Cai faturamento das pequenas empresas
Texto: Paulo Toledo
As micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas apresentaram queda de 3,6% no faturamento, em abril, se comparado com março. De acordo com a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae-SP em parceria com a Fundação Seade, aponta que apesar do bom desempenho do primeiro trimestre, essa categoria de empresas enfrentou cenário de incertezas que levou ao resultado negativo.
Para o delegado de Bauru do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, as explicações para o resultado de abril vêm do setor externo: incertezas no comportamento dos juros americanos, gerando pressão sobre a cotação do dólar, tornando os produtos importados mais caros (notadamente a matéria-prima).
De acordo com ele, também a forte expansão econômica de abril se deu em função do incremento das exportações, o que ainda insignificante para as MPEs, ou seja, essas empresas de pequeno porte ficam à margem do comércio exterior.
Por setores, em abril, a indústria apresentou faturamento 4,3% abaixo de março, o comércio registrou queda de 3,8% e Serviços apresentou variação de menos 2,2%. Comparando-se o mês de abril com igual período de 1999, o faturamento médio das MPEs ficou 8% abaixo do faturamento de abril/99. A indústria apresentou faturamento de 7,8% abaixo de abril/99, o comércio ficou 6,5% abaixo de igual período do ano anterior e o setor de serviços registrou um nível de faturamento 14,7% abaixo do obtido em abril/99.
Na análise dos técnicos do Sebrae e da fundação Seade, o dado positivo é que em abril o pessoal ocupado nas MPEs paulistas teve uma variação de 1,9% em relação a março. Da mesma forma, os gastos com salários tiveram variação de 2,2% em relação ao mês anterior.
Bauru
Cafeo diz que, no Interior do Estado, segundo a pesquisa, a indústria sentiu mais a queda (confirmando a média do Estado), mas o comércio, de certa forma, "segurou" a queda. Segundo ele, a região de Bauru seguiu essa tendência.
"O mercado foi em compasso de espera. Efetivamente o menor número de dias úteis, mais a ausência de uma data forte para o comércio (onde se concentra a riqueza da região), os empresários das MPEs se sustentaram a partir do desempenho melhor dos meses anteriores".
O delegado do Corecon diz que deve-se considerar, ainda, que abril foi o mês de abastecimento de maio, que teve o Dia das Mães, portanto, mesmo com menores vendas, os empresários acabam vivendo a expectativa de melhor desempenho, mantendo equipe e adquirindo produtos. Todavia as MPEs do setor industrial não acompanharam o bom desempenho das médias e grandes empresas. "Maio teve o apelo do Dia das Mães, mas ainda vivemos momentos de certa insegurança, vindo dos EUA e ainda da Argentina - pacote econômico recessivo", destacou o economista.
A posição conservadora do Banco Central, no que tange aos juros básicos da economia,
é criticada por Cafeo. Para ele, as taxas adotadas não estimulam o incremento da produção na velocidade e volume desejado. Melhores números, diz, somente no segundo semestre, apesar do cenário demonstrar consolidação de algumas variáveis econômicas.
Tendências
Os técnicos do Sebrae e da Fundação Seade trilham caminho parecido e afirmam que, apesar do abril ruim, a perspectiva é que os indicadores do nível de atividade geral da economia melhorem, como já vem ocorrendo. Nesta esteira, ainda no primeiro semestre, a melhora do mercado de trabalho (mais no nível de emprego do que nos rendimentos) deve trazer um pouco mais de estímulo ao consumo de bens e serviços mais baratos e mais essenciais
- setores que contam com maior presença de MPEs.
Não obstante, as micro e pequenas empresas devem ficar atentas. De acordo com Marco Aurélio Bedê, gerente de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, o custo de capital tende a continuar muito elevado para as MPEs, que devem, portanto, seguir evitando estoques e continuar recorrendo com parcimônia aos recursos de terceiros. Portanto, esclarece, continuam valendo as recomendações de cautela enfatizadas nos últimos meses. Mas, neste momento, diz Bedê, apesar dos juros mais altos e do dólar mais
caro, alguns indicadores de desempenho da economia brasileira tendem a continuar exibindo melhora gradativa. Para o economista, a inflação segue bem comportada, embora ainda deva ser pressionada nos próximos meses por
aumento de tarifas de serviços públicos e de produtos cujos preços são influenciados pela taxa de câmbio (matérias-primas importadas e produtos cotados em dólar) - itens cuja contenção deve ser privilegiada na administração de custos das MPEs.