Inverno começa após 81 dias com chuvas raras
Texto: Adriana Rota
O inverno começa hoje e segue até 21 de setembro. Embora seja uma estação tipicamente seca, este ano ela pode agravar ainda mais a saúde dos mais sensíveis, porque há 81 dias as chuvas já estão escassas
O inverno tem início às 22h48 de hoje. Ele marca a entrada num período típico de seca, que pode agravar o estado de saúde de muita gente. Isso, porque, as chuvas escassearam mais cedo do que o normal: abril, quando o habitual seria um mês depois - em 81 dias, foram apenas 183,8 milímetros. A tendência deve permanecer até, pelo menos, o mês de agosto.
O meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp de Bauru (IPMet), Luiz Fernando Nachtigall, explicou que o inverno começa oficialmente hoje, de acordo com os cálculos astronômicos. Meteorologicamente, os ingressos de massas de ar frio com temperaturas mais baixas já o caracterizam.
Por enquanto, a temperatura mais baixa do ano foi em 29 de maio
(oito graus). No ano passado, o recorde foi 5,2 graus, em agosto. Ele explicou, ainda, que os fenômenos que trazem precipitações para o período são as frentes frias, que estão com atividade fraca ultimamente.
A média climatológica considerada normal para junho
é de 62,8mm de chuvas. Até ontem, esse número estava na casa dos 0,3mm. Chega-se à quantidade considerada normal após o recolhimento de dados durante anos seguidos. Em 1999, no mesmo período, foram registrados 98,7mm de chuvas.
Nas próximas 24 horas, a situação não deverá ser diferente, porque não existe previsão de chuvas para a região. Também não há tendência para amanhã, quinta ou sexta-feiras. Um ligeiro declínio da temperatura será registrado a partir de hoje à noite, continuando até quinta. A mínima para hoje ficará entre 16 e 18 graus. A máxima, entre 26 e 28. A nebulosidade será variável, mas pequena ao longo do dia.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) prevê um inverno típico, com poucas chuvas. Mas não há como atribuir a estiagem a um fenômeno específico, como o La Niña, conforme afirmou o meteorologista Marcos Barbosa Sanches, em matéria publicada no dia 23 de maio deste ano. Naquela época, o fenômeno já estava perdendo forças.
Já o chefe da Divisão de Meteorologia Aplicada do Instituto Nacional de Meterorologia (INMet), Expedito Roland Rabello, disse, em matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, no início deste mês, que o déficit pluviométrico poderá comprometer o abastecimento de água na maioria das cidades paulistas.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE), alerta a população para o uso racional da água, já que a vazão do Rio Batalha tem oscilado nos últimos tempos. O normal
é mil litros por segundo. Ontem, estava em 800. No entanto, na semana passada, chegou aos 500, bem próximo dos 400, quantidade que determina o racionamento. Quarenta e sete por cento da cidade é abastecida pelo Batalha, o que torna a economia indispensável nesta época.
Saúde
Tempo seco e frio, fogo em mato, aglomerações. Esses são apenas alguns dos ingredientes "explosivos" que contribuem para prejudicar a saúde de muita gente nesta
época, especialmente daquelas pessoas que têm doenças respiratórias e alergias.
O pneumologista Carlos Eduardo Sacomandi explica que as características climáticas deste período provocam uma desidratação maior da mucosa respiratória (ela perde água para o meio), ficando menos resistente ao contato com os vírus.
Essa, também, é uma época de multiplicação mais fácil desses seres, que são facilmente trocados entre as pessoas através de um simples espirro ou tosse. O médico ressalta a importância de manter uma boa alimentação, tentar livrar-se do estresse e ter boas horas de sono.
No entanto, segundo o especialista, o segredo principal está em manter o organismo bem hidratado, bebendo muito líquido. O soro fisiológico também pode ser um importante aliado, seja aplicado diretamente ou através de inalações. Outra dica é manter vasilhas de água umedecendo do ambiente.
Quanto aos alérgicos, o médico explica que a alteração inflamatória das mucosas respiratórias, decorrente do contato com o agente agressor, facilita ainda mais o aparecimento de problemas. O acompanhamento médico é sempre indicado e, o uso indiscriminado de remédios, especialmente antibióticos,
é condenado.
Dentre outros prejuízos, eles podem eliminar as bactérias normalmente encontradas na flora do sistema respiratório, que protegem contra os agentes invasores, deixando o caminho livre para sua atuação.