Mais quatro menores são recolhidos da rua em Bauru
Texto: Adriana Rota
Foi a segunda vez, num prazo inferior a uma semana, que menores de Agudos foram surpreendidos em situação de mendicância em Bauru. Vendas nos semáforos também preocupa
Mais quatro menores de Agudos, todos irmãos, foram recolhidos numa rua de Bauru pelo Conselho Tutelar, no último sábado
à tarde. Eles estavam em companhia da mãe, Silvia Pinheiro de Souza, 32 anos, que afirmou estar desempregada e adoentada, daí a necessidade de apelar pela mendicância. Seis dias antes, cinco crianças com idades entre 1 e 10 anos, moradores da mesma cidade, foram encaminhadas a uma entidade.
Os menores encontrados sábado, por volta das 15h30, na quadra 1 da rua Coronel José Figueiredo (Centro), tinham 7, 10, 13 e 15 anos de idade. Eles permaneceram abrigados numa instituição da cidade até segunda-feira, quando foram encaminhados para o Conselho Tutelar de Agudos, a quem cabe decidir seus destinos.
As cinco crianças que estão sob medida de proteção desde o último dia 4, por terem sido encontradas pedindo esmolas na quadra 7 da avenida Duque de Caxias, só voltaram para Agudos anteontem. Duas delas tiveram de receber tratamento para hepatite, incluindo o bebê de 1 ano de idade.
As três mães foram liberadas após depoimento nas delegacias, mas terão de responder a processos por abandono intelectual, correndo o risco de perderem a guarda dos filhos, especialmente em casos de reincidências. De acordo com o Conselho, a alegação mais freqüente refere-se a problemas financeiros.
Sacos de lixo
O Conselho Tutelar procedeu, uma semana atrás, à feitura de cinco boletins de ocorrência contra pais de oito crianças e adolescentes que vendiam sacos de lixo no cruzamento da avenida Getúlio Vargas com a rua Amadeu Sangiovani, região do Altos da Cidade.
A presidente do Conselho, Débora Cristina Fonseca, sugere
à população que efetue doações e compre produtos de entidades que tenham um programa de atendimento, mas que não o faça nas ruas da cidade. Isso, porque, além de contribuir para a multiplicação de pedintes e vendedores, muitas vezes explorados, não é possível saber qual o destino do dinheiro.
Ao deparar-se com crianças e adolescentes em situações do gênero, a população deve contatar o Conselho Tutelar (234-1281) ou a Polícia Militar (190). Débora solicitou que, caso a pessoa tenha tempo, pegue os dados pessoais dos menores e adultos que eventualmente os estejam acompanhando.
Como o Conselho conta com apenas uma viatura, se ela estiver atendendo outra ocorrência, pode ocorrer de os envolvidos não estarem mais lá quando conseguir chegar ao local. Além disso, tanto esse veículo quanto os dos policiais muitas vezes assustam os pedintes ou vendedores e seus acompanhantes, que acabam fugindo.