em que "a mentira utilizada como instrumento para atingir o Tidei e o PMDB agora serão demonstradas para se refazer a verdade. Isto é uma questão muito séria e nos remete ao nazismo, quando as mentiras eram repetidas para tentar convencer de que era verdade". Para Tidei, "Bauru pagou caro e sabe que a verdade não se constrói com mentira".
O candidato a prefeito disse acreditar que "as alianças espúrias não vão sobreviver. Se cabe a mim liderar o movimento para a retomada da cidade, não fugirei. Estão fazendo aliança como cachaça e coco, que não fazem um embrulho no mesmo pacote. Também fazem laranjas, em alianças que não representam a verdade que querem demonstrar. Não vão passar a campanha com essas alianças fajutas, porque não vamos deixar. Tem laranja que até é construída sobre suco em pó", alfinetou em alusão clara a um de seus maiores adversários, o PDT da família Tobias.
Depois, outros peemedebistas comentaram que "as faces de candidaturas que parecem democráticas não vão passar desapercebidas da opinião pública, que verá que, na calada da noite, representam compromissos com grupos econômicos", como disparou Alex Gasparini, da ala da juventude do PMDB. Assim, o PMDB lança seu candidato com os principais adversários definidos, sem demonstrar, neste momento, preocupação com a formação de uma frente de partidos.