Geral

Fim da greve

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Unesp deve voltar às aulas na segunda

Texto: Ieda Rodrigues

O câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em greve há 50 dias, deve voltar às aulas na segunda-feira. Hoje pela manhã professores, funcionários e alunos fazem assembléia para apreciar o indicativo de pôr fim à greve nas universidades estaduais paulistas proposto pelo Fórum das Seis (entidade que reúne sindicatos de professores e funcionários da Unesp, USP e Unicamp).

O Fórum das Seis decidiu indicar o fim da greve após reunião que durou cerca de 12 horas com o Conselho de Reitores do Estado de São Paulo (Cruesp). A tendência é Bauru acompanhar o indicativo do Fórum das Seis, até porque professores e funcionários conquistaram reajuste de 15% sobre o salário de março e uma política salarial que contempla repasses para os salários, a partir de outubro, se a arrecadação com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) for acima do prevista. A categoria reivindicava 32% de reajuste.

Norival Aguinelli, presidente da Associação dos Docentes da Unesp de Bauru (Adunesp), disse que o câmpus da Unesp de Botucatu decidiu, em assembléia realizada ontem, voltar às aulas na segunda-feira. O Colégio Técnico Industrial (CTI), que tem 700 alunos em cursos de ensino médio profissionalizante, da Unesp de Bauru voltou às aulas anteontem.

O diretor do CTI, Carlos Augusto Magalhães, explicou que a volta às aulas foi antecipada por uma questão de calendário. Por ministrar ensino médio, o CTI

é subordinado à Diretoria de Ensino e tem que, obrigatoriamente, desenvolver o conteúdo programático dentro dos 200 dias letivos.

O calendário de reposição das aulas não dadas ainda está sendo montado, mas Magalhães antecipou que haverá reposição no recesso de julho. O calendário de reposição nas escolas estaduais ainda não está totalmente definido. Ontem, a dirigente regional de Ensino de Bauru, Edinéa Sita Cucci, estava em São Paulo, na Secretaria Estadual de Educação, para tratar do assunto.

Duílio Duka de Souza, diretor e coordenador do Sindicato dos Professores da Rede Oficial do Ensino do Estado de São Paulo (Apeoesp), disse que se o Governo não pagar os dias parados os professores não vão fazer reposição em julho. A decisão, segundo contou, foi tomada em assembléias da categoria.

A greve acabou, mas a luta dos professores por salário e qualidade de ensino continua, segundo Duka. Ele disse que a Apeoesp, Centro do Professorado Paulista (CPP) e Udemo, através de outdoors em todo o Estado, vão denunciar Mário Covas e Rose Neubauer (secretária de Educação) pelo que as entidades entendem por descaso com o ensino público.

As entidades que representam os professores e funcionários do magistério, segundo contou Duka, vão promover um Dia Estadual de Luto, cuja data ainda não está definida, e vão fazer um ato público, no dia 12 de julho, com todos os setores do funcionalismo público

"para tentar colocar a educação no centro das atenções".

Sobre afirmações feitas por Covas, de que não sabe se vai pagar o abono que ele ofereceu, mas os professores não aceitaram, Duílio Duka disse que "alegar falta de dinheiro é balela". No entanto, ele ressaltou que a categoria não aceitou a proposta porque a considerou muito ruim - o abono varia de R$ 48,00 a 80,00, dependendo da carga horária do professor, e reajuste do tíquete-refeição de R$ 2,00 para R$ 4,00 - e porque não é extensiva aos aposentados.

Comentários

Comentários