Geral

Fobias

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 7 min

Medo é causado por inúmeros agentes

Texto: Sabrina Magalhães

Fogo, água, ar, trovão, altura, escuro, claridade, sangue, estranhos, sujeira, doença, lugares abertos, lugares fechados, são alguns tipos de fobia

Teoricamente, qualquer situação, objeto, animal ou fenômeno pode gerar uma fobia. E a relação destes chamados agentes fóbicos é imensa, segundo os especialistas. Nesta lista, alguns são encontrados com mais freqüência nos consultórios.

É o caso da acrofobia - medo de altura. A pessoa que sofre deste mal simplesmente não consegue permanecer em sacadas de edifícios, tem dificuldades em subir escadas com muitos degraus, evita se aproximar de janelas, não sobe em árvores, e assim por diante. Quando nestas situações, o fóbico tem a nítida sensação de que seu corpo está pendendo para baixo, como se ele não tivesse condições de lutar contra a força da gravidade e fosse realmente despencar.

Racionalmente, ele sabe que só vai cair se se jogar. Ele sabe que ninguém cai da janela só por estar olhando através dela; sabe que os riscos de que ele caia da escada são mínimos. Mas quando olha para baixo, tem a sensação de que a parede e a janela (sacada, etc.) vão desmoronar... Ele tem a impressão de que os degraus estão ficando estreitos e o pé dele vai escapar dali e ele vai rolar abaixo.

Neste momento, o pavor toma conta do fóbico de modo que o coração dispara, o ar começa a faltar, as pernas amolecem. As mãos perdem a força, ele não consegue segurar nos beirais ou afirmá-las na parede. E, quando a crise é forte, ele acaba sentando-se no chão, pois já não confia na sustentação das próprias pernas. Fisicamente, é como se ele já estivesse caindo, com a sensação de vácuo sob os pés.

Por saber que aquilo é um mal-estar só dele, o indivíduo começa a fugir das alturas. Pode perder um passeio com amigos, pode ficar sozinho enquanto os outros "escalam" as pedras na praia para tirar fotos. E tudo isso acontece com as demais fobias. Apesar das causas serem diferentes, a sensação

é de total impotência diante de uma iminente "morte".

Agorafobia

Lê-se ágora-fobia e é o medo de não conseguir sair de lugares públicos, como shoppings e cinemas. O fóbico fica o tempo todo pensando que um acidente (explosão, incêndio, assalto) pode acontecer a qualquer momento ou que ele vai sentir-se mal e vai ter que sair dali às pressas. Quando sente que a "fuga" ou o socorro podem ser difíceis, entra em pânico, ou simplesmente não entra no local.

"Nestes casos, o fóbico pode até entrar no lugar, mas ele já entra procurando a janela, a porta de saída, a saída de emergência, tenta imaginar o número de pessoas que está ali, para ver se daria tempo de todos evacuarem o local em caso de emergência. Enfim, coisas que a maioria não faz. A gente não entra no shopping preocupado com os recursos de segurança. A pessoa acaba se aprisionando na própria doença", diz Sílvia Pessoa.

Muito semelhante à agorafobia é a claustrofobia, que é o medo de lugares fechados e tumultuados, como o elevador lotado ou a multidão na saída do estádio. Nestes casos, a sensação é de estar sendo esmagado e sufocado.

Nictofobia

É o nome que se dá ao medo do escuro. Ao acordar de madrugada, por exemplo, a pessoa sente-se completamente perdida. Além de todo o mal-estar da crise fóbica, existe o desespero de não se conseguir encontrar o interruptor da luz, a porta ou a janela. Em sã consciência, ao acordar no meio da noite, todo o mundo sabe para onde ir, qual

é a direção da porta, do interruptor de luz. Até porque, a vista se acostuma à escuridão em pouquíssimos segundos e já é possível enxergar os objetos no quarto. Para o fóbico, é como se a escuridão fosse total e irreversível.

O contrário disso é a fotofobia - medo da luz. Quem sofre de enxaqueca, por exemplo, pode manifestar este sintoma: durante a crise, ela necessita estar em quartos completamente escuros, pois a claridade faz aumentar a dor.

