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Fobias

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Fobia social atinge 2,5% da população

Texto: Sabrina Magalhães

O diagnóstico da fobia social é extremamente difícil, pois o problema é freqüentemente confundido com timidez e introspecção

De todas as fobias de que se tem notícia, a fobia social

é a que acomete mais pessoas. Sua prevalência é de aproximadamente 2,5 pessoas a cada 100 indivíduos. "Supondo Bauru, com 300 mil habitantes, seriam 7.500 pessoas com fobia social", comenta o psiquiatra Wilson Siqueira. Nos Estados Unidos, é o transtorno mental mais comum entre mulheres e o segundo mais comum entre homens (perdendo só para o abuso de substâncias químicas, como álcool e drogas).

A fobia social é o medo de se expor em público. A pessoa tem um pavor descomunal diante das mais diversas situações sociais, como assinar um cheque, ser abordado na rua para dar informações, comer num restaurante, enfim, sempre que é (ou pode estar sendo) observado por outras pessoas.

O fóbico tem a sensação de que vai cometer gafes o tempo todo. Ele sente que vai passar por ridículo, ter atitudes humilhantes e vergonhosas. Paralelamente a isso, ele sente-se transparente, como se todas as pessoas ao redor pudessem perceber que ele está desconfortável naquela situação. Conforme a fobia evolui, o indivíduo acaba se isolando do mundo, pois ele passa a fugir de qualquer situação social, inclusive dos parentes e amigos mais afastados.

"A fobia social é difícil de ser diagnosticada. Porque a pessoa sempre vai tomar a doença como 'um problema meu', 'sou assim e pronto'. Ela vem com um rótulo de timidez, da pessoa introvertida, é uma pessoa quieta, não fala muito... Só que há um sofrimento, porque ela quer se colocar, mas o medo de se expor é muito grande. Então, ela acaba se anulando", afirma a psicóloga Sílvia Pessoa.

Então, numa sala de aula, por exemplo, quando o fóbico

é chamado para dirigir-se à frente de todos e comentar alguma coisa, ele é acometido por um pavor incontrolável e não adianta ninguém dizer que ele está entre amigos - isso não alivia. "A pessoa pode até tentar, mas quando ela começa a falar, surgem os sintomas físicos da desestrutura emocional. Ela fica vermelha, as mãos suam, ela começa a esfregar as mãos e, a essa altura, já nem presta mais atenção ao que está dizendo. Nessa hora, ela já engasgou, deu um vexame e é como se a multidão estivesse rindo dela."

Um verdadeiro martírio, dizem os fóbicos. Na hora da crise, não adiantam os consolos, a palavra amiga. O pânico e o desconforto são tamanhos, que é como se a pessoa fosse desmaiar. E, em casos extremos, ela pode realmente perder os sentidos, ou mesmo, entrar em convulsão. Em alguns casos, a pessoa pode, inclusive, apresentar uma paralisia muscular momentânea.

Os especialistas salientam que a fobia social costuma manifestar seus primeiros sintomas entre os 15 e 25 anos. Mas pode acometer crianças, sendo que, quanto mais cedo aparece, pior é o prognóstico, pois aumenta a chance de que a fobia tenha um curso crônico e contínuo por toda a vida. "Além disso, a fobia na infância pode ter uma causa secundária.

É um jeito dela mostrar que está ali e de ganhar carinho e proteção", afirma Sílvia Pessoa.

Alcoolismo

Além de resultar no isolamento do indivíduo, que passa a evitar toda e qualquer situação que lhe possa parecer constrangedora ou ameaçadora, existe uma forte ligação entre a fobia social e o alcoolismo. Afinal, o álcool é, sabidamente, uma alternativa muito eficaz para o relaxamento em ocasiões sociais. Para o fóbico, no entanto, pode transformar-se em dependência.

Na fobia, os sintomas aparecem antes do fato em si. Basta saber que ele terá que enfrentar a "multidão", para o terror tomar conta do indivíduo. Por isso, a tendência

é de que ele beba antes dos eventos sociais para amenizar esse sofrimento. O álcool é uma substância estimulante e pode, inclusive, precipitar os sintomas ansiosos. Então ele ingere mais álcool para controlar a ansiedade, criando um terrível círculo vicioso.

Pesquisas norte-americanas indicam que 14% a 40% dos pacientes com fobia social tornam-se alcoólatras. Por outro lado, 2,4% a 57% dos alcoolistas apresentam características de fobia social.

Principais problemas para o fóbico social

* Participar de grupos;

* Telefonar em público;

* Comer em lugares públicos;

* Falar com autoridades ou superiores;

* Ir a festas;

* Trabalhar e/ou escrever enquanto é observado;

* Abordar pessoa não conhecida;

* Falar com estranhos ou pessoas não muito próximas;

* Participar de entrevistas;

* Participar de reuniões;

* Encontrar-se com desconhecidos;

* Entrar numa casa (sala de aula ou escritório) quando as outras pessoas já estão sentadas;

* Ser o centro das atenções;

* Apresentar trabalhos (escolares, acadêmicos, etc.);

* Falar em público;

*Submeter-se a algum tipo de exame;

* Tentar ficar com alguém ou namorar;

* Comprar ou devolver mercadorias em uma loja;

* Resistir à pressão de um vendedor;

* Expressar desaprovação em debates;

* Sentir-se avaliado;

* Não ser capaz de se "mostrar à altura".

Por isso, ele:

* Reluta em marcar e aceitar compromissos;

* Evita argumentar com outras pessoas acerca do que pensa e/ou mesmo quando lhe aborrecem;

* Tem pouca abertura e franqueza quanto ao que pensa e julga;

* Reprime suas emoções e sentimentos, bem como seus juízos de valor.

Fonte: http://planeta.terra.com.br

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