Geral

Arte circense

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Tem cheiro de circo no ar

Eles estão chegando para ficar. E isso é muito bom para quem é apaixonado pela arte circense e quer ver muita brincadeira e acrobacia. Tripulantes é um grupo formado inicialmente por três pessoas diferentes mas com um ideal em comum: levar o mundo do circo para espaços alternativos.

Mas como assim? Na verdade, a brincadeira está apenas começando, mas a turminha do JC Criança, sempre antenada no que envolve o mundo do circo, precisa conhecer e acompanhar essa trupe. Formado por Rodrigo Altheman Lopes, 24 anos, Yuri Domeniconi, 19 anos, e Júlio Hernandes, 27 anos, o grupo Tripulantes quer levar apresentações circenses para lugares onde as pessoas não imaginam que seria possível, espaços que não tenham uma estrutura preparada, como viadutos, pátios, praças, enfim, qualquer lugar onde a arte possa ser transmitida. Pendurados em estruturas de ferro, arcos, trapézios, ou mesmo em cordas de tecido, esses artistas desafiam seus limites e fazem um espetáculo de movimento e surpresas. Na terra, vem o clown (palhaço), as acrobacias de chão, os malabares... As gagues - aquelas cenas cômicas - também fazem parte do trabalho do Tripulantes. Eles comentam: "a criança precisa ver a simplicidade do circo". E é aí que a gente entra, na busca pela magia e pelo encanto destes seres mágicos que são os artistas circenses. Mesmo aqueles que não nasceram sob a lona, mas que têm nas veias um sangue de circo.

O que você acha de um circo que não faz apresentações de animais e sim de gente? Um circo onde as pessoas fazem o show.

É trapézio, malabares, arame, corda indiana, perna-de-pau, palhaço, globo da morte, acrobacias, pirofagia... É claro que a gente gosta de ver a beleza dos animais em cena, mas nada é mais emocionante que o número do trapézio.

É preciso coragem e precisão.

Como começou

A turma que faz parte do Tripulantes já tinha uma formação específica na área, cada um a seu modo. Júlio Hernandes é ator desde 1983 e mímico desde 90. Em seu primeiro contato com o circo Anahí, ainda criança, se encantou por aquelas "pessoas diferentes". Rodrigo

é um apaixonado por música, pesquisando ritmos e sempre preocupado com "o porquê" das coisas. Ele também gosta de criar e faz desenho industrial na Unesp. O Yuri faz ciências biológicas na Unesp e é muito ligado aos movimentos do corpo. Ele já fez ginástica olímpica por bastante tempo e capoeira. "Cada um à sua maneira, mas tanto a ginástica como a capoeira exigem atenção e coordenação. Um erro pode ser muito prejudicial." É o Yuri que "manda" a turma fazer alongamentos antes dos exercícios de circo para ninguém se machucar.

Eles participaram, em fevereiro, de um curso de circo na Oficina Cultural Regional "Glauco Pinto de Moraes" ministrado por Coré Valente, um bauruense que desenvolve um trabalho interessante na área de dança, teatro, circo...

O que vem depois

Mas você pensa que acabou? Não! Júlio, Rodrigo e Yuri vão estar ensinando técnicas circenses para a meninada. Eles já estão "acampados" na Oficina Cultural e vão ministrar uma oficina de circo para interessados com idade entre 7 e 12 anos, a partir de setembro. Como o número de vagas será limitado, é importantíssimo que você fique ligado para não perder o período de inscrição. E não vale faltar às aulas. Serão quatro meses de curso, em que a meninada vai aprender a cuidar do corpo, a fazer malabares, andar de perna-de-pau, conhecer o trabalho de palhaço... Pensa que é fácil fazer rir? É muito difícil! E também não

é do dia para a noite que a gente se descobre palhaço.

É preciso se conhecer, aprender técnicas e depois montar o seu palhaço. É um tempão! Ou vocês acham que o Arrelia nasceu assim, num piscar de olhos?

Falando nisso, é difícil falar de palhaço e não lembrar do querido Gira Gira, que esteve com a meninada no Circo da Criança, em 98, e fez muita gente chorar de rir com suas piadas. Mesmo depois de Wilson Nogueira (Gira Gira) deixar seus espectadores neste mundo, suas palhavras ficam: "Quem nunca furou uma lona para assistir a um espetáculo de circo, não teve infância". Refletindo sobre isso, é legal a gente pesquisar um pouco sobre o assunto. A gente não pode deixar de valorizar a arte circense. A idéia de Gira Gira pode estar em cada canto, onde houver uma platéia. Não precisa ser uma lona "de verdade", mas um espaço onde a arte possa ter vida.

Informações sobre o grupo Tripulantes 231-2170 com Yuri.

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