Tem também a aerofobia, que é o medo do ar. Essas pessoas têm a sensação de estarem asfixiadas, por exemplo, quando a janela está aberta. O simples movimento da cortina é suficiente para desencadear a crise.

E a pirofobia, que é o medo do fogo. Muitas vezes, a pessoa se desespera ao ver alguém fumando ou acendendo um isqueiro perto dela. A proximidade com o fogo faz parecer que a pessoa pode se descontrolar, o isqueiro ou cigarro cair sobre papeis ou madeira e iniciar um incêndio, do qual ela "certamente não vai escapar".

Hidrofobia

Outra fobia bastante comum é a de água. Pessoas que sofrem deste pânico chegam a restringir bastante a própria vida, pois elas ficam impedidas de freqüentar clubes, evitam ir à praia e sequer assistem aos esportes náuticos. Em casos extremos, até o banho se transforma em martírio, pois, basta o barulho da água caindo, para desencadear a crise.

Pessoas que sofrem de hidrofobia relatam que até para beber

água, vitaminas ou sucos (principalmente os de densidade mais cremosa), a fobia atrapalha: ao virar o copo na boca, a impressão

é de que aquilo vai parar na garganta e asfixiar.

Segundo os fóbicos, nos momentos susceptíveis à crise, só de ver a água pela televisão eles já se sentem sendo "engolidos" pela inundação, o ar começa a faltar e eles têm uma necessidade enorme de sair correndo para o quintal, para a rua ou qualquer outro lugar onde possam ter certeza de que vão poder respirar.

Associadas à hidrofobia, também podem aparecer a brontofobia (medo de trovões) ou a astrofobia (medo de relâmpagos). Aí, pode-se ligar também ao medo do barulho ou a medo da claridade, que fazem com que os dias chuvosos pareçam o próprio Juízo Final.

Mania de limpeza

Existem também a bacterofobia (medo de germes e bactérias) e a misofobia (medo de sujeira e contaminação), que podem se manifestar, ainda, como medo de doenças. Quem sofre destes males chega a passar horas a fio limpando e desinfetando todos os objetos de uma casa - chão, móveis, roupas, toalhas de banho e lençóis.

Algumas chegam a cobrir tudo com panos e plásticos. Outras, evitam abrir as janelas, para impedir que os germes entrem. Quase nunca saem de casa e quando recebem visita, exigem que os visitantes tirem os sapatos na entrada e lavem as mãos antes de sentar. Para essas pessoas, flanela e o álcool são assessórios indispensáveis no dia-a-dia.

Xenofobia

A xenofobia pode ser facilmente confundida com a fobia social, pois é caracterizada pelo medo de estranhos. A pessoa jamais se dirige a um desconhecido, mesmo que esteja na rua e não consiga encontrar determinado endereço. Entra em pânico quando é abordada por um estranho para dar uma informação ou mesmo para dizer as horas. E passa por absoluto embaraço quando é apresentada a alguém. Para ela, é como se todo desconhecido fosse uma ameaça à sua integridade e saúde.

Sofrimento real

De acordo com a psicóloga Sílvia Pessoa, a sociedade, em geral, tende a subestimar o mal-estar do fóbico, porque quem não sofre da doença não consegue imaginar o desespero do outro. No entanto, independentemente de qual seja o agente causador do medo, o sofrimento por que o fóbico passa é real, é de verdade. Ele não está inventando, nem querendo chamar a atenção.

Quando diz sentir dor, ele está sentindo dor. Quando diz estar lhe faltando o ar, ele está se sentindo asfixiado. Quando diz que vai desmaiar, está realmente com as pernas bambas e a sensação de tontura. A fobia é um medo completamente irracional, em que a pessoa "vive" situações extremas de desconforto ou perigo. E por mais consciente que ela seja de que seu problema é emocional, ela não tem qualquer controle sobre seu corpo no momento da fobia.

E se, durante a crise, alguém forçá-la a permanecer em contato com o agente causador de fobia, os sintomas podem sim evoluir para a perda de sentidos ou para uma crise convulsiva.

(SM)

Comentários

Comentários