Meningite causa a morte de funileiro em Bauru
Rapaz foi internado duas vezes antes de a doença ser diagnosticada
Texto: Fabiana Teófilo
O funileiro Marcos Antônio Thomaz, 34 anos, que estava internado no Hospital de Base (HB), morreu na última sexta-feira vítima de meningite, depois de ter passado várias vezes pelos Prontos-Socorros Central e da Bela Vista.
O irmão de Marcos, Claudemir Thomaz, registrou boletim de ocorrência no dia 15 de junho, por preservação de direito. Para ele, se o seu irmão tivesse recebido atendimento adequado, o estado de saúde dele não teria se agravado e não teria morrido. "Eles tinham que ter feito o exame de meningite logo no primeiro dia", afirmou.
Claudemir contou que no dia 22 de maio Marcos Antônio foi levado, pela primeira vez, ao Pronto-Socorro Central sentindo fortes dores de cabeça, tontura, vômito e rigidez na nuca. Estes são os sintomas de meningite, mas o médico que o atendeu não teria solicitado exame para comprovar ou não a doença.
No mesmo dia, foi realizado um exame de sangue e receitado alguns medicamentos como Ampicilina, Voltarem e Dipirona. Medicado, Marcos Antônio recebeu alta e voltou para casa, mas os sintomas persistiram e no dia 4 de junho, ele retornou ao Pronto-Socorro Central, quando, de acordo com os prontuários da unidade de saúde, foi diagnosticada cefaléia.
Os mesmos medicamentos foram receitados e, novamente, os médicos o mandaram de volta para casa. No último dia 9, a família de Marcos, depois de tentar, mas não conseguir uma consulta a um médico particular, o levou ao Pronto-Socorro da Bela Vista. "Fomos ao P.S. da Bela Vista porque nos disseram que lá o atendimento seria melhor", afirmou Claudemir.
O médico que atendeu Marcos no P.S. da Bela Vista fez o diagnóstico de meningite do tipo viral. Dessa vez, o médico solicitou a internação do paciente, mas no dia seguinte, o mesmo médico teria dito à família que a internação não seria mais necessária e o mandou, novamente, para casa.
No domingo, dia 11, Marcos foi novamente levado ao P.S. da Bela Vista e o médico que o atendeu solicitou que ele fosse internação. Mas, por falta de vagas, Marcos continuou aguardando, no P.S. De acordo com o prontuário médico desse dia, o paciente apresentava meningoencefalite viral.
Claudemir contou que esteve em vários locais e solicitou uma vaga no hospital para seu irmão a diferentes pessoas, mas não conseguiu. No dia 13, Marcos sofreu uma parada respiratória e, dessa vez, foi encaminhado às pressas
à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base
(HB), em estado de coma profundo. No dia 16, Marcos não resistiu e morreu.
Claudemir acredita que a morte de seu irmão foi ocasionada por negligência médica. Ele pretende entrar com uma ação contra os médicos que atenderam seu irmão. "Não deram atendimento adequado ao meu irmão. Ele estava muito ruim e mesmo assim não o internaram", disse.
A diretora do Departamento de Urgência e Emergência, Marília Garcia, disse que investigará se houve problema no atendimento médico se a família de Marcos apresentar a denúncia por escrito relatando tudo o que aconteceu.
"Não posso tomar nenhuma decisão se não souber o que houve dos dois lados. A partir do momento que receber a denúncia, averiguarei o que aconteceu", afirma.
A diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu, foi procurada, mas não retornou as ligações para comentar a morte por meningite.