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Sedução

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

As donas da bola

Texto: Gustavo Cândido

Os homens sempre tiveram e cultivaram a imagem de conquistadores quando o assunto é paquera. Essa imagem está prestes a cair por terra, se não por completo, pelo menos em grande parte, como aponta a tese do professor universitário e psicólogo Sandro Caramaschi, que mostra que nos jogos de sedução quem conduz a situação é mulher, dando sinais para que o homem avance ou não. Em outras palavras: escolhendo ao invés de ser escolhida como se pensava.

A tese do Caramaschi, professor da Faculdade de Ciências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, se baseia numa pesquisa que ele aplicou em 600 jovens universitários

(300 de cada sexo) dos cursos de Psicologia, Jornalismo, Relações Públicas e Engenharia Civil, na faixa dos 18 aos 21 anos. A escolha do tema aconteceu porque existem muitas pesquisas sobre o assunto, baseadas em observação, que afirmam que as pessoas tomam atitudes inconscientes na hora do flerte. "O meu objetivo era descobrir o quanto as pessoas sabem o que fazem na hora da paquera", conta o professor e psicólogo.

O questionário entregue aos estudantes continha apenas duas perguntas: "Suponha que você esteja num lugar qualquer e uma pessoa lhe atraia. O que você faz para ser notado e que reação espera do alvo de sua paquera?"

Para a surpresa do pesquisador, os entrevistados apresentaram 75 tipos de respostas diferentes, "esperava que fosse difícil conseguir que eles falassem", confessa. A conclusão final foi que quem dá realmente as cartas na hora do flerte

é a mulher, mas na maioria dos casos, é o homem quem se aproxima para conversar, fazer a "abordagem".

"As mulheres passam os sinais de que aquele homem que a está cortejando vai ser bem recebido, ele percebe e então se aproxima", explica. Ou seja: se a mulher não demonstra nenhum interesse à distância, o homem não deve nem chegar perto para não correr o risco de levar um fora. "O papel do homem é se apresentar, a mulher

é seletiva e escolhe os que têm mais probabilidade de vir a se tornar um relacionamento mais sério", diz.

Olhar 43

Baseado nas respostas dos entrevistados, Caramaschi também obteve também algumas estratégias e expectativas dos jovens na hora da conquista. O olhar é um fator determinante, segundo a pesquisa. Enquanto os homens preferem olhar fixamente para a mulher pela qual eles se interessam, elas olham pausadamente, arriscando olhadinhas discretas de tempos em tempos. Elas também desviam os olhos quando os olhares se cruzam.

A razão para o olhar fixo masculino está na ansiedade. Eles têm mais necessidade de se sentirem seguros para poder avançar. "O olhar é uma coisa cultural, na Itália, por exemplo, os homem olham muito mais fixamente ainda, mas isso é uma coisa que as pessoas não se dão conta". afirma o professor.

O corpo da mulher "fala" quando ela se interessa por um homem, outros sinais que ela passa para o homem são: o sorriso (elas sorriem muito mais que eles), o quadril, que vem levemente para frente, a mão nos cabelos e a palma da mão, que é mostrada para o homem (na hora de fazer um movimento, por exemplo). "O que existe na paquera é uma situação de conflito, os dois querem começar um relacionamento mas ambos estão inseguros, os homens têm medo de serem rejeitados e as mulheres, de escolher o cara errado e sofrerem,

é um jogo onde as pessoas estão se conhecendo. Por isso muitos gestos são apaziguadores e servem para tranqüilizar a outra pessoa. Mostrar a palma da mão é um sinal universal de apaziguamento, todos as saudações são feitas com a mão e as mulheres fazem muito isso", diz Caramaschi. Outro sinal comum feminino é o sorriso, as mulheres se mostram muito mais "contentes", numa situação de paquera, o que estimula o homem a chegar junto. A voz também fica mais fina.

O "xaveco"

Na hora da abordagem, da primeira conversa ou do "xaveco", como dizem os jovens, os homens se mostram mais preocupados em parecer sinceros e românticos, enquanto elas querem mostrar que não são tão inatingíveis e difíceis assim, sorrindo muito e até tocando os rapazes. Para o professor isso é um sinal da mudança do papel feminino na sociedade, que exige que a mulher também tome certas atitudes ao invés de deixá-las só para os homens.

No primeiro contato, é importante que o homem, além de iniciar a conversa, é claro, mostre ser inteligente, elogie muito a mulher, se interesse por assuntos dela, mas também fale de si mesmo e, principalmente, a convide para fazer alguma coisa, o que garante que eles vão se encontrar mais vezes.

A maior dica que a pesquisa de Caramaschi apontou para os que estão interessados em conquistar uma mulher não

é nova. Apesar de todos os avanços e mudanças, as mulheres ainda sonham com o príncipe encantado que vá se tornar um companheiro por um longo tempo, senão para a vida toda e ainda são muito sensíveis aos bilhetinhos, flores e presentes. "Isso é o que elas mais esperam de um homem que demonstre interesse", revela o professor. Enquanto esperam o retorno masculino, elas se tornam mais carinhosas e freqüentam os mesmos círculos de amigos dele.

Homem conquistador?

Como aponta a pesquisa de Caramaschi, o homem realmente não

é "o conquistador", como se imagina. Mas isso não quer dizer que ele não tenha o seu "poder" na conquista. Um rapaz que tenha namorado várias mulheres pode não ter uma habilidade especial para conquistá-las como se imagina, mas certamente possui algo que faz com que as mulheres se interessem por ele e com isso permitam a sua abordagem. Segundo Sandro Caramaschi, são itens que contam na hora da "seleção de parceiros" que a mulher realiza, como a aparência, a inteligência, até o sobrenome, ou o carro que ele dirige.

Quem conquista quem?

Veja a opinião do povo nas ruas

"O homem tem de conquistar a mulher, é ele quem a escolhe. Isso é uma coisa de gerações, mulher nenhuma vai 'chegar' num homem, ele é quem vai se aproximar"

Ronaldo Romanoski, 19 anos, auxiliar de escritório

"A mulher é quem conquista porque ela tem mais charme. A aproximação também deve ser um papel da mulher porque ela ganhou espaço hoje em dia, chega a ser até preconceito achar que só o homem deve 'chegar'"

Juliana De Paula Oliveira, 21 anos, auxiliar de escritório

"É o homem que deve se aproximar porque as mulheres geralmente são muito tímidas"

Rosenei Quintana, 23 anos, comerciante

"Ainda é mais o homem que se aproxima, porque ele

é mais atirado que as mulheres, mas esse século que vai começar com certeza vai ser das mulheres então isso deve mudar. Por enquanto os homens é que se aproximam"

Alexandre Trassi, 26 anos, engenheiro

"Acho que as mulheres é que estão fazendo essa aproximação e não estão dando a chance para os homens na conquista. Elas estão mais ousadas"

Keila Pavani, 21, universitária

"É sempre o homem que tem de 'chegar' porque a mulher

é muito orgulhosa, mas as coisas não precisavam ser assim hoje em dia"

Pedro Júnior, 17 anos, estudante

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