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Adriana Rota
| Tempo de leitura: 3 min

DIG localiza vítima de seqüestro

Texto: Adriana Rota

O cozinheiro desempregado Dorival Ferreira teria sido seqüestrado na última segunda-feira. A autoria do crime foi escondida pela vítima, que disse temer represálias. Depois, revelou que teria sido um primo

A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), localizou, ontem à noite, o cozinheiro desempregado Dorival Ferreira, 38 anos, que teria sido vítima de um seqüestro na manhã da última segunda-feira. As investigações continuam para apuração da autoria.

Ferreira contou ao delegado J.J. Cardia que estava à procura de emprego, quando resolveu passar numa agência bancária localizada no interior da Unimed, na rua Gustavo Maciel. Antes de entrar, teria sido abordado por três homens, que avisaram para erguer as mãos, pois estariam armados.

O grupo dirigiu-se, então, até o Escort azul claro de placas BJJ 5000, Jaú, onde outros dois homens os aguardavam. Com um pano escuro no rosto, a vítima só teria percebido que o carro transitou por cerca de uma hora dentro da cidade, notando as paradas em virtude dos semáforos.

Em seguida, teria sido levado para uma casa, com chão de terra batida, sempre com uma arma apontada para a cabeça. Como alimento, somente uma marmita azeda, um copo de água salgada e um pão durante todos esses dias. Ferreira afirmou que os homens vestiam uma farda cinza clara, mas não soube precisar se tratava-se de uma equipe de segurança ou de policiais militares.

Os seqüestradores teriam obtido o telefone de sua sogra na pasta na qual ele carregava seus documentos pessoais. Embora tivessem celular, às vezes iam até orelhões para ligar para a companheira de Ferreira, Ester Correia. Ele seria forçado a acompanhar, sempre impossibilitado de enxergar. A vítima descreveu ruídos de carros e de fábricas e que, no primeiro dia, teria recebido uma bebida para dormir. O resgate solicitado à família teria sido de R$ 1 mil, cuja utilização seria a fuga do País.

Contradições

O seqüestro foi comunicado à polícia na madrugada de terça-feira, por Ester. Consta no boletim de ocorrência que Ferreira teria saído de casa às 7 horas do dia anterior e deveria retornar às 12 horas, o que não ocorreu. Às 23 horas, o irmão de Ester, Benedito Donizeti Correia, teria recebido um telefonema anônimo dando conta do seqüestro.

O delegado J.J. Cardia contou que a equipe começou a investigar o caso a partir das 4 horas de segunda-feira. Foi necessário obter autorização judicial para o rastreamento das ligações. Às 20 horas de ontem, conseguiram chegar ao seqüestrado, que estava nas proximidades do trevo de Piratininga. Ele teria sido deixado no local pelos seqüestradores, que "viram que não ia mais ter jeito", de acordo com Ferreira.

Encaminhado ao Pronto-Socorro Central, procedimento de rotina, constatou-se apenas um ferimento no calcanhar, que teria sido causado pelas cordas que o mantinham preso no cativeiro, e uma alteração de pressão. De acordo com o delegado, as condições de saúde de Ferreira indicavam que teria alimentando-se nos últimos dias, embora negasse.

A verdade

Desde o início das investigações, Cardia teria notado algumas contradições. Informado dos riscos que corria caso não contasse a verdade para o delegado, Ferreira informou que está desempregado há oito meses e tinha uma dívida antiga com um primo de segundo grau, morador de São Paulo, devido à venda de um aparelho de som.

O parente o estaria pressionando a pagar. Ferreira teria dito, então que ia ao banco, onde foi surpreendido pelo primo e mais dois homens, que seriam guardas municipais em São Paulo. O cativeiro teria sido uma igreja "pequena e escura" próxima à Piratininga. O carro seria aquele mesmo. O parente teria até efetuado um disparo de arma na calça de Ferreira, sem atingi-lo, mas de forma que simulasse um tiro verdadeiro.

O grupo teria desistido do seqüestro por "desânimo", e deixado Ferreira nas proximidades do trevo de Piratininga. O cozinheiro disse sentir-se arrependido e que mentiu na primeira versão porque temeu por represálias. As investigações prosseguirão na DIG, para apuração da autoria do crime.

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