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Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 5 min

PTB estadual destitui diretório municipal

Texto: Daniela Bochembuzo

Com a decisão, partido confirma coligação com o PDT; Ricardo Carrijo é o nome mais cotado para ser o vice de Pedro Tobias

O diretório estadual do PTB destituiu o diretório municipal do partido em Bauru. A decisão foi tomada anteontem, após reunião envolvendo o deputado estadual Campos Machado, secretário-geral do PTB de São Paulo, o vereador Rogério Medina e Pedro Tobias, pré-candidato do PDT à Prefeitura.

Na reunião, o diretório estadual do PTB confirmou ainda que o partido irá se coligar com o PDT e indicará o vice de Pedro Tobias. O nome mais cotado para ocupar o cargo

é Ricardo Carrijo. Sua indicação, aliás, já teria sido confirmada no encontro, que foi realizado na Assembléia Legislativa.

Com a destituição, José Valter Lelo Rodrigues deixa a presidência do diretório municipal do PTB, sendo por Rogério Medina. O vereador também passa a ser coordenador do partido na região de Bauru.

Além de Medina, a comissão provisória tem como integrantes Ricardo Carrijo, Osvaldo Sbeghen, Paulo Agustinho, João Assab, James Rufino e Caio Coube. Caberá à comissão formalizar a coligação com o PDT e analisar os nomes que poderão ser o vice de Pedro Tobias.

De acordo com o presidente da comissão provisória, sete nomes estão sendo cogitados para ocupar o cargo: Rogério Medina, Paulo Agustinho, Roberto Bueno, Osvaldo Sbeghen, Caio Coube e Ricardo Carrijo. De todos, apenas Bueno não faz parte da nova direção do partido em Bauru.

Apesar da aparente democracia em torno da escolha do vice, o cargo já teria sido definido, como afirma o próprio Lelo.

"Em conversa ontem (anteontem), Medina me disse que o vice já estava acertado e seria o Carrijo", afirma.

As negociações entre o diretório estadual do PTB e o PDT começaram na última segunda-feira e encerraram-se ontem. Todo o processo teve articulação de Campos Machado e participação direta de Pedro Tobias.

Apesar de não democrática, a destituição do diretório municipal do PTB não é vista como uma intervenção estadual por parte de Rogério Medina. "Destituição e intervenção são processos diferentes. Ninguém está empurrando goela abaixo uma decisão. Não está se impondo nada", garante.

Para o presidente da comissão provisória, a prova da ausência de imposição está no fato de que o posicionamento do diretório municipal do PTB vem sendo analisado há três meses pela executiva estadual do partido. "Era algo esperado", acredita.

A expectativa, no entanto, não se confirma entre os petebistas bauruenses. A maioria deles recebeu a notícia da destituição com surpresa e pesar. Há desconforto no partido, ao contrário da harmonia alegada por Medina.

Hoje, o presidente da comissão provisória espera diluir o mal-estar por meio de uma coletiva de imprensa, cujo horário deverá ser confirmado no período da manhã. Além de Medina, outros membros da nova direção municipal do PTB deverão participar da entrevista.

A pauta da coletiva será apenas a destituição, cuja comissão provisória deve ser registrada no cartório eleitoral hoje. O assunto coligação PSDB-PDT não será abordado, assegura Medina. "Essa

é uma questão que compete apenas aos dois partidos. Nosso objetivo, a partir de agora, é formar uma frente forte para vencer a eleição", conclui.

'Ato fere a democracia e a cidadania', desabafa Lelo

Filiado ao PTB há 20 anos, José Valter Lelo Rodrigues recebeu a notícia de sua destituição ontem

à noite, após telefonema do vereador Rogério Medina. A notícia pegou o então presidente do diretório municipal do PTB de surpresa.

"Como acontece com as notícias bombásticas, fiquei atordoado. Não posso dizer que fiquei alegre com o comunicado, isso seria uma mentira da minha parte", diz.

Desconfortável com a situação, Lelo critica o que chama de rito sumário. "Não tive tempo de defesa. Apanhei sem saber e, até o momento, avalio que tudo foi feito de maneira drástica. O ato fere a democracia e a cidadania", afirma.

Definindo-se como um autêntico petebista, Lelo acredita que a situação poderia ter sido tratada de maneira diferente.

A condução antidemocrática da situação causou mal-estar entre os petebistas bauruenses. Muitos deles ligaram para Lelo, ontem, pedindo informações. O ex-presidente municipal confirmou a destituição e garante que o fez "sem exageros".

Outro fator ainda pouco deglutido entre os petebistas é que o atropelamento da candidatura própria do diretório municipal à Prefeitura. A chapa seria encabeçada pelo próprio Lelo.

Lelo, aliás, já havia convocado a convenção municipal por meio de edital. O evento, que seria realizado no dia 24, agora será no dia seguinte, um domingo.

Apesar de estar triste com a situação, Lelo garante que continuará no partido e apoiará suas decisões futuras. Ele evita, no entanto, comentar as negociações que levaram à coligação entre o PTB e o PDT.

"É questão de escolha. Eles decidiram assim e vão agilizar a candidatura de Pedro Tobias. Agora, a população fará a análise do que está acontecendo", conclui.

Sem a vice, tucanos se reúnem para discutir rumos do partido

A confirmação da coligação entre o PTB e o PDT e a indicação de um vice petebista para a chapa encabeçada por Pedro Tobias deixaram os tucanos em polvorosa, ontem.

Entre a cúpula do PSDB, os comentários tinham como objetivo analisar se as negociações de Pedro Tobias feitas diretamente com a direção estadual do PTB imprimiriam uma marca 'tirânica' à sua candidatura.

Entre os formadores de opinião e a própria classe política, o ato está sendo visto sim como antidemocrático. Os tucanos temem que, com essa imagem, a candidatura de Tobias perca fôlego entre os simpatizantes da esquerda, com os quais o pedetista flerta.

A intervenção no PTB também está sendo analisada como um aviso. Muitos tucanos já cogitam que o mesmo possa acontecer no diretório municipal do PSDB, fato que têm levado alguns militantes a voltar a estudar o estatuto do partido.

Ontem à noite, a cúpula tucana se reuniu para discutir, principalmente, a indicação de um petebista para a chapa encabeçada por Pedro Tobias. Até o fechamento desta edição, a reportagem não conseguiu falar com Natan Chaves e Rubens Spíndola sobre o assunto.

(DB)

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